Ban­co Cen­tral sur­pre­en­de e man­tém taxa de juros

Brasil em Folhas - - Primeira Página -

oBan­co Cen­tral (BC) de­ci­diu, nes­ta quar­ta-fei­ra, man­ter os juros bá­si­cos da eco­no­mia bra­si­lei­ra em 6,5% ao ano, sur­pre­en­den­do o mer­ca­do fi­nan­cei­ro, que es­pe­ra­va um cor­te de 0,25% da taxa Se­lic. o ce­ná­rio ex­ter­no mais de­sa­fi­a­dor e o au­men­to dos ris­cos fo­ram al­gu­mas das jus­ti­fi­ca­ti­vas pa­ra a mu­dan­ça de pla­nos. Com o anún­cio, o Co­mi­tê de po­lí­ti­ca Mo­ne­tá­ria (Co­pom) pôs fim a um ci­clo de 12 cor­tes con­se­cu­ti­vos da taxa bá­si­ca de juros, que se ini­ci­ou em ou­tu­bro de 2016. a Se­lic se man­tém no va­lor mais bai­xo des­de sua cri­a­ção, há 22 anos.

“o ce­ná­rio ex­ter­no tor­nou-se mais de­sa­fi­a­dor e apre­sen­tou vo­la­ti­li­da­de. a evo­lu­ção dos ris­cos, em gran­de par­te as­so­ci­a­dos à nor­ma­li­za­ção das taxas de juros em al­gu­mas eco­no­mi­as avan­ça­das, pro­du­ziu ajus­tes nos mer­ca­dos fi­nan­cei­ros in­ter­na­ci­o­nais”, dis­se o BC em co­mu­ni­ca­do, em meio a es­ca­la­da de va­lo­ri­za­ção do dólar nas úl­ti­mas se­ma­nas, em de­cor­rên­cia do pro­ces­so de al­ta de juros nos es­ta­dos uni­dos. Sal­vo uma ines­pe­ra­da mu­dan­ça de ru­mo, a taxa de re­fe­rên­cia ame­ri­ca­na che­ga­rá em ju­nho a 2% pe­la pri­mei­ra vez des­de me­a­dos de 2008. o Co­pom res­sal­tou ain­da que hou­ve re­du­ção do ape­ti­te ao ris­co em re­la­ção a eco­no­mi­as emer­gen­tes.

Na reu­nião de mar­ço, o BC di­zia que o ce­ná­rio ex­ter­no se mos­tra­va fa­vo­rá­vel, já que a ati­vi­da­de econô­mi­ca cres­ce glo­bal­men­te e ti­nha si­na­li­za­do um cor­te “mo­de­ra­do” nos juros em maio, ca­so o ce­ná­rio evo­luís­se co­mo es­pe­ra­do ago­ra, o co­mi­tê afir­mou que vê co­mo ade­qua­da a ma­nu­ten­ção da Se­lic pa­ra as pró­xi­mas reu­niões. os pas­sos da po­lí­ti­ca mo­ne­tá­ria bra­si­lei­ra, se­gun­do o co­mu­ni­ca­do, con­ti­nu­a­rão “de­pen­den­do da evo­lu­ção da ati­vi­da­de econô­mi­ca, do ba­lan­ço de ris­cos e das pro­je­ções e ex­pec­ta­ti­vas de in­fla­ção”.

de ou­tu­bro de 2012 a abril de 2013, a taxa foi man­ti­da em 7,25% ao ano e pas­sou a ser re­a­jus­ta­da gra­du­al­men­te até al­can­çar 14,25% ao ano em ju­lho de 2015. em ou­tu­bro de 2016, o Co­pom vol­tou a re­du­zir os juros bá­si­cos da eco­no­mia até que a taxa che­gas­se a 6,5% ao ano em mar­ço, o ní­vel mais bai­xo até en­tão.

o dólar, des­de o en­con­tro do Co­pom de mar­ço até ago­ra, já acu­mu­lou va­lo­ri­za­ção de mais de 12%, mo­vi­men­to que ten­de a ge­rar pres­são in­fla­ci­o­ná­ria à fren­te. Com juros cons­tan­tes a 6,5% ao ano e taxa de câm­bio cons­tan­te a 3,60 re­ais, as pro­je­ções do BC apon­ta­ram al­ta do ipca em tor­no de 4% pa­ra 2018 e 2019.

Crescimento me­nor em 2018

Nes­ta quar­ta-fei­ra, as notícias não fo­ram as me­lho­res pa­ra eco­no­mia bra­si­lei­ra. Mais ce­do, o BC di­vul­gou que o Ín­di­ce de ati­vi­da­de econô­mi­ca do Ban­co Cen­tral (IBC-BR), es­pé­cie de pré­via do pro­du­to in­ter­no Bru­to (pib), en­co­lheu 0,74% em mar­ço, fa­zen­do com que a eco­no­mia fe­che o pri­mei­ro tri­mes­tre do ano com re­tra­ção de 0,13% em re­la­ção aos três úl­ti­mos me­ses do ano pas­sa­do. o Co­pom, en­tre­tan­to, re­la­ti­vi­zou os da­dos di­vul­ga­dos. “os úl­ti­mos in­di­ca­do­res de ati­vi­da­de econô­mi­ca mos­tram ar­re­fe­ci­men­to, num con­tex­to de re­cu­pe­ra­ção con­sis­ten­te, mas gra­du­al, da eco­no­mia bra­si­lei­ra”.

Na pes­qui­sa Fo­cus mais re­cen­te, fei­ta pe­lo BC jun­to a uma cen­te­na de eco­no­mis­tas to­das as se­ma­nas, o crescimento do pro­du­to in­ter­no Bru­to (pib) es­ti­ma­do pa­ra es­se anos é de 2,51%, sen­do que no co­me­ço do ano as es­ti­ma­ti­vas es­ta­vam em tor­no 3%.

Reprodução - eco­no­mi­a­e­ca­pi­ta­lis­mo/blogs­pot/com/br

lan Gold­fajn, o pre­si­den­te do Ban­co Cen­tral do Bra­sil.

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