CÓ­DI­GO DE TRÂN­SI­TO FAZ 20 ANOS, MAS ACIDENTES FATAIS AIN­DA GERAM PREOCUPAÇÃO

Brasil em Folhas - - Primeira Página -

OCó­di­go de Trân­si­to Brasileiro (CTB) com­ple­ta hoje (23) 20 anos. Cri­a­do pe­la lei 9.503, o CTB tem 341 ar­ti­gos e 688 re­so­lu­ções in­se­ri­das ao lon­go do tem­po, na ten­ta­ti­va de se bus­car uma per­fei­ção de nor­mas. Mes­mo con­si­de­ra­da boa por es­pe­ci­a­lis­ta, a le­gis­la­ção ain­da não tem si­do su­fi­ci­en­te pa­ra ti­rar o Bra­sil de uma po­si­ção na­da in­ve­já­vel no ran­king mun­di­al de mor­tes no trân­si­to: o quarto lu­gar, de­pois da Chi­na, Ín­dia e Ni­gé­ria. os da­dos ofi­ci­ais mais re­cen­tes do Sis­te­ma de In­for­ma­ção so­bre Mor­ta­li­da­de (SIM), do Mi­nis­té­rio da Saú­de, são de 2015, quan­do 38.651 mor­re­ram ví­ti­mas de acidentes de trân­si­to. es­se nú­me­ro foi 11% in­fe­ri­or a 2014, mas ain­da ele­va­do e em rit­mo len­to di­an­te do pro­pó­si­to de um dos ob­je­ti­vos de de­sen­vol­vi­men­to Sus­ten­tá­vel (ods), da or­ga­ni­za­ção das Na­ções uni­das (onu), que é re­du­zir as ocor­rên­ci­as à me­ta­de no fe­cha­men­to da década, em 2020. os ca­sos en­vol­ven­do au­to­mó­veis caí­ram 23,9% e os óbi­tos por atro­pe­la­men­tos, 21,5%. Já os re­gis­tros re­fe­ren­tes a mo­to­ci­clis­tas di­mi­nuí­ram com in­ten­si­da­de me­nor (4,8%).

de acor­do com es­se re­la­tó­rio, o es­ta­do de São paulo foi o que mais con­se­guiu re­du­zir o nú­me­ro de ví­ti­mas fatais ao pas­sar de 7.303 (em 2014) pa­ra 6.134 (em 2015), uma bai­xa em ter­mos ab­so­lu­tos de 1.169 óbi­tos.

em se­gui­da apa­re­ce o rio de Ja­nei­ro (de 2.902 pa­ra 2.193), o que sig­ni­fi­ca 709 mor­tes a me­nos, e Bahia, on­de 2.265 pes­so­as per­de­ram a vi­da em 2015, an­te 2.737, em 2014, uma di­fe­ren­ça de 472.

Lei Se­ca

pa­ra o Mi­nis­té­rio da Saú­de, es­sa redução “po­de es­tar re­la­ci­o­na­da à efe­ti­vi­da­de das ações de fis­ca­li­za­ção após a lei se­ca”, im­plan­ta­da há 9 anos. em su­as con­si­de­ra­ções, a pas­ta des­ta­ca que, “além de mu­dar os há­bi­tos dos bra­si­lei­ros, a lei trou­xe um mai­or ri­gor na pu­ni­ção e no bol­so de quem a de­so­be­de­ce”. o con­du­tor fla­gra­do di­ri­gin­do sob efeito de qual­quer quan­ti­da­de de be­bi­da al­coó­li­ca es­tá su­jei­to a mul­ta de r$ 2.934,70, além da sus­pen­são do di­rei­to de di­ri- gir por 12 me­ses. Na rein­ci­dên­cia, o va­lor é do­bra­do.

uma ou­tra explicação é o de­sa­que­ci­men­to no mer­ca­do in­ter­no de veí­cu­los e tam­bém a in­te­gra­ção dos mu­ni­cí­pi­os ao Sis­te­ma Na­ci­o­nal de Trân­si­to (SNT). de acor­do com o mi­nis­té­rio, nas lo­ca­li­da­des on­de fo­ram cri­a­dos os ór­gãos exe­cu­ti­vos de trân­si­to foi cons­ta­ta­do um re­cuo de 12,8% no re­gis­tro de mor­tes pro­vo­ca­dos por acidentes, en­quan­to nos de­mais ocor­reu queda de 8,9%.

in­ter­na­ções

os da­dos in­di­cam tam­bém uma redução de 1.018 ca­sos de fe­ri­dos in­ter­na­dos, mas que, igual­men­te, re­ve­la um sal­do ex­pres­si­vo. Ti­ve­ram de ser hos­pi­ta­li­za­dos 158,7 mil ví­ti­mas. ape­sar des­sa queda, quan­do são ana­li­sa­das iso­la­da­men­te, as ocor­rên­ci­as mos­tram cres­ci­men­to em re­la­ção aos aci­den­ta­dos com mo­to­ci­cle­tas, que ti­ve­ram um au­men­to de 4.061 no to­tal de ca­sos, e com bi­ci­cle­tas, 1.669. Sem con­tar os trans­tor­nos aos pa­ci­en­tes e fa­mi­li­a­res e as des­pe­sas pre­vi­den­ciá­ri­as, es­sas in­ter­na­ções ge­ra­ram um cus­to de r$ 242 mi­lhões pa­ra o Sis­te­ma Úni­co de Saú­de (SUS). por meio de no­ta, o mi­nis­tro da Saú­de, ricardo Barros, in­for­mou que a ques­tão “é um pro­ble­ma que pre­ci­sa ser en­fren­ta­do com mui­ta cla­re­za e de­ter­mi­na­ção de to­da a so­ci­e­da­de, pois cau­sa da­nos às fa­mí­li­as que aca­bam per­den­do seus en­tes que­ri­dos”. fran­cis­co Ga­ron­ce, co­or­de­na­dor de edu­ca­ção do de­par­ta­men­to Na­ci­o­nal de Trân­si­to (de­na­tran), con­si­de­ra sig­ni­fi­ca­ti­vo o re­sul­ta­do obtido no com­ba­te à violência no trân­si­to, mas vê co­mo “uma me­ta am­bi­ci­o­sa” a ten­ta­ti­va de re­du­zir à me­ta­de os ca­sos de aci­den­te com mor­te nes­ses pró­xi­mos três anos. Se­gun­do ele, uma das me­di­das em cur­so é a re­es­tru­tu­ra­ção do pro­ces­so de for­ma­ção dos con­du­to­res pe­lo Con­se­lho Na­ci­o­nal de Trân­si­to (Con­tran), em que de­ve­rão ser ado­ta­das re­gras mais cla­ras em tor­no das pro­vas teó­ri­cas e prá­ti­cas pa­ra a ex­pe­di­ção da Car­tei­ra Na­ci­o­nal de ha­bi­li­ta­ção (CNH).

”Com mais cla­re­za em tor­no de to­das as ha­bi­li­da­des que o con­du­tor de­ve ter, di­mi­nui aque­le ner­vo­sis­mo por ima­gi­nar se o exa­mi­na­dor é bon­zi­nho ou ruim”, dis­se Ga­ron­ce.

Pre­pa­ra­ção Pe­da­gó­gi­ca

o co­or­de­na­dor in­for­mou tam­bém que um es­tu­do do ob­ser­va­tó­rio Na­ci­o­nal de Se­gu­ran­ça Viá­ria, apro­va­do pe­lo Con­tran, foi en­tre­gue es­ta se­ma­na ao Mi­nis­té­rio de edu­ca­ção (MEC). Tra­ta-se de uma pro­pos­ta pa­ra ado­ção de um mé­to­do pe­da­gó­gi­co no en­si­no fun­da­men­tal vi­san­do à for­ma­ção dos alu­nos das no­ve sé­ri­es em edu­ca­ção do trân­si­to.

re­sul­ta­do de qua­tro anos de tra­ba­lho, es­se es­tu­do es­ta­be­le­ce es­tra­té­gi­as pa­ra to­dos os ní­veis do en­si­no fun­da­men­tal, ex­pli­cou o ge­ren­te téc­ni­co des­sa or­ga­ni­za­ção não over­na­men­tal (ONG), re­na­to Cam­pes­tri­ni.

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Fo­lha

Le­gis­la­ção não tem si­do su­fi­ci­en­te pa­ra ti­rar o Bra­sil de uma po­si­ção ne­ga­ti­va

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