De­lí­cia de se ou­vir

Correio da Bahia - - Vida - Aqui­les do MPB4

Ca­rol Sa­boya es­tá de vol­ta com um CD cu­jo re­per­tó­rio é da mais al­ta qua­li­da­de. Os­ten­tan­do no tí­tu­lo o seu no­me com­ple­to, Ca­ro­li­na Sa­boya (AAM), ela se mos­tra co­mo uma can­to­ra cu­ja voz ama­du­re­ceu, en­cor­pou.

Acom­pa­nha­da por um óti­mo ti­me de ins­tru­men­tis­tas, res­pon­sá­vel pela ex­ce­lên­cia ins­tru­men­tal do dis­co, lá es­tão o pi­a­no e os ar­ran­jos de Antonio Adol­fo (pai da Ca­rol), os sa­xes de Mar­ce­lo Mar­tins, a gui­tar­ra de Leo Amu­e­do, o bai­xo acús­ti­co de Jor­ge Hel­der, a ba­te­ria de Ra­fa­el Ba­ra­ta, a per­cus­sões de An­dré Si­quei­ra e Ra­fa­el Ba­ra­ta e a gui­tar­ra acús­ti­ca de Clau­dio Spi­ewak.

Ca­rol cri­ou um am­bi­en­te mu­si­cal plu­ral. As com­po­si­ções do seu no­vo ál­bum re­ve­lam seu bom gos­to, pre­di­ca­do es­te que todo e qual­quer in­tér­pre­te de­ve­ria ter – tan­to quan­to afi­na­ção, rit­mo, in­ter­pre­ta­ção etc.

Pas­sa­rim (Tom Jo­bim) abre o des­fi­le. Pi­a­no, flau­ta e per­cus­são to­cam a in­tro­du­ção. Ar­rit­mo, o pi­a­no pu­xa a me­lo­dia. E sur­ge Ca­ro­li­na Sa­boya. Sa­be­do­ra de seus atri­bu­tos e im­buí­da de ta­ma­nhos en­can­tos pela música de Jo­bim, o que ela can­ta flui em sim­pli­ci­da­des e le­ve­zas. O tom es­co­lhi­do faz com que ela de­mons­tre o vi­gor de seus gra­ves. A música se­gue nu­ma su­til le­va­da de sam­ba. No in­ter­mez­zo, cou­be à gui­tar­ra o im­pro­vi­so. Com o pi­a­no acol­cho­an­do a har­mo­nia, Leo Amu­e­do se sol­ta. Es­col­ta­da pela ba­te­ria, lo­go a flau­ta traz pa­ra si o pro­ta­go­nis­mo. Após fin­dar o can­to de Ca­rol, os ins­tru­men­tos se ali­am e le­vam a música ao fim. 1X0 (Pi­xin­gui­nha e Be­ne­di­to La­cer­da, com le­tra de Nel­son An­ge­lo) vem num rit­mo aris­co. O suin­gue pul­sa for­te. Ca­rol bri­lha com uma in­ter­pre­ta­ção se­du­to­ra, em con­so­nân­cia com o ba­lan­ço do cho­ro fa­mo­so. Num in­ter­mez­zo ro­la unís­so­no de voz e flau­ta. E, lo­go de­pois de uma sur­pre­en­den­te le­va­da de rag­ti­me, já de vol­ta ao cho­ro, o an­da­men­to qua­se do­bra.

Hel­lo Go­odye (Le­non e MacCart­ney) é um de­sa­fio ao qual Ca­rol se en­tre­gou. Afi­nal, can­tar o que os Be­a­tles can­ta­ram, co­lo­can­do-se di­an­te da al­ta pro­ba­bi­li­da­de de ter seu can­to com­pa­ra­do ao dos ra­pa­zes de Li­ver­po­ol, não é pa­ra qual­quer um, não. Au­da­ci­o­sa, cren­do no po­der de sua voz, ela can­ta de forma maiús­cu­la.

Nou­tro si­nal de se­gu­ran­ça, Ca­rol can­ta a be­lís­si­ma Fra­gi­le

(Sting). Ca­so quei­ra­mos com­pa­rar a sua gra­va­ção com a de Sting, per­ce­be­re­mos que, de no­vo, ela se sai mui­to bem. Pois, qua­se tan­to quan­to ele, ela na­dou em águas plá­ci­das, sa­bo­re­an­do ca­da no­ta, ca­da in­fle­xão da le­tra. Lin­do mo­men­to do CD. Olha, Ma­ria (Jo­bim e Chi­co Bu­ar­que) é uma pe­que­na ma­ra­vi­lha que não se de­ve qua­li­fi­car. Meu Deus!

Zan­zi­bar (Edu Lo­bo) fe­cha a tam­pa. Pi­a­no, flau­ta e per­cus­são ini­ci­am. O pi­a­no pu­xa o rit­mo, num unís­so­no com Ca­rol que mul­ti­pli­ca por cem a for­ça dos vo­ca­li­ses cri­a­dos por Edu. A gui­tar­ra to­ca fra­ses ir­re­pre­en­sí­veis. O bai­xo reforça a le­va­da da me­lo­dia. Lo­go, no in­ter­mez­zo, a gui­tar­ra se­gue im­pro­vi­san­do. O bai­xo en­gor­da a música. Um unís­so­no de voz e bai­xo le­va ao fi­nal.

Fin­do o som, res­ta a con­vic­ção de que Ca­rol Sa­boya nos trou­xe um CD que é uma de­lí­cia de se ou­vir.

E sur­ge Ca­ro­li­na Sa­boya. Sa­be­do­ra de seus atri­bu­tos e im­buí­da de ta­ma­nhos en­can­tos pela música de Jo­bim, o que ela

can­ta flui em sim­pli­ci­da­des e le­ve­zas. A música se­gue nu­ma

su­til le­va­da de sam­ba

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