Me­lho­ra o ho­ri­zon­te

Correio da Bahia - - Economia -

Uma in­fla­ção mais bai­xa e ju­ros que po­dem cair em bre­ve. A ati­vi­da­de econô­mi­ca se es­ta­bi­li­zan­do. A con­fi­an­ça dos con­su­mi­do­res em no­va al­ta. Es­sas fo­ram as bo­as no­tí­ci­as de on­tem. O país co­me­ça a sair do ci­clo re­ces­si­vo que fez o PIB fi­car es­tag­na­do um ano e cair dois anos con­se­cu­ti­vos. Ain­da não é o fim do ci­clo, mas o Re­la­tó­rio de In­fla­ção mos­tra que ca­mi­nha-se pa­ra mu­dar de fa­se.

O Ban­co Cen­tral di­vul­gou que as ex­pec­ta­ti­vas de in­fla­ção, no seu ce­ná­rio, es­tão abai­xo do cen­tro da me­ta em 2017 e 2018. Is­so sig­ni­fi­ca que au­men­ta­ram as chan­ces de cor­tes nas ta­xas de ju­ros. Já a Fun­da­ção Ge­tú­lio Var­gas di­vul­gou que a con­fi­an­ça dos con­su­mi­do­res su­biu no­va­men­te em se­tem­bro, no quin­to au­men­to se­gui­do, e me­lho­rou tam­bém a con­fi­an­ça do se­tor de cons­tru­ção ci­vil.

O Re­la­tó­rio de In­fla­ção veio com mais no­vi­da­des que per­mi­ti­ram ava­li­ar me­lhor co­mo o Ban­co Cen­tral es­tá ana­li­san­do a con­jun­tu­ra econô­mi­ca. No ce­ná­rio de re­fe­rên­cia, em que tu­do per­ma­ne­ce co­mo es­tá, prin­ci­pal­men­te a ta­xa de ju­ros, nos 14,25%, a in­fla­ção fi­ca em 4,4% no ano que vem e 3,8% no ano de 2018. Em um dos ce­ná­ri­os no­vos que ele di­vul­gou, con­si­de­ran­do a hi­pó­te­se de os ju­ros caí­rem 3,25%, in­do pa­ra 11%, a in­fla­ção ter­mi­na­ria o ano que vem em 4,8% e ao fim de 2018 es­ta­ria em 4,5%. Com is­so, e ou­tras in­for­ma­ções e hi­pó­te­ses do re­la­tó­rio, se che­ga à con­clu­são de que o Ban­co Cen­tral es­tá se pre­pa­ran­do pa­ra bai­xar a ta­xa de ju­ros, ape­sar de a in­fla­ção dos úl­ti­mos 12 me­ses es­tar ain­da em 8,7% e de a pre­vi­são pa­ra es­te ano, fei­ta pe­lo BC, ter su­bi­do de 6,9% pa­ra 7,3%.

O Bra­des­co di­vul­gou aná­li­se, lo­go de­pois, di­zen­do que es­pe­ra qu­e­da de 0,5% na Se­lic, em ou­tu­bro, e ou­tro cor­te de 0,5%, em no­vem­bro, ter­mi­nan­do o ano com 13,25%. Ou­tras ins­ti­tui­ções fi­nan­cei­ras sol­ta­ram re­la­tó­ri­os apos­tan­do em que­das das ta­xas de ju­ros no fu­tu­ro pró­xi­mo. O de­par­ta­men­to econô­mi­co do Itaú dis­se­ra na vés­pe­ra que a eco­no­mia bra­si­lei­ra po­de cres­cer até 4% em 2018 se con­se­guir apro­var as re­for­mas. Mas nem to­dos es­tão as­sim oti­mis­tas. A me­di­a­na das pre­vi­sões es­tá em tor­no de 2,5% pa­ra 2018. Mas al­gu­mas ins­ti­tui­ções e con­sul­to­ri­as acre­di­tam em uma re­cu­pe­ra­ção mais rá­pi­da.

A quin­ta al­ta se­gui­da da con­fi­an­ça do con­su­mi­dor le­vou o ín­di­ce ao mai­or pa­ta­mar des­de ja­nei­ro de 2015. Olhan­do a pes­qui­sa com mais aten­ção, no en­tan­to, per­ce­be-se que as fa­mí­li­as es­tão so­fren­do com o mo­men­to atu­al, ao mes­mo tem­po em que acre­di­tam em me­lho­ra no fu­tu­ro. En­quan­to o ín­di­ce de si­tu­a­ção atu­al caiu

1,3 pon­to, o ín­di­ce de ex­pec­ta­ti­vas su­biu 3,2 pon­tos. O bra­si­lei­ro ain­da sen­te os efei­tos da re­ces­são, com in­fla­ção e de­sem­pre­go ele­va­dos, mas vol­tou a acre­di­tar que pos­sí­vel dei­xar a cri­se pa­ra trás.

O se­tor de cons­tru­ção ci­vil foi du­ra­men­te afe­ta­do pe­la cri­se econô­mi­ca, mas tam­bém co­me­ça a dar si­nais de que vol­ta a res­pi­rar. A con­fi­an­ça su­biu pe­lo ter­cei­ro mês se­gui­do, em se­tem­bro, e re­tor­nou ao pa­ta­mar de ju­nho do ano pas­sa­do. A ex­pec­ta­ti­va de qu­e­da dos ju­ros vai aju­dar a ala­van­car pro­je­tos de lon­go pra­zo e o anún­cio do Pro­gra­ma de Par­ce­ria de In­ves­ti­men­tos foi bem re­ce­bi­do pe­los em­pre­sá­ri­os. As no­tí­ci­as são bo­as, mas não se po­de per­der de pers­pec­ti­va quan­to cus­ta errar na eco­no­mia. O des­con­tro­le fis­cal e o des­cui­do com a in­fla­ção le­va­ram a ta­xa a fi­car em dois dí­gi­tos e o país te­ve que vi­ver, por um lon­go tem­po, uma so­ma de amar­gu­ras: uma eco­no­mia em con­tra­ção de mais de 3% ao ano, com uma ta­xa bá­si­ca de ju­ros es­tra­tos­fé­ri­ca, de 14,25%, e uma in­fla­ção ele­va­da. No Bra­sil, pe­la sua his­tó­ria in­fla­ci­o­ná­ria, por ha­ver ain­da mui­ta in­de­xa­ção, e por ter par­te do seu mer­ca­do de cré­di­to di­re­ci­o­na­do, a in­fla­ção é mui­to me­nos sen­sí­vel aos ju­ros. Na mai­o­ria dos paí­ses, uma ta­xa de ju­ros al­ta co­mo es­ta e uma eco­no­mia em re­tra­ção re­du­zi­ri­am a in­fla­ção mais ra­pi­da­men­te. Por is­so é tão pe­ri­go­so ser le­ni­en­te com a in­fla­ção no Bra­sil.

O Ban­co Cen­tral fez uma ava­li­a­ção po­si­ti­va tam­bém do ce­ná­rio in­ter­na­ci­o­nal. Hou­ve uma re­du­ção da aver­são ao ris­co e não hou­ve o que se te­mia com o ple­bis­ci­to a fa­vor do Bre­xit. A in­cer­te­za mai­or con­ti­nua sen­do in­ter­na. Não se sa­be qual se­rá o rit­mo de apro­va­ção das re­for­mas, e em quan­tos anos o país con­se­gui­rá con­quis­tar o re­e­qui­lí­brio das de­sor­ga­ni­za­das con­tas do go­ver­no.

mi­ri­am­lei­tao@oglo­bo.com.br

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