IRON MAI­DEN

ALMANAQUE DO ROCK - EDIÇÃO DE COLECIONADOR - - Quarta Era -

Exis­tem mil ra­zões pa­ra o Iron

Mai­den ser a ban­da mais re­pre­sen­ta­ti­va da quin­ta era do rock e até mes­mo do he­avy me­tal em si. A prin­ci­pal é que mes­mo não sen­do eles os cri­a­do­res do gê­ne­ro, aliás, bem lon­ge dis­so, têm uma par­ce­la de res­pon­sa­bi­li­da­de bem gran­de pe­lo “renascimento” do me­tal. Es­sa his­tó­ria co­me­ça em 1976, quan­do o bai­xis­ta Ste­ve Har­ris re­sol­veu que era ho­ra de ter sua ban­da. Os pri­mei­ros a se jun­ta­rem a ele fo­ram o gui­tar­ris­ta Tony Par­sons, o ba­te­ris­ta Doug Samp­son e o vo­ca­lis­ta Paul Di'An­no. Em­bo­ra gos­tas­sem mes­mo é de he­avy me­tal e hard rock, a in­de­pen­dên­cia e o des­po­ja­men­to do punk aca­ba­ram in­flu­en­ci­an­do al­guns as­pec­tos do iní­cio da car­rei­ra de­les. Pri­mei­ro no som mais cru, com um pé no punk e sem as fi­ru­las que ca­rac­te­ri­za­va o me­tal e o hard rock de sua épo­ca. De­pois, no es­pí­ri­to do it your­self: “se não tem con­tra­to com uma gra­va­do­ra, gra­ve vo­cê mes­mo e lan­ce seu dis­co”. E as­sim fi­ze­ram pro­du­zin­do o pri­mei­ro com­pac­to, o his­tó­ri­co The Soundhou­se Ta­pes, que saiu pe­lo se­lo Rock Hard Re­cords, de­les mes­mos, com Iron Mai­den no la­do A e In­va­si­on e Pro­wler, no B. Nes­se dis­co a gui­tar­ra fi­cou por con­ta de Dave Mur­ray. Na épo­ca tam­bém co­mer­ci­a­li­za­ram uma de­mo ta­pe, que ti­nha uma fai­xa a mais: a vi­a­jan­te Stran­ge World. Não foi ne­nhum es­tou­ro, mas ser­viu co­mo port­fó­lio e lo­go as­si­na­ram con­ta­to com uma gran­de gra­va­do­ra. Em 1980, com mais um gui­tar­ris­ta (Den­nis Strat­ton) e Cli­ve Burr na ba­te­ria, lan­çam o ál­bum de es­treia, Iron Mai­den, mais três sin­gles ma­ta­do­res ( Run­ning Free, Sanc­tu­rary e Wo­men in Uni­form) pa­ra ini­ci­ar o rei­na­do da Da­ma de Fer­ro e es­ta­be­le­cer as no­vas ba­ses do he­avy me­tal.

Ed­die, o sim­pá­ti­co mor­to­vi­vo-mas­co­te do Iron Mai­den, foi cri­a­do pe­lo ar­tis­ta De­rek Riggs pa­ra o pri­mei­ro sin­gle da ban­da – no qual ele ma­ta a ma­cha­da­da a en­tão pri­mei­ra-mi­nis­tra da In­gla­ter­ra, Margaret That­cher. Ho­je, com a tec­no­lo­gia, Ed­die an­da pe­los pal­cos, to­can­do com Dic­kin­son e cia.

A BESTA À SOLTA

O ano de 1981 mar­cou mu­dan­ças im­por­tan­tes pa­ra o Mai­den. A pri­mei­ra foi a subs­ti­tui­ção de Strat­ton por Adri­an Smith, con­fe­rin­do ain­da mais qua­li­da­de ao que já era bom. Com is­so, o se­gun­do ál­bum, Kil­lers, soa mais rá­pi­do e pe­sa­do, com destaques pa­ra a fai­xa título e Wrath­child, que fez par­te do re­per­tó­rio dos shows do gru­po por dé­ca­das. Em al­ta, o Mai­den fez sua pri­mei­ra gran­de tur­nê, mas ao fi­nal do gi­ro, o vo­ca­lis­ta Paul Di'An­no, en­tão con­su­mi­dor pe­sa­do de co­caí­na e ál­co­ol, foi dis­pen­sa­do. Em seu lu­gar en­trou Bru­ce Dic­kin­son, ex-vo­ca­lis­ta do Sam­son, ou­tra ban­da da NWOBHM. No iní­cio de 1982, o gru­po vol­tou ao es­tú­dio e fez aque­le que se­ria o ál­bum mais re­pre­sen­ta­ti­vo de sua car­rei­ra e um dos mai­o­res – se não o mai­or – clás­si­cos do he­avy me­tal: The Num­ber of The Be­ast, se­gui­do de uma das mais ex­ten­sas e in­ten­sas tur­nês fei­tas pe­lo gru­po. O que tor­nou o ál­bum um clássico foi o ama­du­re­ci­men­to mos­tra­do pe­la ban­da. Dic­kin­son deu uma di­men­são épi­ca aos vo­cais, en­quan­to Har­ris e cia. aper­fei­ço­a­ram seu es­ti­lo “ga­lo­pan­te”. Em­bo­ra to­das a mú­si­cas se­jam es­sen­ci­ais, a fai­xa-título e Run To The Hills, são as mais re­pre­sen­ta­ti­vas. Atu­al­men­te as ven­das do ál­bum es­tão na fai­xa dos 15 mi­lhões de có­pi­as, mas se fos­se pos­sí­vel con­tar as pi­ra­tas e reproduções ca­sei­ras, es­se nú­me­ro se­ria mui­to mai­or. Não é exa­ge­ro que exis­te um he­avy me­tal an­tes e ou­tro de­pois des­se dis­co.

Após ta­ma­nho su­ces­so não se­ria fá­cil man­ter a qua­li­da­de, mas o Mai­den pro­vou sua for­ça com o po­de­ro­so Pi­e­ce of Mind, de 1982, no qual o ba­te­ris­ta Nic­ko McB­rain subs­ti­tuiu Burr e a te­má­ti­ca das letras pas­sou a ser to­tal­men­te vol­ta­da pa­ra ba­ta­lhas mi­to­ló­gi­cas, fic­ção ci­en­tí­fi­ca, fan­ta­sia e ocul­tis­mo. The Tro­o­per uma da mú­si­cas mais sim­bó­li­cas do es­ti­lo Mai­den é des­se ál­bum. Pa­ra com­ple­tar o que mui­tos fãs cha­mam de “tri­lo­gia es­sen­ci­al” do Iron, em 1983, che­ga às lo­jas o épi­co Powers­la­ve, que cris­ta­li­zou de­fi­ni­ti­va­men­te o som da ban­da. O dis­co abre com Aces High, um dos riffs mais ma­ta­do­res do he­avy me­tal e se­gue des­fi­lan­do clás­si­cos co­mo

2 Mi­nu­tes to Mid­night e fe­cha com Ri­me of the An­ci­ent Ma­ri­ner, um épi­co de qu­a­se 14 mi­nu­tos.

A ÚL­TI­MA FRON­TEI­RA

Na me­ta­de dos anos 80, o Iron Mai­den já era a mai­or ban­da de he­avy me­tal do pla­ne­ta. O pri­mei­ro ci­clo se com­ple­ta­ria nos anos se­guin­tes com uma es­tru­tu­ra de shows que até ho­je atrai mul­ti­dões em es­tá­di­os e mais dois bons ál­buns. O pri­mei­ro de­les, So­mewhe­re In Ti­me, de 1986, um dis­co mais me­ló­di­co e no qual usam pe­la pri­mei­ra vez gui­tar­ras sin­te­ti­za­das. Soa um pou­co re­pe­ti­ti­vo pa­ra os crí­ti­cos mas, pa­ra os fãs, é cons­tan­te­men­te ci­ta­do co­mo um dis­co su­bes­ti­ma­do. O se­gun­do, Se­venth Son of a Se­venth Son, apre­sen­ta can­ções mais lon­gas, po­rém, ain­da ins­pi­ra­das, o que dei­xa­ria de acon­te­cer na dé­ca­da se­guin­te. Em­bo­ra não te­nha per­di­do o tro­no e man­ti­ves­se sua le­gião de afi­ci­o­na­dos, o Mai­den ini­ci­ou um ci­clo de mu­dan­ças cons­tan­tes na for­ma­ção, in­clu­si­ve com as saí­das de Bru­ce e Adri­an. Em 1999, a for­ma­ção clás­si­ca se reu­niu e lan­çou Bra­ve New World, re­to­man­do tu­do que ha­via con­quis­ta­do por di­rei­to. Em 2010, com The Fi­nal Fron­ti­er e em 2015, com The Bo­ok Of Souls, o Mai­den pro­vou que, 30 anos após mu­dar a his­tó­ria do rock, ain­da é ca­paz de fa­zer seus fãs mui­to fe­li­zes.

Em 1993, quan­do Bru­ce Dic­kin­son re­sol­veu se­guir car­rei­ra so­lo, foi subs­ti­tuí­do por Bla­ze Bai­ley, que era do pro­mis­sor Wolfs­ba­ne, a pri­mei­ra ban­da bri­tâ­ni­ca a as­si­nar com a Def, a gra­va­do­ra ame­ri­ca­na do pro­du­tor Rick Rubin.

Após ser dis­pen­sa­do, Paul Di'An­no, que ad­mi­tiu pu­bli­ca­men­te ter exa­ge­ra­do um pou­co no pó e no ál­co­ol na­que­la épo­ca, se­guiu car­rei­ra so­lo e tam­bém fez par­te de al­gu­mas ban­das co­mo Gog­ma­gog, Bat­tle­zo­ne, Praying Man­tis e Kil­lers. Mas nun­ca che­gou per­to do êxi­to da Don­ze­la de Fer­ro.

Uma ou­tra pai­xão do bai­xis­ta Ste­ve Har­ris é o fu­te­bol. Tor­ce­dor fa­ná­ti­co do West Ham, che­gou a trei­nar na equi­pe ju­ve­nil do clu­be. Por sor­te pre­fe­riu se de­di­car à música. No en­tan­to, nun­ca dei­xou o es­por­te de la­do, sem­pre re­a­li­zan­do pe­la­das du­ran­te as tur­nês e até compôs We­e­kend War­ri­or, do ál­bum Fe­ar of The Dark, de 1992, ins­pi­ra­da nos ho­o­li­gans.

LI­VING COLOUR

O rock é uma cri­a­ção de afro­des­cen­tes, dis­so não há qual­quer dú­vi­da. Mas es­tra­nha­men­te, a par­tir da dé­ca­da de 70 pou­cos mú­si­cos ro­quei­ros pos­suíam tal no­bre as­cen­dên­cia. Uma das ban­das pi­o­nei­ras em su­pe­rar es­sa bar­rei­ra foi o Li­ving Colour que, de que­bra, abriu as por­tas pa­ra uma mis­tu­ra sau­dá­vel de es­ti­los co­mo hip hop, punk, he­avy me­tal, blu­es e até jazz, al­go que o gru­po fa­zia com uma rara com­pe­tên­cia. For­ma­do em 1985 por Ver­non Reid (gui­tar­ra), Muzz Skil­lings (bai­xo), Wil­li­an Ca­lhoun (ba­te­ria) e Co­rey Glo­ver (vo­cal), o gru­po ga­nhou um ines­pe­ra­do fã e apoi­a­dor ilus­tre em 1986: um tal de Mick Jag­ger, que gos­tou tan­to do som após vê-los ao vivo e em co­res que re­sol­veu pro­du­zir al­gu­mas de­mos da ban­da. Dois anos de­pois, o Li­ving Colour ti­nha um con­tra­to com a Epic, o pri­mei­ro ál­bum ( Vi­vid), um Grammy (pe­la música Cult of Per­so­na­lity) e uma tur­nê com o gru­po mais in­flu­en­te do rock and roll, li­de­ra­do pe­lo ad­mi­ra­dor fa­mo­so. Em se­gui­da lan­çam Ti­me's Up, que ren­deu mais um Grammy e tur­nês co­mo ban­da prin­ci­pal. Con­tu­do, por vol­ta de 1994, Ver­non Reid re­sol­ve aban­do­nar o bar­co. O Li­ving Colour hi­ber­nou até 2001, quan­do Ver­non e seus ami­gos re­for­ma­ram o gru­po. Em 2003, lan­çam o ex­pe­ri­men­tal Col­li­deøs­co­pe e, des­de en­tão, se man­têm em ati­vi­da­de mais nos pal­cos.

Ál­buns es­sen­ci­ais

• Vi­vid (1988)

• Ti­me`s Up (1990)

DIO

Ron­nie Ja­mes Dio mar­cou seu no­me no he­avy me­tal co­mo uma das vo­zes mais ca­rac­te­rís­ti­cas da his­tó­ria des­se es­ti­lo. De­pois de ter se tor­na­do co­nhe­ci­do ao la­do de Rit­chie Black­mo­re no Rain­bow e ter subs­ti­tuí­do Ozzy no Black Sab­bath, Dio for­mou sua pró­pria ban­da em 1982, à qual ba­ti­zou com seu ape­li­do. E que ban­da! Cha­mou o bai­xis­ta Jimmy Bain (exRain­bow), o ba­te­ris­ta Vinny Ap­pi­ce (ex-Black Sab­bath) e o gui­tar­ris­ta Vi­vi­an Camp­bell (exSwe­et Sa­va­ge). De ca­ra, o gru­po lan­çou um clássico do he­avy me­tal, o ál­bum Holy Di­ver, com sua fai­xa título e Rain­bow in the Dark, que se tor­nou um hit na MTV. Além dos su­ces­sos, o dis­co traz tam­bém su­as pé­ro­las mais pe­sa­das, co­mo Stand Up and Shout,

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