Mas ca­dê Ja­ques Wag­ner?

Correio da Bahia - - Mais -

Em 4 de ou­tu­bro, o es­cri­tor Jo­sé Nêu­man­ne te­le­fo­nou, ce­do, pra sa­ber se Ja­ques Wag­ner es­ta­va em mi­nha ca­sa. Nêu­man­ne é um pi­a­dis­ta nato. Em se­gui­da, me con­tou que a Po­lí­cia Fe­de­ral es­ta­va na se­de do PT, na Rua Ala­goi­nhas, atrás de do­cu­men­tos so­bre frau­des nas elei­ções de 2014, e eu ru­mei pra lá atrás de no­tí­ci­as, com Li­ber­da­de, mi­nha bi­ci­cle­ta. Do dia 4 a on­tem, dia 14, o ex-go­ver­na­dor Ja­ques Wag­ner, ex-mi­nis­tro de Dil­ma Rous­seff, pos­sí­vel can­di­da­to à Pre­si­dên­cia da Re­pú­bli­ca em 2018, e à pre­si­dên­cia do PT a qual­quer mo­men­to, pi­ta­quei­ro diá­rio so­bre os mais va­ri­a­dos as­sun­tos da po­lí­ti­ca na­ci­o­nal, de­sa­pa­re­ceu. Eu, que amo os pi­ta­cos de Ja­ques Wag­ner, per­gun­to: Ca­dê Ja­ques Wag­ner?

Bob Dy­lan é o No­bel de Li­te­ra­tu­ra 2016. Ele es­cre­veu uma au­to­bi­o­gra­fia - Crô­ni­cas - e um ro­man­ce clas­si­fi­ca­do de in­de­ci­frá­vel – Ta­rân­tu­la -, mas não no­be­lou por ne­nhum dos dois. No­be­lou por­que o No­bel pre­ci­sa­va che­gar ao fi­nal do sé­cu­lo XX, aos po­e­tas que im­pri­mi­ram po­e­sia em mi­lha­res de neurô­ni­os au­xi­li­a­dos pe­la mú­si­ca. Bob Dy­lan (USA) e John Len­non (In­gla­ter­ra) no pla­ne­ta, Chico Bu­ar­que, Tor­qua­to Ne­to, Ca­e­ta­no Ve­lo­so, Raul Sei­xas no Bra­sil, Charly Gar­cia na Ar­gen­ti­na, Lu­cio Dal­la na Itá­lia, e ou­tros de ou­tros lu­ga­res, vi­ta­li­zan­do a po­e­sia em dis­cos e shows co­mo os li­vros ja­mais con­se­gui­ri­am. O te­ma não é o pre­di­le­to de Ja­ques Wag­ner, mas bem que ele po­de­ria apa­re­cer pra fa­lar so­bre is­so. E so­bre a in­ti­ma­ção de Car­los Lu­pi – do­no do PDT que, um dia, foi de Bri­zo­la, o ex-mi­nis­tro de Lu­la e de Dil­ma, de­mi­ti­do (por cor­rup­ção?) e ad­mi­ti­do (por pres­são de Lu­la?) por Dil­ma –, ao ex-po­de­ro­so Par­ti­do dos Tra­ba­lha­do­res pa­ra acei­tar sua der­ro­ta aca­cha­pan­te nas úl­ti­mas elei­ções, en­ten­der que a der­ro­ta lhe fez me­nor que o PDT, e que o can­di­da­to à Pre­si­dên­cia em 2018 é Ci­ro Go­mes. – Va­lei-nos São Fu­dên­cio! – Nós po­de­mos la­men­tar por Le­o­nel Bri­zo­la que, mor­to, não po­de im­pe­dir Car­los Lu­pi de con­du­zir um PDT mai­or que o PT. Po­de­mos hor­ro­ri­zar-nos com a sel­va­ge­ria de Lu­pi que foi ami­go de Lu­la e que ago­ra é ami­go de Ci­ro que não é ami­go de nin­guém! Mas só Ja­ques Wag­ner po­de­ria con­tes­tar os ta­ma­nhos do PT e do PDT com Car­los Lu­pi! Ca­dê Ja­ques Wag­ner?

Lu­la es­tá sen­do pro­ces­sa­do uma vez por se­ma­na, sem­pre por mo­ti­vos li­ga­dos a sua ati­vi­da­de in­ces­san­te de trans­for­mar a coi­sa pú­bli­ca em pa­trimô­nio pri­va­do de­le, de seus fi­lhos e de seus ami­gos. Até o dia em que a Hi­dra de Ler­na ins­ta­lou-se na Bahia, nós ti­ve­mos a opi­nião de Ja­ques Wag­ner so­bre o as­sun­to. To­das pa­re­ci­das, mas de Ja­ques Wag­ner. De­pois da Hi­dra de Ler­na, as opi­niões e o pró­prio Wag­ner de­sa­pa­re­ce­ram. Ca­dê Ja­ques Wag­ner? A ci­da­de da Baía, mo­ça fi­na, de­li­ca­da, re­ple­ta de do­tes e pa­trimô­ni­os, to­dos riquís­si­mos, pre­ci­sa re­cu­pe­rar sua ca­pa­ci­da­de de pen­sar, sub­mer­gi­da por uma mi­li­tân­cia oca que, nes­ses anos to­dos, só pro­du­ziu de­sem­pre­go e in­vi­si­bi­li­da­de. Pre­ci­sa, tam­bém, re­cu­pe­rar sua ele­gân­cia in­ci­si­va. O que fal­ta a es­ta ci­da­de? Per­gun­tou Gre­gó­rio de Mat­tos, bai­a­no, pa­tro­no da po­e­sia e do pen­sa­men­to bra­si­lei­ro. Ver­da­de! Sem­pre fal­ta ver­da­de! Mas, atu­al­men­te, fal­ta pen­sa­men­to, ma­té­ria-pri­ma de qual­quer so­ci­e­da­de sig­ni­fi­ca­ti­va.

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