Au­men­to no sa­lá­rio mí­ni­mo em 2018

Brasil em Folhas - - Primeira Página -

Aque­da da in­fla­ção tem aju­da­do a me­lho­rar o po­der de com­pra da po­pu­la­ção, mas vai fa­zer com que o re­a­jus­te do sa­lá­rio mí­ni­mo se­ja pe­que­no no ano que vem. Pe­las con­tas do eco­no­mis­ta Bráu­lio Bor­ges, da lca Con­sul­to­res, o governo pre­ci­sa­rá fa­zer uma no­va cor­re­ção na pre­vi­são do mí­ni­mo de 2018, da atu­al al­ta de 3,4% — pre­vis­ta no Pro­je­to de lei or­ça­men­tá­ria (Ploa), en­vi­a­do ao Con­gres­so Na­ci­o­nal em agos­to — para 2,4%. Com a re­vi­são, o mí­ni­mo deverá ser fi­xa­do em R$ 959, um au­men­to de R$ 22 so­bre o pi­so atu­al de R$ 937. Se­rá a me­nor cor­re­ção em va­lo­res des­de 2004 e fi­ca­rá abai­xo da de R$ 42 pre­vis­ta na lei de Di­re­tri­zes or­ça­men­tá­ri­as (ldo), que con­si­de­ra­va al­ta de 4,5%. a fór­mu­la de re­a­jus­te do sa­lá­rio mí­ni­mo — cri­a­da em 2011 e que vi­go­ra até 2019 — con­si­de­ra a so­ma das va­ri­a­ções Ín­di­ce Na­ci­o­nal de Pre­ços ao Con­su­mi­dor (INPC) do ano an­te­ri­or mais a do Pro­du­to In­ter­no Bru­to (PIB) de dois anos an­tes. Co­mo não hou­ve cres­ci­men­to do PIB em 2016, o re­a­jus­te do mí­ni­mo de 2018 le­va­rá em con­ta apenas a ta­xa do INPC deste ano. Es­se in­di­ca­dor de in­fla­ção se­rá mais bai­xo do que o Ín­di­ce de Pre­ços ao Con­su­mi­dor am­plo (IPCA), por­que tem pe­so mai­or nos itens de ali­men­ta­ção, que pu­xa­ram a de­fla­ção entre ju­nho e agos­to. Na opi­nião de Bor­ges, o au­men­to me­nor do pi­so sa­la­ri­al tem um la­do po­si­ti­vo para as con­tas pú­bli­cas: aju­da­rá a re­du­zir as des­pe­sas com be­ne­fí­ci­os pre­vi­den­ciá­ri­os em R$ 6 bi­lhões. “No Ploa de 2018, o governo re­du­ziu a pro­je­ção para o mí­ni­mo de R$ 979 para R$ 969 e is­so ge­rou um alí­vio de R$ 3 bi­lhões nas des­pe­sas. Con­si­de­ran­do a pro­je­ção mais re­cen­te da lca para o INPC e o atu­al pi­so sa­la­ri­al, a pró­xi­ma re­vi­são deverá le­var o mí­ni­mo em 2018 para R$ 959, eco­no­mi­zan­do outros R$ 3 bi­lhões”, ex­pli­cou. No en­tan­to, para o eco­no­mis­ta e es­pe­ci­a­lis­ta em con­tas pú­bli­cas Raul Vel­lo­so, a cor­re­ção do sa­lá­rio mí­ni­mo apenas pela in­fla­ção não de­ve aju­dar na ex­pan­são do Pro­du­to In­ter­no Bru­to (PIB), pois não es­ti­mu­la­rá o con­su­mo. “Es­se re­a­jus­te não vai con­tri­buir so­bre a ati­vi­da­de econô­mi­ca por­que não ha­ve­rá au­men­to re­al”, afir­mou. Por ou­tro la­do, co­mo ain­da ha­ve­rá ajus­te pela in­fla­ção, as des­pe­sas do governo con­ti­nu­a­rão cres­cen­do en­quan­to a ar­re­ca­da­ção cres­ce­rá em rit­mo me­nor, o que vai fa­zer com que o governo gas­te menos. “En­quan­to não há re­a­jus­te em ter­mos re­ais, não há cres­ci­men­to so­bre a de­man­da para aju­dar na economia”, re­su­miu.

alí­vio - ou­tro pon­to ne­ga­ti­vo é que a economia com o pi­so sa­la­ri­al me­nor não se­rá su­fi­ci­en­te para ali­vi­ar o pro­ble­ma fis­cal. o au­men­to apenas pela in­fla­ção, mes­mo que bai­xa, im­pli­ca­rá ele­va­ção de R$ 6,6 bi­lhões nas des­pe­sas da Pre­vi­dên­cia, mais do que a economia com a cor­re­ção do INPC. “Qual­quer re­a­jus­te do mí­ni­mo nes­ta cir­cuns­tân­cia de cri­se fis­cal vai au­men­tar a des­pe­sa. a regra atu­al pre­ju­di­ca as con­tas pú­bli­cas e acre­di­to que o pró­xi­mo governo pre­ci­sa­rá pro­por uma no­va lei de cor­re­ção do sa­lá­rio mí­ni­mo, mu­dan­do para a va­ri­a­ção do PIB per ca­pi­ta de dois anos atrás”, ava­li­ou o eco­no­mis­ta e ex-di­re­tor do Ban­co Cen­tral, Car­los Edu­ar­do de freitas.

Fam

Edi­leu­sa diz que o au­men­to me­nor a man­te­rá com­pran­do apenas o bá­si­co

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