Exer­cí­cio de ci­da­da­nia

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O vo­to é a for­ma mais de­mo­crá­ti­ca pa­ra ele­ger nos­sos re­pre­sen­tan­tes nos po­de­res le­gis­la­ti­vo (se­na­do­res, de­pu­ta­dos e ve­re­a­do­res) e exe­cu­ti­vo (pre­si­den­te, go­ver­na­do­res e pre­fei­tos). O di­rei­to ao vo­to a to­dos os ci­da­dãos es­tá ga­ran­ti­do pe­la Cons­ti­tui­ção de 1988. Na his­tó­ria bra­si­lei­ra, no en­tan­to, nem sem­pre foi as­sim.

Na épo­ca da Colô­nia e do Im­pé­rio, ha­via res­tri­ção de vo­to pa­ra pes­so­as que não ti­ves­sem um pa­drão “acei­tá­vel” de ren­da. Com o ad­ven­to da re­pú­bli­ca, em 1889, o su­frá­gio pas­sou a ser re­a­li­za­do por um uni­ver­so mai­or de pes­so­as, ex­ce­tu­an­do os anal­fa­be­tos – que for­ma­vam gran­de par­te da po­pu­la­ção da épo­ca – e pas­mem: as mu­lhe­res. Elas fi­ca­ram ali­ja­das de vo­tar até me­a­dos dos anos 1930, quan­do hou­ve uma re­for­ma no Có­di­go Elei­to­ral, já sob o go­ver­no de Ge­tu­lio Vargas.

Ape­sar de um iní­cio de­mo­crá­ti­co, Vargas ins­ti­tuiu, em 1937, o Es­ta­do No­vo – um re­gi­me au­to­ri­tá­rio que res­trin­giu a par­ti­ci­pa­ção po­lí­ti­ca dos ci­da­dãos, pe­río­do que du­rou até o fim da Se­gun­da Guer­ra Mun­di­al, em 1945.

Com o fim da di­ta­du­ra, vol­ta­ram as es­co­lhas di­re­tas, nas quais fo­ram elei­tos os pre­si­den­tes Eu­ri­co Gaspar Du­tra, o pró­prio Vargas, Jus­ce­li­no Ku­bist­chek e Jâ­nio Qua­dros. Em 1964, mais uma vez um re­gi­me de ex­ce­ção foi ins­ta­la­do, com fe­cha­men­to de par­ti­dos po­lí­ti­cos. As elei­ções di­re­tas pa­ra pre­si­den­te e de­mais car­gos exe­cu­ti­vos fo­ram proi­bi­das.

Nes­sa épo­ca, sur­giu o bi­par­ti­da­ris­mo pa­ra as elei­ções de mem­bros do le­gis­la­ti­vo. Du­ran­te o pe­río­do, mui­tos po­lí­ti­cos fo­ram cas­sa­dos e ti­ve­ram de asi­lar-se em ou­tros paí­ses. Com a aber­tu­ra po­lí­ti­ca, em 1979, os par­ti­dos vol­ta­ram a se or­ga­ni­zar e, após a pro­mul­ga­ção da Cons­ti­tui­ção de 1988, os bra­si­lei­ros pu­de­ram es­co­lher no­va­men­te o pre­si­den­te. O pri­mei­ro a ser elei­to foi Fer­nan­do Col­lor de Mel­lo, em 1990.

O vo­to re­pre­sen­ta, por­tan­to, um ato de ci­da­da­nia. Te­mos de es­co­lher com cri­té­rio as pes­so­as que vão ela­bo­rar e exe­cu­tar leis que in­ter­fe­rem di­re­ta­men­te em nos­so co­ti­di­a­no. Nes­se do­min­go, mais uma opor­tu­ni­da­de que a de­mo­cra­cia nos dá: o po­der de es­co­lha nas mãos do po­vo.

Por is­so, é im­por­tan­te co­nhe­cer as pro­pos­tas e a his­tó­ria pre­gres­sa dos can­di­da­tos. E lem­brar que, além de pre­fei­to, o man­da­tá­rio da ci­da­de, te­mos de es­co­lher os no­vos mem­bros da Câ­ma­ra Mu­ni­ci­pal. Os ve­re­a­do­res são res­pon­sá­veis por ela­bo­rar leis mu­ni­ci­pais e fis­ca­li­zar sua exe­cu­ção – pe­ças, tam­bém, fun­da­men­tais pa­ra a nos­sa de­mo­cra­cia.

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