O Nor­des­te em pe­ri­go

Correio da Bahia - - Esporte - Her­bem Gra­ma­cho

O Bra­si­lei­rão 2016 es­tá pre­o­cu­pan­te pa­ra o fu­te­bol do Nor­des­te. Des­de que o cam­pe­o­na­to pas­sou a ser dis­pu­ta­do por pontos cor­ri­dos com 20 clu­bes, em 2006, a edi­ção atu­al mar­ca um dos pi­o­res de­sem­pe­nhos dos ti­mes da re­gião.

A 30ª ro­da­da da Série A co­me­çou on­tem com o Vi­tó­ria em 15º lu­gar, o Sport em 16º e o San­ta Cruz em 19º, tão afun­da­do na zo­na de re­bai­xa­men­to a pon­to de ter trans­fe­ri­do o jo­go como man­dan­te con­tra o Co­rinthi­ans pa­ra Cui­a­bá, pri­o­ri­zan­do a ren­da que te­rá com a tor­ci­da ad­ver­sá­ria em de­tri­men­to do ga­nho téc­ni­co que o Mun­dão do Ar­ru­da faz a favor do tri­co­lor per­nam­bu­ca­no.

To­man­do como pa­râ­me­tro a co­lo­ca­ção do me­lhor nor­des­ti­no no tor­neio des­te ano, que é o Vi­tó­ria em 15º lu­gar (an­tes da 30ª ro­da­da co­me­çar), 2016 só es­tá me­lhor que 2006, quan­do o Nor­des­te foi en­ca­be­ça­do pe­lo 18º lu­gar do For­ta­le­za. Se o pa­râ­me­tro for co­le­ti­vo, é me­lhor so­men­te que 2006, ano em que os dois re­pre­sen­tan­tes fo­ram re­bai­xa­dos, já que o San­ta Cruz fi­cou em 20º lu­gar; 2009, que ter­mi­nou com Vi­tó­ria em 13º, Náu­ti­co em 19º e Sport em 20º; e 2014, quan­do o Sport fi­cou em 11º e a du­pla Ba-Vi caiu abra­ça­da, com o Vi­tó­ria em 17º e o Bahia em 18º. Em co­mum, 2006, 2009 e 2014 che­ga­ram ao fim com dois ti­mes nor­des­ti­nos re­bai­xa­dos.

Evi­tar o du­plo re­bai­xa­men­to é jus­ta­men­te a me­ta que res­tou ao Nor­des­te nes­ta re­ta fi­nal do Bra­si­lei­rão. O San­ta Cruz, ain­da que não ma­te­ma­ti­ca­men­te, pra­ti­ca­men­te já es­tá na Série B 2017. Além de vice-lan­ter­na, o ti­me faz a pi­or cam­pa­nha do re­tur­no. O ti­me cam­peão da Co­pa do Nor­des­te em maio man­te­ve a ba­se do ti­me pa­ra a Série A, o que abra­ça a ideia dos clu­bes gran­des da re­gião de que o for­ma­to atu­al do Nor­des­tão, com 20 clu­bes, di­mi­nui seu ní­vel téc­ni­co e não pre­pa­ra pa­ra o se­gun­do se­mes­tre tão bem qu­an­to po­de­ria. É uma dis­cus­são per­ti­nen­te, que me­re­ce ou­tra co­lu­na só pa­ra o as­sun­to. O San­ta che­gou a li­de­rar o Cam­pe­o­na­to Bra­si­lei­ro por du­as ro­da­das (2ª e 3ª), tem um ata­que ti­tu­lar le­tal com Ke­no e Gra­fi­te, mas a fal­ta de elen­co não su­por­tou o pe­so da dis­pu­ta – o atra­so de sa­lá­ri­os tam­bém é ro­ti­na no San­ti­nha.

O San­ta Cruz re­for­ça uma ten­dên­cia da re­gião, e aí a di­fe­ren­ça or­ça­men­tá­ria, sem dú­vi­da, faz di­fe­ren­ça. Des­de 2006, só du­as ve­zes o fu­te­bol nor­des­ti­no ter­mi­nou a Série A sem ne­nhum re­pre­sen­tan­te re­bai­xa­do. Acon­te­ceu em 2008, com Vi­tó­ria (10º), Sport (11º) e Náu­ti­co (16º), e no ano pas­sa­do, quan­do o Sport era o úni­co clu­be da re­gião na elite e ter­mi­nou em 6º lu­gar, co­lo­ca­ção que nes­te ano clas­si­fi­ca pa­ra a Taça Li­ber­ta­do­res. O Vi­tó­ria faz um ano que, ape­sar do tí­tu­lo bai­a­no, es­can­ca­ra as de­fi­ci­ên­ci­as do ti­me des­de o Cam­pe­o­na­to Bai­a­no, o tor­neio mais fra­co tec­ni­ca­men­te que o Leão dis­pu­tou em 2016, já que não jo­gou a Co­pa do Nor­des­te. Bri­gar na me­ta­de de bai­xo da ta­be­la não sur­pre­en­de, ape­sar da ba­da­la­ção em tor­no das con­tra­ta­ções de Ki­e­za, Da­go­ber­to e Vic­tor Ra­mos, des­com­pas­so cri­a­do quan­do o mar­ke­ting se so­bre­põe ao fu­te­bol. No en­tan­to, ape­sar de ne­nhum dos três ter ren­di­do o es­pe­ra­do, o gran­de pro­ble­ma do elen­co ru­bro-ne­gro é a fal­ta de pe­ças de re­po­si­ção ca­pa­zes de man­ter um ní­vel pe­lo me­nos pró­xi­mo da equi­pe ti­tu­lar quan­do so­li­ci­ta­do, além da ca­rên­cia de um bom meia até no ti­me ti­tu­lar.

O Sport, 6º co­lo­ca­do no Bra­si­lei­rão 2015, pa­ga o pre­ço de não ter con­se­gui­do re­por à al­tu­ra as pe­ças ofen­si­vas que per­deu na vi­ra­da da tem­po­ra­da (An­dré, Mar­lo­ne, El­ber, Her­na­ne e Ré­gis, es­tes dois úl­ti­mos no Bahia atu­al­men­te). O ti­me se tor­nou de­pen­den­te de Di­e­go Sou­za e da Ilha do Re­ti­ro.

O Vi­tó­ria faz um ano que, ape­sar do tí­tu­lo es­ta­du­al, es­can­ca­ra as de­fi­ci­ên­ci­as do ti­me des­de o Bai­a­no, o

tor­neio mais fra­co que o Leão dis­pu­tou em 2016, já que não jo­gou o Nor­des­te. Bri­gar na me­ta­de de bai­xo da ta­be­la não sur­pre­en­de

her­bem.gra­ma­cho@re­de­bahia.com.br

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