Car­ga pe­sa­da

Correio da Bahia - - Vida - Bru­no Qu­ei­roz bru­no.qu­ei­roz@re­de­bahia.com.br

Há quem di­ga que já viu de tu­do no fu­te­bol. Ul­ti­ma­men­te, no en­tan­to, a tor­ci­da do Bahia tem pro­ta­go­ni­za­do si­tu­a­ções um tan­to in­co­muns. Se a vaia po­de ser con­si­de­ra­da um com­po­nen­te na­tu­ral de uma par­ti­da em que o ti­me não vai bem ou pa­ra um jo­ga­dor em es­pe­cí­fi­co, na Fon­te No­va ela te­ve sen­ti­do con­tes­tá­vel.

Se­gun­do tem­po de jo­go, triun­fo tran­qui­lo so­bre o Tu­pi no do­min­go, com 3x0 no pla­car, e, ain­da as­sim, ou­vem-se apu­pos a ca­da to­que de Her­na­ne na bo­la. In­jus­ti­ça?

“Ao meu ver acho que sim. Eu te­nho uma par­ti­ci­pa­ção den­tro de cam­po. O pró­prio za­guei­ro es­ta­va fa­lan­do que eles têm que me mar­car bem for­te, pois sa­bem que den­tro da área, em du­as chan­ces, uma eu vou fa­zer. En­tão eu pro­cu­ro me des­lo­car bas­tan­te den­tro da área, pu­xar a mar­ca­ção, até pro Wes­ley, que fez gol, ter uma apro­xi­ma­ção do gol, o pró­prio Edi­gar e o Ca­já”, afir­mou o Bro­ca­dor em en­tre­vis­ta à Rá­dio CBN na zo­na mis­ta, lo­go após a go­le­a­da por 4x0.

Her­na­ne não mar­ca há qua­tro jo­gos. A úl­ti­ma vez foi na go­le­a­da por 4x2 so­bre o Goiás, dia 17 de se­tem­bro. Mes­mo as­sim, ele per­ma­ne­ce co­mo ar­ti­lhei­ro do ti­me na com­pe­ti­ção com no­ve gols e na tem­po­ra­da, com 19. A se­ca po­de até in­co­mo­dar o cen­tro­a­van­te, que é tam­bém o lí­der de as­sis­tên­ci­as do ti­me na tem­po­ra­da. Fo­ram seis, cin­co de­las na Sé­rie B.

“Eu tro­co meu gol pe­lo triun­fo e é is­so que vem acon­te­cen­do. Só pra pon­tu­ar, no gol de Ca­já eu to­quei a bo­la pro Ca­já, no gol de Ju­ni­nho eu so­fri a fal­ta e no gol do Ré­gis eu fiz o cor­ta-luz. En­tão eu sei da mi­nha im­por­tân­cia, Gu­to sa­be da mi­nha im­por­tân­cia, eu não te­nho que cair na pi­lha do tor­ce­dor, pois o tor­ce­dor só quer ver o gol do cen­tro­a­van­te. Eu en­ten­do e vou tra­ba­lhar sem­pre que­ren­do aju­dar mi­nha equi­pe e eu es­tou bem fo­ca­do. Meu ob­je­ti­vo é bo­tar o Bahia na pri­mei­ra divisão e é is­so que eu es­tou lu­tan­do pra acon­te­cer”.

As vai­as a Her­na­ne le­va­ram ou­tra par­te da tor­ci­da tri­co­lor na Fon­te No­va a uma re­a­ção igual­men­te inu­si­ta­da, de aplau­dir o jo­ga­dor a ca­da to­que na bo­la, co­mo re­vi­de a quem vai­a­va. O téc­ni­co Gu­to Fer­rei­ra tam­bém saiu em de­fe­sa do ata­can­te e re­cla­mou da cor­ne­ta­gem du­ran­te o jo­go. “Mais do que nun­ca, a tor­ci­da gri­tan­do pa­ra ti­rar Her­na­ne. Nós es­ta­mos ga­nhan­do por 4x0, vo­cê es­tá pre­o­cu­pa­do com Her­na­ne? Os gols es­tão sain­do. Ele não es­tá fa­zen­do, mas uma ho­ra vai fa­zer. Se­rá que ele me­re­ce to­da es­sa pres­são? Va­mos pa­rar um pou­co e ver até on­de es­ta­mos nos aju­dan­do. Vo­cê acha que ele não tem cons­ci­ên­cia, que não se cobra, que es­tá no dia a dia rou­ban­do? O ca­ra es­tá tra­ba­lhan­do pra ca­ram­ba”. VAIA REINCIDENTE

Ano pas­sa­do, tam­bém na Sé­rie B, ocor­re­ram vai­as inu­si­ta­das no jo­go en­tre Bahia e CRB, na Fon­te No­va. O tri­co­lor abriu 2x0 com dois gols de Ki­e­za e per­mi­tiu o em­pa­te do ti­me ala­go­a­no. Aos 48 mi­nu­tos do se­gun­do tem­po, Gus­ta­vo Blan­co mar­cou o ter­cei­ro gol, que deu o triun­fo ao tri­co­lor.

Foi aí que, em vez da co­me­mo­ra­ção en­lou­que­ci­da de um gol mar­ca­do no úl­ti­mo mi­nu­to da par­ti­da, sur­gi­ram vai­as da ar­qui­ban­ca­da. A tor­ci­da já vi­nha im­pa­ci­en­te des­de o em­pa­te do CRB e par­te de­la não al­te­rou o es­ta­do de es­pí­ri­to na­que­le mo­men­to, emen­dan­do as vai­as no lu­gar dos es­pe­ra­dos gri­tos de eu­fo­ria e aplau­sos.

O gol não só deu o triun­fo ao Bahia, co­mo tam­bém fez o ti­me re­tor­nar ao G4 no fi­nal da­que­la ro­da­da.

Vai­a­do até em go­le­a­da, ar­ti­lhei­ro Her­na­ne vi­ve mo­men­to ruim

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