Te­to re­for­ça­do

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Em pri­mei­ro tes­te, ba­se ali­a­da se mos­trou fi­el: deu de 366 a 111

A Câ­ma­ra dos De­pu­ta­dos apro­vou na noi­te de on­tem, em pri­mei­ro tur­no, o tex­to-ba­se da Pro­pos­ta de Emen­da à Cons­ti­tui­ção (PEC) 241, que ins­ti­tui um te­to de gas­tos por 20 anos. Em ple­na se­gun­da-fei­ra, dia de quó­rum re­du­zi­do no Le­gis­la­ti­vo, o go­ver­no con­se­guiu le­var 366 de­pu­ta­dos fa­vo­rá­veis à Ca­sa, con­tra 111 vo­tos con­trá­ri­os da opo­si­ção. Hou­ve ain­da du­as abs­ten­ções. O pla­car é um de­mons­tra­ção de for­ça e uni­da­de da ban­ca­da do go­ver­no.

Após a aber­tu­ra do pai­nel, hou­ve co­me­mo­ra­ção en­tre os de­pu­ta­dos go­ver­nis­tas pre­sen­tes no Ple­ná­rio. "Ga­nha­mos, ga­nha­mos!", gri­ta­vam. A me­di­da ain­da te­rá de pas­sar mais uma vez pe­lo cri­vo dos de­pu­ta­dos, mas o go­ver­no já con­ta­bi­li­za no­va vi­tó­ria. O se­gun­do tur­no es­tá mar­ca­do pa­ra o pró­xi­mo dia 24.

De­pois de uma ma­ra­to­na de al­mo­ços, ca­fés e jan­ta­res, a es­tra­té­gia de ar­ti­cu­la­ção e con­ven­ci­men­to de in­de­ci­sos foi bem-su­ce­di­da. O corpo-a-corpo ren­deu 58 vo­tos a mais do que os 308 ne­ces­sá­ri­os pa­ra apro­var a pro­pos­ta, uma de­mons­tra­ção de co­e­são em tor­no do ajus­te fis­cal de­fen­di­do pe­lo pre­si­den­te Mi­chel Te­mer. Três mi­nis­tros do go­ver­no fo­ram exonerados e vol­ta­ram à Câ­ma­ra pa­ra vo­tar a fa­vor da me­di­da: Bru­no Araú­jo (Ci­da­des), Marx Bel­trão (Tu­ris­mo) e Fer­nan­do Co­e­lho Fi­lho (Mi­nas e Ener­gia).

A co­e­são é con­si­de­ra­da cru­ci­al pe­lo go­ver­no, que bus­cou pro­gra­mar a vo­ta­ção da PEC, pe­lo me­nos em pri­mei­ro tur­no pa­ra uma se­ma­na an­tes da pró­xi­ma reu­nião do Co­mi­tê de Po­lí­ti­ca Mo­ne­tá­ria (Co­pom), res­pon­sá­vel por in­di­car os ru­mos da ta­xa de ju­ros no País. Co­mo o Ban­co Cen­tral já in­di­cou que o qua­dro fis­cal é im­por­tan­te pa­ra a to­ma­da de decisão, o go­ver­no quis mos­trar aus­te­ri­da­de e abrir caminho pa­ra a pri­mei­ra re­du­ção de ju­ros des­de 2012.

LI­MI­TE

O tex­to-ba­se apro­va­do pre­vê que o cres­ci­men­to das des­pe­sas do go­ver­no es­ta­rá li­mi­ta­do à in­fla­ção acu­mu­la­da em 12 me­ses até ju­nho do ano an­te­ri­or por um pe­río­do de 20 anos. A ex­ce­ção é 2017, quando o li­mi­te vai su­bir 7,2%, al­ta de pre­ços pre­vis­ta pa­ra to­do o ano de 2016, co­mo já cons­ta no Or­ça­men­to. A par­tir do dé­ci­mo ano, a re­gra da PEC po­de­rá ser al­te­ra­da uma vez a ca­da man­da­to pre­si­den­ci­al.

Saú­de e edu­ca­ção, por sua vez, têm cri­té­ri­os es­pe­cí­fi­cos: des­pe­sas nes­sas áre­as man­te­rão os pi­sos cons­ti­tu­ci­o­nais, que to­ma­rão co­mo re­fe­rên­cia os mí­ni­mos pre­vis­tos pa­ra 2017 e se­rão atu­a­li­za­dos pe­la in­fla­ção. Com is­so, no ano que vem, o pi­so da saú­de se­rá de R$ 113,7 bi­lhões, e o da edu­ca­ção, de R$ 51,5 bi­lhões. O rol de pe­na­li­da­des em caso de des­cum­pri­men­to do li­mi­te tam­bém foi re­fe­ren­da­do pe­lo ple­ná­rio da Câ­ma­ra. As prin­ci­pais de­las é a proi­bi­ção de re­a­jus­te do sa­lá­rio mí­ni­mo além da in­fla­ção (em caso de es­tou­ro do te­to pe­lo Exe­cu­ti­vo) e o con­ge­la­men­to de sa­lá­ri­os do fun­ci­o­na­lis­mo pú­bli­co. RIT­MO ACE­LE­RA­DO

A vo­ta­ção da PEC es­ta­va pre­vis­ta ini­ci­al­men­te pa­ra a ma­dru­ga­da de ho­je, mas go­ver­nis­tas im­pu­se­ram des­de o início um rit­mo ace­le­ra­do. A ideia foi "a de pas­sar por ci­ma das ma­no­bras re­gi­men­tais que a opo­si­ção ten­tou em­pla­car sem su­ces­so. Com is­so, a vo­ta­ção do tex­to-ba­se da pro­pos­ta ocor­reu 23 mi­nu­tos an­tes da pre­vi­são mais oti­mis­ta pa­ra o início da vo­ta­ção, que era 22h. Após o tex­to-ba­se, res­tam seis des­ta­ques, su­ges­tões de mu­dan­ças no tex­to apre­ci­a­das em se­pa­ra­do

Nos úl­ti­mos di­as, o go­ver­no in­ten­si­fi­cou o corpo-a-corpo pa­ra con­ven­cer in­de­ci­sos a vo­tar a fa­vor da PEC. Des­de on­tem, Te­mer li­gou pa­ra de- pu­ta­dos que ain­da não ti­nham po­si­ção for­ma­da, além de ter ofe­re­ci­do um jan­tar no Pa­lá­cio do Al­vo­ra­da. Ho­je, es­ca­lou os mi­nis­tros dos Trans­por­tes, Mau­rí­cio Quin­te­la, e da Saú­de, Ri­car­do Bar­ros, pa­ra ga­ran­tir o apoio de su­as ban­ca­das, PR e PP res­pec­ti­va­men­te.

No ple­ná­rio, lí­de­res de par­ti­dos ali­nha­dos com o Pa­lá­cio do Pla­nal­to eco­no­mi­za­ram mi­nu­tos pre­ci­o­sos ao ado­ta­rem com­por­ta­men­to se­me­lhan­te ao im­ple­men­ta­do na co­mis­são es­pe­ci­al na úl­ti­ma se­ma­na: re­du­zir os dis­cur­sos e dei­xar a opo­si­ção fa­lan­do so­zi­nha na tri­bu­na. Pa­ra ga­nhar tem­po, o lí­der do PSDB, An­to­nio Im­bas­sahy (BA), ori­en­tou to­das as ban­ca­das ali­a­das em uma das vo­ta­ções de re­que­ri­men­tos, quando o cos­tu­mei­ro é ca­da lí­der di­re­ci­o­nar ape­nas seus li­de­ra­dos.

Pa­ra anu­lar o "kit obs­tru­ção" da opo­si­ção, os go­ver­nis­tas che­ga­ram a an­te­ci­par ma­no­bras que PT, PC­doB, PDT, Re­de e PSOL ti­nham pron­tas pa­ra usar na ses­são. O pró­prio lí­der do go­ver­no, An­dré Mou­ra (PSC-SE), apre­sen­tou um re­que­ri­men­to de re­ti­ra­da da pro­pos­ta da pau­ta pa­ra que a ba­se vo­tas­se con­tra. Em­bo­ra pa­re­ces­se um con­tras­sen­so, o ob­je­ti­vo era in­vi­a­bi­li­zar to­dos os pe­di­dos dos par­ti­dos de opo­si­ção nes­se sen­ti­do.

Com pou­co es­pa­ço pa­ra obs­truir a vo­ta­ção, a mi­no­ria dis­se que a pres­sa se de­ve à in­ten­ção do go­ver­no de não que­rer dis­cu­tir a PEC com a po­pu­la­ção. "A PEC já tem um de­fei­to con­gê­ni­to: ela não é pro­pos­ta por um go­ver­no elei­to e não foi de­ba­ti­do com a po­pu­la­ção. Es­sa PEC é uma im­po­si­ção por du­as dé­ca­das de um ar­ro­cho, ela tem de ser cha­ma­da de PEC do cor­te de in­ves­ti­men­tos", dis­se o de­pu­ta­do Chico Alen­car (PSOL-RJ).

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