Re­a­ja, Gu­to

Correio da Bahia - - Esporte -

Téc­ni­co não ga­nha nem per­de jo­go so­zi­nho. Mas aju­da. Ou atra­pa­lha. Nos úl­ti­mos dois jo­gos fo­ra de ca­sa, Gu­to Fer­rei­ra só atra­pa­lhou. Con­tra o CRB, bo­tou Fei­jão no lu­gar de Ca­já. Re­cu­ou quando da­va 2x0 e ti­nha um jo­ga­dor a mais. Pra quê? O cas­ti­go foi ver os ala­go­a­nos em­pa­ta­rem nos mi­nu­tos fi­nais. Ao fi­nal da par­ti­da, em en­tre­vis­ta, Gu­to re­co­nhe­ceu que fez bo­ba­gem. São os dois pon­tos per­di­dos mais la­men­ta­dos pe­lo tor­ce­dor do Bahia nes­ta Sé­rie B. Por ora, jus­ta­men­te os dois pon­tos que se­pa­ram o clu­be do G4.

Con­tra o Lon­dri­na, o Bahia to­mou um gol ir­re­gu­lar no início. Gu­to co­me­çou a me­xer a par­tir do in­ter­va­lo. Al­te­ra­ções até ho­je di­fí­ceis de en­ten­der. Pri­mei­ro ti­rou o mais re­gu­lar e efi­ci­en­te do meio de cam­po, Ju­ni­nho, pa­ra bo­tar Re­nê Jú­ni­or. Des­fal­cou a saí­da de bo­la e ain­da per­deu seu me­lhor fi­na­li­za­dor de lon­ga dis­tân­cia e na bo­la pa­ra­da. Gu­to in­sis­tiu com Ca­já até o fim, mes­mo o 10 jo­gan­do mal. Quando re­sol­veu mu­dar do meio pra fren­te, co­lo­cou Ré­gis co­mo pon­ta, on­de não ren­de tan­to co­mo por den­tro. O téc­ni­co ain­da man­te­ve um ino­fen­si­vo Her­na­ne e bo­tou Victor Ran­gel pa­ra jo­gar na pon­ta e não na área, on­de ti­nha mar­ca­do um dos gols so­bre o Cri­ciú­ma. Re­sul­ta­do? Mes­mo com qu­a­se 60% de pos­se de bo­la, o Bahia não exi­giu se­quer uma de­fe­sa do go­lei­ro Mar­ce­lo Ran­gel. O Lon­dri­na deu cam­po pa­ra ser agre­di­do. O ti­me de Gu­to te­ve a bo­la, mas não efi­ci­ên­cia pa­ra in­co­mo­dar.

Gu­to faz um tra­ba­lho ra­zoá­vel. Com ele o tri­co­lor se tor­nou um ti­me im­ba­tí­vel em ca­sa. São cin­co vi­tó­ri­as se­gui­das co­mo man­dan­te. O de­sem­pe­nho é em boa par­te mé­ri­to da for­ma de jo­gar que o trei­na­dor es­ta­be­le­ceu pa­ra o ti­me aqui em Sal­va­dor. Mar­ca­ção pres­são no ad­ver­sá­rio, mui­ta com­pac­ta­ção e agres­si­vi­da­de. O Bahia tem um pa­drão pa­ra atu­ar na Fon­te, on­de é te­mi­do e res­pei­ta­do.

A gran­de fa­lha no tra­ba­lho de Gu­to até aqui é jus­ta­men­te não ter con­se­gui­do de­fi­nir ne­nhum pa­drão nos jo­gos fo­ra. Lon­ge de ca­sa, o Bahia nem con­se­gue mar­car os ad­ver­sá­ri­os so­bre pres­são, nem jo­ga mais re­cu­a­do pa­ra ex­plo­rar o con­tra-ata­que. É um ti­me sem iden­ti­da­de e que não achou um ru­mo. Em no­ve jo­gos com Gu­to fo­ra, ape­nas uma vi­tó­ria, qua­tro der­ro­tas e qua­tro em­pa­tes. O je­jum de vi­tó­ri­as co­mo vi­si­tan­te já du­ra cin­co ro­da­das.

É o de­sem­pe­nho ri­dí­cu­lo fo­ra que im­pe­de o Bahia de Gu­to Fer­rei­ra de des­lan­char e se fir­mar no G4. Por is­so o tri­co­lor com ele não evo­luiu na ta­be­la. Quando Gu­to as­su­miu o ti­me, na 12ª ro­da­da, o Bahia era 7º, a três pon­tos da zo­na de aces­so. Ho­je é 6º, a dois pon­tos dos ti­mes que pas­sa­ri­am pa­ra a eli­te. Com Do­ri­va, o apro­vei­ta­men­to no cam­pe­o­na­to foi de 51,5%. Com Gu­to, é pra­ti­ca­men­te o mes­mo – 50,8%.

Fal­tam oi­to ro­da­das pa­ra aca­bar a Sé­rie B. O Bahia ain­da tem mais qua­tro jo­gos pra fa­zer em Sal­va­dor e ou­tros qua­tro fo­ra. Se ga­nhar to­dos em ca­sa che­ga a 58 pon­tos. Com es­ta pon­tu­a­ção, as chan­ces de aces­so são mí­ni­mas – ape­nas 14% se­gun­do os ma­te­má­ti­cos da UFMG. Se qui­ser su­bir, o tri­co­lor vai ter que vol­tar a ven­cer fo­ra. Na mu­dan­ça de pos­tu­ra do ti­me, na mo­di­fi­ca­ção das pe­ças ou do es­que­ma tá­ti­co, é pre­ci­so fa­zer al­go, Gu­to. Re­a­ja!

BAI­A­NO

Há tem­pos um téc­ni­co bai­a­no não se dá bem no Bahia nem no Vi­tó­ria. Os úl­ti­mos nas­ci­dos aqui que vin­ga­ram fo­ram Bobô (cam­peão bai­a­no e do Nor­des­te pe­lo Bahia, em 2002) e Pé­ri­cles Cha­mus­ca (cam­peão bai­a­no pe­lo Vi­tó­ria, em 1995). De­pois de­les, al­guns ti­ve­ram opor­tu­ni­da­de, mas não em­pla­ca­ram, co­mo Char­les, no Bahia, e Fer­rei­ra, que trei­nou o Vi­tó­ria em 2006 de­pois de ga­nhar o Bai­a­não com o Co­lo Co­lo. Mi­nha es­pe­ran­ça de ver um con­ter­râ­neo vol­tar a se dar bem num dos gran­des da­qui é Mar­ce­lo Cha­mus­ca, ir­mão de Pé­ri­cles. De­pois de du­as bo­as tem­po­ra­das pe­lo For­ta­le­za, em que dei­xou o aces­so es­ca­par no úl­ti­mo jo­go, Mar­ce­lo fi­nal­men­te con­se­guiu su­bir pra Sé­rie B, des­ta vez com o tra­di­ci­o­nal Gu­a­ra­ni. Mar­ce­lo, que é so­te­ro­po­li­ta­no, vem ga­nhan­do ex­pe­ri­ên­cia e cres­cen­do na car­rei­ra. Nes­se rit­mo, já, já fa­rá por me­re­cer uma chan­ce na ci­da­de on­de nas­ceu. Tor­ço por ele.

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