A ur­na pu­ne

Correio da Bahia - - Esporte -

Os can­di­da­tos vin­dos do es­por­te fo­ram mal nas ur­nas em Sal­va­dor no úl­ti­mo do­min­go. Ne­nhum con­se­guiu se ele­ger ve­re­a­dor. O ca­so mais em­ble­má­ti­co é o do ex-pre­si­den­te do Bahia, Mar­ce­lo Gui­ma­rães Fi­lho, afas­ta­do do car­go pe­la Jus­ti­ça, há três anos.

Em 2000, oi­to anos an­tes de as­su­mir o clu­be, Mar­ce­lo foi elei­to ve­re­a­dor da ca­pi­tal com 11.547 vo­tos. Dois anos de­pois, ga­nhou o plei­to pa­ra de­pu­ta­do fe­de­ral com 52.389 vo­tos, sen­do 17.640 des­ses aqui na ci­da­de. Em 2006, se re­e­le­geu de­pu­ta­do fe­de­ral com um re­cor­de pes­so­al, 92.253 vo­tos em to­do o es­ta­do, sen­do 13.320 em Sal­va­dor. Tu­do is­so an­tes de en­trar no fu­te­bol. De­pois que vi­rou car­to­la, Mar­ce­lo não con­se­guiu man­ter o mes­mo de­sem­pe­nho nas ur­nas. Em 2010, já co­mo pre­si­den­te do Bahia, ten­tou a se­gun­da re­e­lei­ção pa­ra de­pu­ta­do. Os 61.760 vo­tos (11.955 na ca­pi­tal) não fo­ram su­fi­ci­en­tes pa­ra man­ter o di­ri­gen­te em Brasília. Ele fi­cou na su­plên­cia.

Es­te ano, na bus­ca pe­lo se­gun­do man­da­to co­mo ve­re­a­dor, re­ce­beu 4.179 vo­tos. Com o pi­or de­sem­pe­nho de­le nas ur­nas da ci­da­de, Mar­ce­lo fi­cou lon­ge de uma va­ga na Câ­ma­ra mu­ni­ci­pal. Do­min­go pas­sa­do, Mar­ce­lo Fi­lho te­ve qua­se um ter­ço da vo­ta­ção pa­ra o mes­mo plei­to atin­gi­da há 16 anos, qu­an­do não ti­nha no cur­rí­cu­lo a pa­la­vra “car­to­la”.

TAL O PAI

Mar­ce­lo Gui­ma­rães, o pai, tam­bém so­freu nas ur­nas de­pois que dei­xou o Fa­zen­dão. An­tes de en­trar no Bahia, foi elei­to du­as ve­zes con­se­cu­ti­vas co­mo de­pu­ta­do es­ta­du­al. Em 2002, já pre­si­den­te, ga­ran­tiu o ter­cei­ro man­da­to se­gui­do. Mas em 2008, três anos após dei­xar o tri­co­lor, não con­se­guiu em­pla­car a quar­ta elei­ção pa­ra a As­sem­bleia Le­gis­la­ti­va do es­ta­do.

ANTIGAMENTE...

Em ou­tros tem­pos ser car­to­la de Bahia ou Vi­tó­ria era sinô­ni­mo de pres­tí­gio elei­to­ral. Osó­rio Vi­las Bo­as, man­da­tá­rio tri­co­lor nas dé­ca­das de 50 e 60, foi elei­to cin­co ve­zes pa­ra a Câ­ma­ra mu­ni­ci­pal. Ele pre­si­diu a Ca­sa de 1989 a 1990 e de 1991 a 1992. Em 1991, Osó­rio che­gou a as­su­mir in­te­ri­na­men­te a pre­fei­tu­ra de Sal­va­dor. Vil­las Bo­as tam­bém foi de­pu­ta­do es­ta­du­al, de 1967 a 1969, qu­an­do aca­bou cas­sa­do pe­lo Ato Ins­ti­tu­ci­o­nal nº 5 (AI-5). Pau­lo Ma­ra­ca­já, nos anos 80 e 90, tam­bém foi ve­re­a­dor (1976-1982) e de­pu­ta­do es­ta­du­al (1982-1994). Pau­lo Car­nei­ro, ex-man­da-chu­va do Vi­tó­ria, foi ve­re­a­dor (1992-1994) e de­pu­ta­do es­ta­du­al por dois man­da­tos con­se­cu­ti­vos (1995-1999 e 1999-2003).

DE FO­RA

Tam­bém não se ele­ge­ram ve­re­a­do­res de Sal­va­dor es­te ano o cam­peão bra­si­lei­ro de 1988 pe­lo Bahia, Zé Car­los (1.239 vo­tos), o ex-ata­can­te de Bahia e Vi­tó­ria, Mar­ce­lo Ra­mos (948 vo­tos), o bo­xe­a­dor Re­gi­nal­do Holly­fi­eld (1.917 vo­tos) e o trei­na­dor de bo­xe Luiz Dó­rea (3.111 vo­tos).

ÓR­FÃO

A ESPN Bra­sil de­mi­tiu se­ma­na pas­sa­da o jor­na­lis­ta Jo­sé Tra­ja­no. Fi­quei ór­fão. Cres­ci ou­vin­do Tra­ja­no. Des­de o an­ti­go Car­tão Ver­de, na TV Cul­tu­ra, on­de ele di­vi­dia a ban­ca­da com Ju­ca Kfou­ri, Ar­man­do Nogueira e Flávio Pra­do. Tra­ja­no foi uma pes­soa es­sen­ci­al na mi­nha for­ma­ção cí­vi­ca e fu­te­bo­lís­ti­ca.

Pe­la per­so­na­li­da­de for­te, opi­niões con­tun­den­tes e, so­bre­tu­do, por não ter me­do de se in­dis­por. Es­pe­ci­al­men­te por es­ta úl­ti­ma qua­li­da­de, Tra­ja­no é uma fi­gu­ra ra­ra num meio do­mi­na­do por ba­ju­la­do­res, cor­po­ra­ti­vis­tas, “oba-obis­tas” e afins. Mi­nha ad­mi­ra­ção por Tra­ja­no, que fi­que cla­ro, na­da tem a ver com su­as po­si­ções po­lí­ti­cas, às quais eu res­pei­to, mas sou qua­se to­tal­men­te con­trá­rio. Ad­mi­ro o pro­fis­si­o­nal. Sim, nes­ses tem­pos de có­le­ra po­lí­ti­ca ir­ra­ci­o­nal, é pos­sí­vel es­ti­mar e res­pei­tar a quem se dis­cor­da. Por que não? Gos­to de gen­te autô­no­ma, co­ra­jo­sa e sin­ce­ra. Es­se tor­ce­dor do “Ame­ri­qui­nha” cons­truiu uma car­rei­ra vi­go­ro­sa sen­do as­sim. Sou fã de Jo­sé Tra­ja­no, aque­le que o pu­bli­ci­tá­rio Washing­ton Oli­vet­to de­fi­niu “o me­lhor mau hu­mor da TV bra­si­lei­ra”. Que des­fal­que... Tra­ja­no já faz mui­ta fal­ta na mi­nha te­li­nha.

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