Mor­te de tra­fi­can­te man­tém bair­ro sem ôni­bus pe­lo 5º dia

Correio da Bahia - - Mais - Aman­da Pal­ma, Bru­no Wen­del e Tailane Mu­niz mais@cor­rei­o24ho­ras.com.br

A comunidade do Va­le das Pe­dri­nhas che­ga ho­je ao quin­to dia se­gui­do com o ser­vi­ço de trans­por­te pre­ju­di­ca­do, por con­ta da in­se­gu­ran­ça ge­ra­da por ti­ro­tei­os que, na quin­ta-fei­ra pas­sa­da, dei­xa­ram qua­tro pes­so­as fe­ri­das, em du­as oca­siões en­vol­ven­do a Po­lí­cia Mi­li­tar e, des­de on­tem, por con­ta da mor­te do tra­fi­can­te Ra­fa­el Xa­vi­er de Je­sus, o Chou­ri­ço, tam­bém du­ran­te tro­ca de ti­ros com a po­lí­cia. A pre­vi­são era que os ôni­bus vol­tas­sem a en­trar no bair­ro in­do até o fi­nal de li­nha on­tem, mas após a mor­te de Chou­ri­ço, o Co­mi­tê In­te­gra­do de De­fe­sa do Trans­por­te Ro­do­viá­rio de­ci­diu por man­ter o pon­to fi­nal de pa­ra­da na Rua do Ca­nal, no Rio Ver­me­lho, a cer­ca de 2 km do fim de li­nha ori­gi­nal.

Se­gun­do a po­lí­cia, na noi­te de an­te­on­tem, po­li­ci­ais da 40ª Com­pa­nhia In­de­pen­den­te da Po­lí­cia Mi­li­tar (CIPM/Nor­des­te de Ama­ra­li­na) e ban­di­dos tro­ca­ram ti­ros na lo­ca­li­da­de co­nhe­ci­da co­mo Ca­si­nhas, on­de Chou­ri­ço era um dos lí­de­res do trá­fi­co de dro­gas. No con­fron­to, além do tra­fi­can­te mor­to, uma mu­lher foi atin­gi­da por uma ba­la per­di­da, mas não cor­re ris­co de mor­te.

De acor­do com o pre­si­den­te em exer­cí­cio do Sin­di­ca­to dos Ro­do­viá­ri­os, Fá­bio Pri­mo, o co­mi­tê ti­nha se reu­ni­do e de­ci­di­do que tu­do vol­ta­ria ao nor­mal on­tem pe­la ma­nhã. No en­tan­to, a mor­te do ban­di­do dei­xou a si­tu­a­ção in­se­gu­ra. Os ôni­bus dei­xa­ram de ir até o fim de li­nha na noi­te de quin­ta-fei­ra.

O pon­to fi­nal im­pro­vi­sa­do fi­cou va­zio na ma­nhã de on­tem. Uma mo­ra­do­ra do Va­le há 30 anos, que pre­fe­riu não ser iden­ti­fi­ca­da, con­ta que foi pe­ga de sur­pre­sa. “Não sa­bia que os ôni­bus não vol­ta­ri­am ao fi­nal de li­nha ho­je (on­tem), achei que a si­tu­a­ção se­ria nor­ma­li­za­da. Ia pa­ra mi­nha for­ma­ção re­li­gi­o­sa, mas de­pois de es­pe­rar 1h30 no pon­to, de­sis­ti de es­pe­rar. Não quis an­dar até a Rua do Ca­nal”, dis­se.

TE­MI­DO

Em no­ta, a Se­cre­ta­ria da Se­gu­ran­ça Pú­bli­ca (SSP) in­for­mou que Chou­ri­ço era apon­ta­do co­mo um dos che­fes do trá­fi­co na re­gião do Va­le das Pe­dri­nhas e foi en­con­tra­do com uma pis­to­la pon­to 40, car­re­ga­dor, mu­ni­ções, 18 pe­dras de crack e 87 pi­nos de co­caí­na.

Ele ti­nha pas­sa­gens por trá­fi­co de dro­gas e era in­te­gran­te da fac­ção cri­mi­no­sa Co­man­do da Paz. Chou­ri­ço tam­bém era apon­ta­do co­mo bra­ço di­rei­to do tra­fi­can­te Clau­de­mi­ro San­tos Ro­cha, o Ni­cão, apon­ta­do co­mo um dos lí­de­res do trá­fi­co de dro­gas em Ca­ma­ça­ri, na Re­gião Me­tro­po­li­ta­na de Sal­va­dor, pre­so em agos­to na Ave­ni­da Pa­ra­le­la (ver ao la­do).

A po­lí­cia tam­bém in­ves­ti­ga a par­ti­ci­pa­ção de Chou­ri­ço em ho­mi­cí­di­os na re­gião, um de­les re­gis­tra­do em ví­deo que che­gou a cir­cu­lar nas re­des so­ci­ais.

Ao COR­REIO, mo­ra­do­res afir­ma­ram que Chou­ri­ço era te­mi­do na comunidade. “Opri­mia mui­to a comunidade”, co­men­tou um morador, sem se iden­ti­fi­car. “Ele era mui­to te­mi­do. Há du­as se­ma­nas ba­le­ou um ra­paz nu­ma es­ca­da­ria da­qui. A ví­ti­ma es­tá en­tre a vi­da e a mor­te. Era do gru­po de­le, mas pa­re­ce que hou­ve trai­ção e, por is­so, ele ten­tou apa­gá-lo”, dis­se ou­tro morador.

Ele tam­bém cos­tu­ma­va de­sa­fi­ar a po­lí­cia, se­gun­do mo­ra­do­res. “Ele não te­mia. En­tra­va em con­fron­to com os PMs sem­pre. Di­zia que pre­fe­ria cair em com­ba­te do que ser

PM ma­ta um dos lí­de­res do trá­fi­co na re­gião e vol­ta de ôni­bus é adi­a­da

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