O pi­or é que não sur­pre­en­de

Correio da Bahia - - Esporte - Her­bem Gra­ma­cho

O pro­ces­so elei­to­ral do Vi­tó­ria nu­tria a ex­pec­ta­ti­va de ser fei­to atra­vés de elei­ções di­re­tas pe­la pri­mei­ra vez nos 117 anos de his­tó­ria do clu­be. Não se­rá as­sim. E o mais tris­te é não po­der tra­tar co­mo sur­pre­sa, em­bo­ra to­dos os “car­de­ais” ru­bro-ne­gros se po­si­ci­o­nem fa­vo­rá­veis ao voto di­re­to do as­so­ci­a­do.

É que o dis­cur­so nun­ca foi re­pre­sen­ta­do nos atos pra­ti­ca­dos de mar­ço de 2015 pra cá, qu­an­do Car­los Fal­cão re­nun­ci­ou - após aque­la eli­mi­na­ção pa­ra o Co­lo-Co­lo nas quar­tas de fi­nal do Cam­pe­o­na­to Bai­a­no - e des­de en­tão cres­ceu con­si­de­ra­vel­men­te a pres­são ex­ter­na por mu­dan­ças no ri­to elei­to­ral do clu­be. O ano é 2016, sé­cu­lo XXI. Uma vi­da di­gi­tal, re­vo­lu­ção da in­for­ma­ção, mul­ti­pli­ci­da­de de emis­so­res e re­cep­to­res, tu­do ao mes­mo tem­po ago­ra. Dis­cu­tir elei­ções di­re­tas ou in­di­re­tas já não faz se­quer sen­ti­do, de tão an­ti­qua­do. A so­ci­e­da­de ca­mi­nha em um sen­ti­do e o Vi­tó­ria vai no ou­tro, ain­da pre­so à ló­gi­ca, já sem ló­gi­ca, de que 200 con­se­lhei­ros re­pre­sen­tam um uni­ver­so a ca­da dia mai­or e mais di­fu­so de só­ci­os.

Pi­o­nei­ro por na­tu­re­za, o Vi­tó­ria não se des­pren­de das su­as amar­ras aris­to­cra­tas do fi­nal do sé­cu­lo XIX, que atra­ves­sa­ram o sé­cu­lo XX com um re­ve­za­men­to das mes­mas e pou­cas fa­mí­li­as no po­der. O úni­co si­nal de ade­qua­ção aos no­vos tem­pos é que, me­nos de 12 ho­ras de­pois da con­fir­ma­ção de que o plei­to se­rá mais uma vez in­di­re­to, a bri­ga en­tre os en­vol­vi­dos dei­xou a re­do­ma do Bar­ra­dão e tor­nou-se pú­bli­ca.

Atra­vés de atos ofi­ci­ais pu­bli­ca­dos no si­te do clu­be, o pre­si­den­te do Con­se­lho De­li­be­ra­ti­vo, Jo­sé Ro­cha, can­ce­lou a pró­xi­ma reu­nião ex­tra­or­di­ná­ria con­vo­ca­da pe­lo pre­si­den­te do Con­se­lho Fis­cal, Ch­ris­tó­vão Ri­os, e sus­pen­deu por 45 di­as o con­se­lhei­ro Dil­son Pe­rei­ra Jú­ni­or. Dil­son é um dos au­to­res da ação que sus­pen­de­ram a As­sem­bleia Ge­ral con­vo­ca­da por Jo­sé Ro­cha em de­zem­bro do ano pas­sa­do, aque­la que apro­vou a in­clu­são das elei­ções di­re­tas. Dil­son acu­sa Jo­sé Ro­cha de, a seu bel-pra­zer e con­ve­ni­ên­cia, ter mu­da­do a com­po­si­ção da co­mis­são elei­to­ral res­pon­sá­vel por fa­zer o no­vo es­ta­tu­to, ti­ran­do seus ad­ver­sá­ri­os po­lí­ti­cos e co­lo­can­do ali­a­dos.

Des­de en­tão, o fil­tro pes­so­al vi­rou o fo­co e o cer­ne da ques­tão fi­cou em segundo pla­no. Não du­vi­do que os car­de­ais ru­bro-ne­gros se­jam re­al­men­te a fa­vor das elei­ções di­re­tas. Mas en­quan­to os con­se­lhei­ros acha­rem que es­tão tra­tan­do de uma bri­ga por he­ran­ça, o Vi­tó­ria vai con­ti­nu­ar pre­so ao pas­sa­do. E um clu­be das mes­mas fa­mí­li­as.

O fil­tro pes­so­al vi­rou o fo­co e o cer­ne da ques­tão fi­cou em segundo pla­no. Quem per­de com is­so é o Vi­tó­ria

O NO­VO SEM­PRE VEM

Uma par­ce­ria pi­o­nei­ra sur­giu en­tre o Uber e o ABC, clu­be mais po­pu­lar de Na­tal, que dis­pu­ta a se­mi­fi­nal da Sé­rie C e já es­tá com o aces­so à Se­rie B ga­ran­ti­do. No do­min­go pas­sa­do, o tor­ce­dor que foi ao es­tá­dio Fras­quei­rão de Uber ga­nhou des­con­to de R$ 20 (sócio ga­nhou R$ 30) na cor­ri­da. Além dis­so, o não sócio que foi de Uber tem a pri­mei­ra men­sa­li­da­de grá­tis ca­so se as­so­cie ao clu­be. A me­di­da é a pri­mei­ra no Bra­sil en­vol­ven­do um ti­me de mas­sa. An­tes, o Red Bull Bra­sil, de Cam­pi­nas (SP), fez par­ce­ria se­me­lhan­te. Em 2015, a 99 Tá­xis pa­tro­ci­na­va al­guns ti­me bra­si­lei­ros (en­tre eles o Bahia) e pro­por­ci­o­na­va ações do ti­po aos tor­ce­do­res.

IMORAL OU ILE­GAL

A sus­pen­são do Fla-Flu co­lo­ca­rá o STJD di­an­te da es­co­lha: o imoral ou o ile­gal? A in­ter­fe­rên­cia ex­ter­na à ar­bi­tra­gem é ile­gal, já que é proi­bi­da na re­gra. Mas, se não fos­se ela, um gol em im­pe­di­men­to se­ria va­li­da­do pa­ra o Flu­mi­nen­se. Se o ile­gal é o jus­to, é ho­ra de mu­dar a lei. En­quan­to is­so não acon­te­ce, nes­te ca­so es­pe­cí­fi­co fi­co com a su­ges­tão da­da por Ar­nal­do Ce­zar Co­e­lho, co­men­ta­ris­ta de ar­bi­tra­gem da Glo­bo: man­tém o re­sul­ta­do do jo­go (2x1 pa­ra o Fla­men­go) e pu­ne o de­le­ga­do da par­ti­da, res­pon­sá­vel pe­la in­ter­fe­rên­cia ex­ter­na.

her­bem.gra­ma­cho@re­de­bahia.com.br

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