A MÚSICA DE TO­DAS AS TRI­BOS...

...de to­das as épo­cas, de t to­dos es­ti­los... Es­se é o rock'n'roll ho­je, de­pois de uma sa­ga de mais de meio sé sé­cu­lo, cons­truí­da com ge­ni­a­li­da­de, tra­gé­di­as, emo­ção, re­vol­ta, amor, ami­za­de, san­gue, su­or, lá­gri­mas, sor­ri­sos...

ALMANAQUE DO ROCK - EDIÇÃO DE COLECIONADOR - - Setima Era -

Aca­da era, a ca­da trans­for­ma­ção, a ca­da

fler­te com ou­tros gê­ne­ros mu­si­cais ou ino­va­ção tec­no­ló­gi­ca, o rock foi in­cor­po­ran­do tan­tos ele­men­tos que en­trou no sé­cu­lo 21 mar­ca­do por uma di­ver­si­da­de iné­di­ta de sub­gê­ne­ros. E tam­bém “con­ta­mi­nou” os de­mais gê­ne­ros, di­re­ta ou in­di­re­ta­men­te. Ho­je, a ma­nei­ra de se pro­du­zir música, se­ja de que ti­po for e em qual­quer lu­gar do mun­do, tem al­gu­ma re­la­ção com o rock. Mes­mo que ar­tis­ti­ca­men­te is­so não se­ja per­cep­tí­vel, em ter­mos de téc­ni­ca de gra­va­ção, de es­tra­té­gi­as de divulgação ou de pos­tu­ra ar­tís­ti­ca, sem­pre há al­go que de­ri­va do rock'n'roll. As­sim, es­sa sé­ti­ma era, ain­da em evo­lu­ção, tem co­mo mar­cas a in­de­pen­dên­cia cri­a­ti­va e a que­bra de bar­rei­ras.

O MEIO É A MEN­SA­GEM

Com cer­te­za, a mai­or mu­dan­ça não acon­te­ceu nos acor­des ou nas ati­tu­des e sim no for­ma­to com que a música che­ga ao pú­bli­co. An­te­ri­or­men­te, is­so já ha­via mu­da­do, quan­do o vi­nil deu lu­gar ao CD, mas foi al­go que não me­xeu com a es­tru­tu­ra da pro­du­ção mu­si­cal. No en­tan­to, a cri­a­ção do MP3 e a pos­si­bi­li­da­de da tro­ca de ar­qui­vos mu­si­cais pe­la Internet de­ses­tru­tu­rou tu­do. De re­pen­te, a música fi­cou aces­sí­vel pa­ra mi­lhões de jo­vens e os down­lo­ads gra­tui­tos le­va­ram mui­tas gra­va­do­ras e dis­tri­bui­do­ras de CD à fa­lên­cia. Pa­ra o bem ou pa­ra o mal, ou­tras con­sequên­ci­as lo­go se­ri­am sen­ti­das. O gran­de nú­me­ro de reu­niões de ban­das ex­tin­tas não é me­ro aca­so: os che­ques pa­ra­ram de che­gar pa­ra os gran­des as­tros, que ti­ve­ram de vol­tar aos pal­cos. Por ou­tro la­do, abriu-se a pos­si­bi­li­da­de de qual­quer ban­da ex­por seu tra­ba­lho no mes­mo es­pa­ço de gran­des es­tre­las, la­do a la­do. Sair do ano­ni­ma­to pa­ra a po­pu­la­ri­da­de já não de­pen­de tan­to de co­nhe­cer agen­tes e as­si­nar bons con­tra­tos.

O con­cei­to de ál­bum tam­bém vai sen­do di­luí­do. Um sin­gle ou um cli­pe que se tor­ne “vi­ral” na web po­de ter mais for­ça do que uma ca­ra cam­pa­nha pu­bli­ci­tá­ria. De cer­to mo­do, em ou­tras pro­por­ções, is­so é um re­tor­no ao co­me­ço, quan­do an­tes de lan­çar um LP, era pre­ci­so ter um sin­gle de su­ces­so.

Em ter­mos mu­si­cais, to­das as ver­ten­tes do rock ga­nha­ram es­pa­ço. O me­tal es­pa­lhou-se ain­da mais pe­lo pla­ne­ta, cri­an­do uma sub­cul­tu­ra den­tro da cul­tu­ra ro­quei­ra, com mi­lha­res de ban­das em to­dos os paí­ses. A on­da “emo”, ini­ci­a­da no fi­nal do sé­cu­lo pas­sa­do, e que do­mi­nou por um tem­po as pa­ra­das mu­si­cais, dei­xou su­as mar­cas, mes­mo com to­do pre­con­cei­to que so­freu. Mas o gê­ne­ro que tem pre­do­mi­na­do é o cha­ma­do “in­die rock”, pu­xa­do pe­lo su­ces­so do Stro­kes e do Ra­di­ohe­ad e que atu­al­men­te se sus­ten­ta em ban­das com pe­ga­das que va­ri­am des­de o folk até o hard­co­re, pas­san­do pe­lo ele­trô­ni­co, o pop e o rock re­trô. Por is­so, é im­pos­sí­vel apon­tar um íco­ne úni­co des­sa épo­ca tão plu­ral, de to­das as tri­bos.

AU­DI­OS­LA­VE

Uma reu­nião de mú­si­cos com mui­ta le­nha pa­ra quei­mar, pre­o­cu­pa­dos em res­pei­tar seus pas­sa­dos, mas en­tu­si­as­ma­dos pa­ra apon­tar pa­ra um no­vo ho­ri­zon­te mu­si­cal. Foi as­sim que os ex-Ra­ge Against The Ma­chi­ne Tom Mo­rel­lo (gui­tar­ra), Tim Com­mer­ford (bai­xo) e Brad Wilk (ba­te­ria), e o exSound­gar­den Ch­ris Cor­nell se jun­ta­ram pa­ra for­mar o Au­di­os­la­ve. A ban­da es­tou­rou com os hits Co­chi­se e Li­ke a Sto­ne, em 2002. O se­gun­do tra­ba­lho, Out of Exi­le, sai­ria ape­nas em 2005, co­mo um dos mais es­pe­ra­dos do ano e te­ve óti­mo de­sem­pe­nho nas pa­ra­das mu­si­cais. Em 2007, um ano de­pois do lan­ça­men­to de Re­ve­la­ti­ons, é anun­ci­a­do o re­tor­no do RATM, afe­tan­do di­re­ta­men­te o fu­tu­ro do Au­di­os­la­ve, que dei­xou de exis­tir, pe­lo me­nos por en­quan­to...

Ál­buns es­sen­ci­ais

• Au­di­os­la­ve (2002)

• Out of Exi­le (2005)

LIN­KIN PARK

Em 1996, Mi­ke Shi­no­da (vo­cal), Brad Del­son (gui­tar­ra) e Rob Bour­bon (ba­te­ria) fun­da­ram o Lin­kin Park que se­ria com­ple­ta­do por Pho­e­nix (bai­xo), Ches­ter (vo­cal) e Jo­seph Hahn (DJ). Des­de o iní­cio a pro­pos­ta era o cros­so­ver de gui­tar­ras pe­sa­das, hip hop e música ele­trô­ni­ca. O pri­mei­ro ál­bum, Hy­brid The­ory, foi um dos dis­cos mais ven­di­dos de 2000 nos EUA. De­pois de um CD de re­mi­xes, re­tor­nam em 2003 com Me­te­o­ra, pra­ti­ca­men­te uma con­ti­nu­a­ção do dis­co an­te­ri­or com um pou­co mais de ele­trô­ni­ca. De­pois de uma par­ce­ria com o rap­per Jay-Z, em 2007, lan­çam Mi­nu­tes To Mid­night, que mos­tra o gru­po mais ma­du­ro e con­sis­ten­te. Em

A Thou­sand Suns, de 2010, pen­dem mais pa­ra o ele­trô­ni­co, ao con­trá­rio de Li­ving Things (2012), em que usam mais gui­tar­ras. Em 2014, lan­ça­ram The Hun­ting Party, uma es­pé­cie de vol­ta às ori­gens de su­as re­fe­rên­ci­as mu­si­cais.

Ál­buns es­sen­ci­ais

• Hy­brid The­ory (2000)

• Mi­nu­tes To Mid­night (2007)

EVANESCENCE

Ali­an­do o pe­so do nu me­tal e do rock tra­di­ci­o­nal a me­lo­di­as de pi­a­no e aos vo­cais lí­ri­cos de Amy Lee, o Evanescence se tor­nou um dos mai­o­res fenô­me­nos do co­me­ço dos anos 2000, abrin­do ca­mi­nho pa­ra ban­das si­mi­la­res, co­mo o Nightwish. Fun­da­do por Amy e o gui­tar­ris­ta Ben Mo­ody em 1994, ape­nas em 2000 lan­ça­ram o pri­mei­ro CD, Ori­gin, de for­ma in­de­pen­den­te. Mas se­ria com Fal­len, ál­bum de 2002, que es­tou­ra­ri­am. O su­ces­so foi ala­van­ca­do pe­la in­clu­são de Bring Me to Li­fe na tri­lha so­no­ra do filme De­mo­li­dor – O Ho­mem Sem Me­do. Mas o gran­de hit do ál­bum aca­ba­ria sen­do

My Im­mor­tal. Em 2006, já sem Mo­ody no gru­po, o Evanescence re­pe­te o êxi­to em pro­por­ções me­no­res com The Open Do­or e o hit Call Me When You're So­ber. De­pois de cin­co anos em pau­sa, Amy vol­tou com um CD au­toin­ti­tu­la­do em 2011, com cli­ma mais cal­mo e som­brio.

Ál­buns es­sen­ci­ais

• Fal­len (2002)

• The Open Do­or (2011)

ARC­TIC MON­KEYS

De­pois de se tor­nar fenô­me­no na web, atra­vés de de­mos em MP3, o Arc­tic Mon­keys to­mou de as­sal­to a ce­na in­die in­gle­sa com seu “rock-qu­a­se punk-re­trô­new wa­ve-mo­der­ni­nho”. Li­de­ra­do pe­lo

ca­ris­má­ti­co vo­ca­lis­ta e gui­tar­ris­ta Alex Tur­ner e o tamm­bém tam­bém gui­tar­ris­ta Ja­mie Co­o­ok, Co­ok, o AM lan­çou seu ál­bum de dee es­treia, Wha­te­ver Pe­o­ple Say I Am, That's What I'm Not, ape­nas em 2006, mas cau­sou um fu­ror com­pa­rá­vel ao do lan­ça­men­to do pri­mei­ro tra­ba­lho do Oa­sis, dez anos an­tes. E a con­di­ção de no­vos “sal­va­do­res do rock” aca­bou con­fir­ma­da um ano de­pois com Fa­vou­ri­te Worst Night­ma­re, no qual ex­pu­se­ram mais do que um le­que de bo­as in­fluên­ci­as e mos­tra­ram seu es­ti­lo ori­gi­nal. De­pois do atí­pi­co La­te Night Ta­les e do mor­no Hum­bug, em 2011 vol­ta­ram com to­da a ener­gia no já con­sa­gra­do Suck it and See. Não con­ten­tes, em 2013, lan­ça­ram o elo­gi­a­do AM, elei­to me­lhor dis­co do ano pe­lo con­cei­tu­a­do New Mu­si­cal Ex­press.

Ál­buns es­sen­ci­ais

• Wha­te­ver Pe­o­ple Say I Am, That's What I'm Not (2006)

• Fa­vou­ri­te Worst Night­ma­re (2007)

• Suck it and See (2011)

• AM (2013)

THE HI­VES

O gru­po su­e­co es­te­ve no mes­mo pa­ta­mar que o Stro­kes, Whi­te Stri­pes e Ra­di­ohe­ad no iní­cio dos anos 2000. For­ma­do em 1993,por Ni­cho­laus Ar­son, Ch­ris Dan­ge­rous, Dr. Matt Des­truc­ti­on, Vi­gi­lan­te Carls­tro­em e Ho­wlin' Pel­le Almq­vist, o Hi­ves lan­çou seu pri­mei­ro ál­bum, o punk Ba­rely Le­gal, em 1997, mas sem mui­ta re­per­cus­são. O es­ti­lo ex­plo­si­vo, com gui­tar­ras su­per­dis­tor­ci­das e ve­lo­zes e um vo­ca­lis­ta com­ple­ta­men­te des­con­tro­la­do não foi des­car­ta­do no se­gun­do dis­co, Ve­ni Vi­di Vi­ci­ous, de 2000, mas con­se­gui­ram de­sa­ce­le­rar um pou­co e, aí sim, sur­pre­en­de­ram com óti­mas ven­das. O su­ces­so ge­rou, em 2002, Your New Fa­vou­ri­te Band, uma co­le­tâ­nea com fai­xas de sin­gles e dos dois pri­mei­ros ál­buns, que che­ga­ria ao top ten na In­gla­ter­ra. O ter­cei­ro tra­ba­lho, Ty­ran­no­sau­rus Hi­ves, de 2004, aju­dou o gru­po a man­ter-se no to­po. Três anos de­pois, “lim­pa­ram” o som em The Black and Whi­te Al­bum. Em 2012 re­tor­na­ram com o au­to­pro­du­zi­do Lex Hi­ves, mos­tran­do a ve­lha for­ma, pa­ra o bem do rock.

Ál­buns es­sen­ci­ais

• Ve­ni Vi­di Vi­ci­ous (2000)

• Your New Fa­vou­ri­te Band (2002)

WHI­TE STRI­PES

A inu­si­ta­da for­ma­ção com ape­nas uma gui­tar­ra e uma ba­te­ria, com um som tosquís­si­mo, con­se­guiu mar­car e sa­cu­dir o rock na vi­ra­da do mi­lê­nio. Foi is­so que fi­ze­ram Jack e Meg Whi­te, a du­pla – e even­tu­al­men­te ca­sal – ame­ri­ca­no mais cool da his­tó­ria do rock. Ape­sar de des­de o iní­cio te­rem con­quis­ta­do o pú­bli­co e agra­da­do a im­pren­sa es­pe­ci­a­li­za­da com os óti­mos ál­buns Whi­te Stri­pes e De Stilj, foi ape­nas em 2001, com Whi­te Blo­od Cells que marcaram de­fi­ni­ti­va­men­te seu es­pa­ço. Qu­a­se um ano de­pois de seu lan­ça­men­to, pu­xa­do pe­lo cli­pe de Fell In Lo­ve With a Girl, o ál­bum su­biu à es­tra­tos­fe­ra. O êxi­to se re­pe­ti­ria com Elephant, um de seus dis­cos mais elo­gi­a­dos. No en­tan­to, em 2011 após mais dois ex­ce­len­tes ál­buns - Get Behind Me Sa­tan e Icky Thump -, a du­pla anun­ci­ou o fim da aven­tu­ra. Jack Whi­te é ho­je uma das fi­gu­ras mais ati­vas do mun­do do rock, com inú­me­ras co­la­bo­ra­ções e pro­je­tos pa­ra­le­los. Sa­be-se que há mui­to ma­te­ri­al gra­va­do e não lan­ça­do por eles. Que ve­nham à luz!

Ál­buns es­sen­ci­ais

• Whi­te Stri­pes (1999)

• Whi­te Blo­od Cells (2001)

• Elephant 2003

MU­SE

Ape­sar de ter co­me­ça­do nos anos 90, o Mu­se é um au­tên­ti­co pro­du­to do sé­cu­lo 21, com seu rock re­che­a­do de ele­men­tos ele­trô­ni­cos. A in­fluên­cia do Ra­di­ohe­ad tam­bém fi­ca cla­ra. O trio in­glês, for­ma­do

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