LON­GAS SELECIONADOS

Correio da Bahia - - Vida -

selecionados en­tre 1.172 inscritos. Es­te ano, o even­to ho­me­na­geia o ci­ne­as­ta ar­gen­ti­no Héc­tor Ba­ben­co (1946-2016) e inclui uma mos­tra de clás­si­cos de di­re­to­res icô­ni­cos co­mo o su­e­co Ing­mar Berg­man (19182007) e o ita­li­a­no Fe­de­ri­co Fel­li­ni (1920-1993).

Ape­sar de apon­tar pa­ra a pro­du­ção in­ter­na­ci­o­nal, o fes­ti­val de­di­ca mais es­pa­ço ao cinema na­ci­o­nal nes­ta edi­ção. “Tí­nha­mos mui­tos Pa­no­ra­mas pos­sí­veis, mas ti­ve­mos que fa­zer es­co­lhas. O cinema bra­si­lei­ro es­tá nu­ma as­pi­ral as­cen­den­te, com mui­ta for­ça e in­te­li­gên­cia. Exis­te uma fo­me de cinema que es­tá le­van­do a ou­sar mais”, des­ta­ca o ci­ne­as­ta bai­a­no Cláudio Marques, 46, or­ga­ni­za­dor Pa­no­ra­ma.

Além de Cinema No­vo, de Eryk Ro­cha, o fes­ti­val se­le­ci­o­nou Ri­fle (RS), de Da­vi Pret­to, que ven­ceu o Fes­ti­val de Brasília 2016 na ca­te­go­ria me­lhor ro­tei­ro. Ou­tro ven­ce­dor de Brasília que foi se­le­ci­o­na­do é A Ci­da­de on­de En­ve­lhe­ço (MG/ Por­tu­gal), de Ma­rí­lia Ro­cha, que le­vou me­lhor lon­ga, di­re­ção, atriz (Eli­sa­beth Fran­cis­ca e Fran­cis­ca Ma­nu­el) e ator co­ad­ju­van­te (We­der­son Ne­gui­nho). O filme tam­bém con­quis­tou o prê­mio Abra­ço no Fes­ti­val de Cinema da Amé­ri­ca La­ti­na de Bi­ar­ritz. A Ci­da­de on­de En­ve­lhe­ço Co­pro­du­ção en­tre Mi­nas Ge­rais e Por­tu­gal, obra de Ma­rí­lia Ro­cha re­tra­ta a vi­da de uma jo­vem por­tu­gue­sa que mo­ra há um ano no Bra­sil. O filme foi pre­mi­a­do no Fes­ti­val de Brasília nas ca­te­go­ri­as me­lhor lon­ga, di­re­ção, atriz (Eli­sa­beth Fran­cis­ca e Fran­cis­ca Ma­nu­el) e ator co­ad­ju­van­te (We­der­son Ne­gui­nho)

Os outros lon­gas do Pa­no­ra­ma são: Jo­nas e o Cir­co sem Lo­na (BA), de Paula Go­mes, ven­ce­dor do prê­mio do pú­bli­co de me­lhor do­cu­men­tá­rio no fes­ti­val Ci­ne­la­ti­no 2016 – En­con­tros de Tou­lou­se, na Fran­ça; Elon não Acre­di­ta na Mor­te (MG), de Ri­car­do Al­ves Jr.; O Es­tra­nho Ca­so de Eze­qui­el (CE), de Gu­to Pa­ren­te; O Úl­ti­mo Tra­go (CE), de Luiz Pret­ti, Pe­dro Dió­ge­nes e Ri­car­do Pret­ti; e Um Ca­sa­men­to (BA), de Mô­ni­ca Si­mões.

En­tre os cur­tas, es­tão Quan­do os Di­as Eram Eter­nos (SP), de Mar­cus Vinicius Vasconcelos, elei­to o me­lhor cur­ta no Fes­ti­val de Brasília; Es­ta­do Iti­ne­ran­te, de Ana Ca­ro­li­na So­a­res (MG), ven­ce­dor do prê­mio es­pe­ci­al do jú­ri ofi­ci­al do Fes­ti­val de Brasília; Pro­cu­ra-se Ire­ni­ce, de Marco Es­cri­vão e Thiago B. Mendonça (SP), me­lhor cur­ta do jú­ri popular Fes­ti­val de Brasília; Re­ge­ne­ra­ção (RJ), de Humberto Car­rão; In­ter­di­to (BA), de Le­on Sam­paio; e Óti­mo Ama­re­lo (BA), de Mar­cus Cur­ve­lo.

“A gen­te ti­nha a op­ção de tra­zer fil­mes lau­re­a­dos nos gran­des fes­ti­vais. Mas o es­pec­ta­dor já es­tá aten­to a is­so, en­tão op­ta­mos por uma ca­ma­da in­ter­me­diá­ria, com fil­mes au­to­rais que me­re­cem au­di­ên­cia. Te­mos que cu­tu­car o pú­bli­co, tra­zer coi­sas que tal­vez ele não en­con­tre se não for ao Pa­no­ra­ma”, de­fen­de Cláudio. “Es­tá na ho­ra de dar um tem­po da Net­flix, de bai­xar filme na in­ter­net, e pen­sar co­mo é im­por­tan­te es­tar co­mun­gan­do des­ses fil­mes”, com­ple­ta.

EX­PE­RI­MEN­TA­ÇÃO

Ao des­ta­car que é fun­da­men­tal es­tar aten­to à pro­du­ção des­sa ge­ra­ção “que pou­co a pou­co vai se re­ve­lan­do”, o di­re­tor Eryk Ro­cha afir­ma que a ex­pe­ri­men­ta­ção atra­ves­sa ge­ra­ções e que o pró­prio Cinema No­vo es­tá pre­sen­te, ho­je, na no­va sa­fra de ci­ne­as­tas brasileiros.

“Ele es­tá sen­do sem­pre rei­ven­ta­do a ca­da ge­ra­ção. O cinema bra­si­lei­ro tem uma veia ex­pe­ri­men­tal des­de Má­rio Pei­xo­to, pas­san­do por Glau­ber Ro­cha e che­gan­do aos di­as de ho­je. In­te­res­san­te é ten­tar ma­pe­ar e en­ten­der que mo­vi­men­to é es­se que es­tá sur­gin­do. Qual é a for­ça po­lí­ti­ca e poé­ti­ca des­se mo­vi­men­to?”, ques­ti­o­na o di­re­tor.

Ra­di­ca­do no Rio de Janeiro, Eryk acu­mu­la sete lon­gas na car­rei­ra e es­tá pres­tes a fil­mar sua se­gun­da fic­ção, Bre­ves Mi­ra­gens do Sol, em abril. Além dis­so, es­tá em pro­ces­so de fi­na­li­za­ção do filme Ed­na, hí­bri­do de do­cu­men­tá­rio e fic­ção so­bre uma es­cri­to­ra e guer­ri­lhei­ra do sul do Pa­rá.

No re­cen­te Cinema No­vo, Eryk cria uma nar­ra­ti­va atu­al pa­ra a mon­ta­gem fei­ta a par­tir de mais de 130 fil­mes mar­can­tes da épo­ca. São obras e en­tre­vis­tas de re­pre­sen­tan­tes co­mo Nel­son Pe­rei­ra dos San­tos, Ca­cá Di­e­gues, Jo­a­quim Pe­dro de Andrade e o pró­prio Glau­ber. “É um filme que, cu­ri­o­sa­men­te, não é so­bre o pas­sa­do. É so­bre o Bra­sil de ho­je”, res­sal­ta.

Tu­do is­so fei­to a par­tir da mon­ta­gem de Re­na­to Val­lo­ne. “Nes­sa mul­ti­dão de tre­chos, sur­ge uma obra. O filme é uma car­ta/canção de amor pa­ra uma ge­ra­ção que deu a vi­da pe­lo cinema e pe­lo Bra­sil. O filme é um fio de me­mó­ria, uma re­de de ener­gia e de afe­to que mo­ve vá­ri­as ge­ra­ções do cinema bra­si­lei­ro”, com­ple­ta. Um Ca­sa­men­to Pro­du­ção bai­a­na, o do­cu­men­tá­rio de Mô­ni­ca Si­mões faz um re­tra­to da Bahia dos anos 50, a par­tir de um ca­sa­men­to que acon­te­ceu na épo­ca, em Sal­va­dor. A nar­ra­ti­va con­fron­ta du­as me­mó­ri­as: a sub­je­ti­va per­ten­cen­te à noi­va e as lem­bran­ças da di­re­to­ra do filme, fi­lha da noi­va A Ci­da­de on­de En­ve­lhe­ço de Ma­rí­lia Ro­cha (MG/Por­tu­gal)

Cinema No­vo Eryk Ro­cha (RJ)

Elon não Acre­di­ta na Mor­te Ri­car­do Al­ves Jr (MG)

Jo­nas e o Cir­co sem Lo­na Paula Go­mes (BA)

O Es­tra­nho Ca­so de Eze­qui­el Gu­to Pa­ren­te (CE)

O Úl­ti­mo Tra­go Luiz Pret­ti, Pe­dro Dió­ge­nes e Ri­car­do Pret­ti (CE, 2015)

Ri­fle de Da­vi Pret­to (RS)

Um Ca­sa­men­to Mô­ni­ca Si­mões (BA)

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