A tra­di­ção

Correio da Bahia - - Mais - Lau­ra Fer­nan­des lau­ra.fer­nan­des@re­de­bahia.com.br Con­cha Acús­ti­ca do Te­a­tro Cas­tro Al­ves (Cam­po Gran­de | 3535-0600). Ho­je, às 19h. In­gres­so: R$ 60 | R$ 30 (pis­ta) e R$ 160 R$ 80 (ca­ma­ro­te). Ven­das: bi­lhe­te­ria do TCA, SAC dos Shop­pings Bar­ra e Be­la Vis­ta

Além do mer­gu­lho no mar e da cer­ve­ja bem ge­la­da na me­sa, a ban­da per­nam­bu­ca­na Na­ção Zum­bi con­ta que não po­dia vir a Sal­va­dor sem re­a­li­zar uma coi­sa im­por­tan­te: to­car na Con­cha Acús­ti­ca do Te­a­tro Cas­tro Al­ves. Por is­so, de­pois da es­treia na­ci­o­nal da tur­nê comemorativa dos 20 anos do ál­bum Afro­ci­ber­de­lia no Pe­lou­ri­nho, em mar­ço, o gru­po es­tá de vol­ta.

Des­sa vez, pa­ra ma­tar a von­ta­de com um show na Con­cha, ho­je, às 19h. “Mi­nha ir­mã, tô fe­liz de­mais, por­que nem lem­bro a úl­ti­ma vez que a gen­te to­cou na Con­cha e era uma pas­sa­gem es­sen­ci­al pra gen­te, que era ha­bi­tué (ri­sos). A Con­cha sem­pre foi uma tra­di­ção não só pra gen­te, mas pra mú­si­ca bra­si­lei­ra e mun­di­al”, co­me­mo­ra o gui­tar­ris­ta Lú­cio Maia, 45 anos. “Sa­be quan­do vo­cê che­ga no ban­co, pe­ga a se­nha 1702 e fi­ca na fi­la de es­pe­ra? A sen­sa­ção foi es­sa!”, com­ple­ta rin­do.

Além de ce­le­brar o clás­si­co da Na­ção Zum­bi, a apre­sen­ta­ção mar­ca os 50 anos de nas­ci­men­to do can­tor Chi­co Sci­en­ce (1966-1997), que dá voz ao Afro­ci­ber­de­lia e é o cri­a­dor do gru­po ho­je li­de­ra­do por Jor­ge Du Pei­xe. O re­per­tó­rio da apre­sen­ta­ção na Con­cha é com­pos­to pe­las mú­si­cas do dis­co e quem faz a aber­tu­ra da noi­te é o rap­per Mr. Ar­meng.

MIL ANOS EM DOIS

Ao con­trá­rio das cer­ca de 800 pes­so­as que com­pa­re­ce­ram no Pelô, a Con­cha tem es­pa­ço pa­ra 5 mil es­pec­ta­do­res que vão as­sis­tir ao show his­tó­ri­co que reú­ne su­ces­sos co­mo Ma­ra­ca­tu Atô­mi­co, Macô e Man­gue­town, três das 23 mú­si­cas que com­põem o Afro­ci­ber­de­lia, que se­rá to­ca­do na or­dem de gra­va­ção.

“Em 1995, es­ta­va acon­te­cen­do a im­plan­ta­ção do CD. Fo­mos os pi­o­nei­ros em in­ves­tir em mui­tas mú­si­cas, por­que o CD não ti­nha li­mi­te. A gen­te con­se­guiu um dis­co de ou­ro do Afro­ci­ber­de­lia, fi­ze­mos tur­nê eu­ro­peia e ame­ri­ca­na e es­ta­va tu­do ma­ra­vi­lho­so, até que veio o aci­den­te do Chi­co. Pa­re­ce que a gen­te vi­veu mil anos em dois. Foi um dis­co mui­to mar­can­te”, re­su­me Lú­cio, ao ci­tar a mor­te pre­co­ce de Chi­co num aci­den­te de car­ro.

Além da lem­bran­ça tris­te, o gui­tar­ris­ta ci­ta ou­tro mo­ti­vo pa­ra a apre­sen­ta­ção de­di­ca­da ao ál­bum de 1996. “A gen­te fez o show co­me­mo­ra­ti­vo do Da La­ma ao Ca­os (1994) e es­se dis­co fi­ca­ria mui­to pu­to se não ti­ves­se um tam­bém”, jus­ti­fi­ca, aos ri­sos, ci­tan­do o dis­co de es­treia da Na­ção Zum­bi.

An­tes mes­mo que pu­des­se ser qu­es­ti­o­na­do so­bre um pos­sí­vel ál­bum iné­di­to, Lú­cio Maia re­for­çou que a ban­da en­xer­ga as coi­sas de uma ma­nei­ra to­tal­men­te des­pren­di­da do apa­ra­to do show­bizz e que a ideia é ser fe­liz, fa­zen­do as coi­sas no seu tem­po.

“A úni­ca for­ma de se man­ter den­tro des­se mer­ca­do é vo­cê sen­do es­pon­tâ­neo e 100% ver­da­dei­ro. A gen­te faz do jei­to da gen­te, no ti­ming da gen­te. Na ho­ra que sair, vai sair. Pro­me­to que vai ser bom”, ga­ran­te.

Mor­to em 1997, Chi­co Sci­en­ce fa­ria 50 anos em 2016. Lí­der da Na­ção Zum­bi, ele foi um dos cri­a­do­res do

mo­vi­men­to man­gue­be­at

Newspapers in Portuguese

Newspapers from Brazil

© PressReader. All rights reserved.