Ajus­tes em cur­so

Correio da Bahia - - Economia -

O Ban­co Cen­tral re­pe­tiu on­tem na ata do Co­pom que o cor­te mais rá­pi­do na Se­lic de­pen­de da que­da da in­fla­ção de ser­vi­ços e da apro­va­ção do ajus­te fis­cal. Mas no mer­ca­do fu­tu­ro as ta­xas de ju­ros de­sa­ba­ram nos úl­ti­mos me­ses, co­mo re­sul­ta­do da re­cu­pe­ra­ção da cre­di­bi­li­da­de da po­lí­ti­ca econô­mi­ca. O alí­vio fi­nan­cei­ro pa­ra o go­ver­no já é enor­me na ro­la­gem da dí­vi­da pú­bli­ca, po­den­do che­gar a R$ 180 bi­lhões.

O grá­fi­co abai­xo mos­tra os ju­ros co­bra­dos pe­lo mer­ca­do na BM&F Bo­ves­pa. Na mé­dia de fe­ve­rei­ro (li­nha ver­me­lha), o go­ver­no pa­ga­va 16,2% de ju­ros pa­ra ro­lar sua dí­vi­da. A par­tir de abril (li­nha azul) quan­do o pro­ces­so de im­pe­a­ch­ment fi­cou mais cla­ro, os ju­ros co­me­ça­ram a cair e es­ta se­ma­na re­cu­a­ram pa­ra 11,2% (li­nha ver­de). Pe­las con­tas da Ten­dên­ci­as Con­sul­to­ria, se es­sa re­du­ção de 5 pon­tos nos ju­ros fos­se apli­ca­da à to­do o es­to­que da dí­vi­da pú­bli­ca, a eco­no­mia do go­ver­no já se­ria enor­me, em tor­no de 3% do PIB, ou R$ 180 bi­lhões.

- Sem con­cluir a apro­va­ção de ne­nhum pro­je­to do ajus­te fis­cal, a eco­no­mia fi­nan­cei­ra do go­ver­no já é mui­to grande com o ga­nho de cre­di­bi­li­da­de da Fa­zen­da e do Ban­co Cen­tral - dis­se Nathan Blan­che, só­cio da Ten­dên­ci­as.

Ou­tro da­do im­por­tan­te do ajus­te em cur­so na eco­no­mia foi di­vul­ga­do on­tem pe­lo Ban­co Cen­tral. O dé­fi­cit em con­ta-cor­ren­te acu­mu­la­do até se­tem­bro caiu 72%, em re­la­ção ao mes­mo pe­río­do do ano pas­sa­do. Co­mo per­cen­tu­al do PIB, re­cu­ou pa­ra 1,3% em 12 me­ses, o nú­me­ro mais bai­xo des­de 2007. Com um dé­fi­cit me­nor, o país po­de­rá vol­tar a to­mar fi­nan­ci­a­men­to ex­ter­no pa­ra os in­ves­ti­men­tos.

- A ta­xa de pou­pan­ça do país es­tá bai­xís­si­ma, em tor­no de 13% do

PIB. En­tão a que­da do dé­fi­cit ex­ter­no é mui­to im­por­tan­te pa­ra a re­cu­pe­ra­ção por­que vai fa­ci­li­tar que se to­me em­prés­ti­mos fo­ra do país afir­mou Nathan.

As que­das dos ju­ros e do dé­fi­cit em con­ta-cor­ren­te são ajus­tes im­por­tan­tes acon­te­cen­do na eco­no­mia. O BC tam­bém re­du­ziu o seu es­to­que de swaps cam­bi­ais, de US$ 110 bi­lhões pa­ra cer­ca de US$ 28 bi, o que, se­gun­do Nathan, di­mi­nui as in­cer­te­zas no câm­bio. GARGALO PA­RA A IN­FRA­ES­TRU­TU­RA

A que­da nos ju­ros de lon­go pra­zo fa­ci­li­ta o fi­nan­ci­a­men­to a pro­je­tos de in­fra­es­tru­tu­ra, mas o aces­so ao se­gu­ro-ga­ran­tia po­de atra­pa­lhar o ci­clo. A apó­li­ce co­bre o ris­co de o cons­tru­tor não cum­prir sua par­te na obra. Ta­ti­a­na Mou­ra, da ges­to­ra de se­gu­ros JLT, con­ta que o mer­ca­do es­tá qua­se pa­ra­do. A si­tu­a­ção fi­nan­cei­ra das cons­tru­to­ras au­men­ta o ris­co pa­ra a con­ces­são dos se­gu­ros. Além dis­so, as se­gu­ra­do­ras não es­tão dan­do ga­ran­ti­as às em­prei­tei­ras en­vol­vi­das em es­cân­da­los. RO­DA TRAVADA

Sem o se­gu­ro-ga­ran­tia, o fi­nan­ci­a­men­to pa­ra a obra não sai. Já a se­gu­ra­do­ra não li­be­ra a ga­ran­tia por­que a em­prei­tei­ra não tem co­mo fi­nan­ci­ar a obra. Uma op­ção é a fi­an­ça ban­cá­ria, que é mais ca­ra e to­ma um pe­da­ço do cré­di­to das em­pre­sas nos ban­cos. Is­so aca­ba en­ca­re­cen­do os pro­je­tos. As­ses­so­res do Pro­gra­ma de Par­ce­ri­as e In­ves­ti­men­tos (PPI) do go­ver­no fe­de­ral fo­ram aler­ta­dos so­bre o pro­ble­ma. EM AL­TA

A ação da Va­le sal­tou mais 6,5%, no em­ba­lo do pre­ço do mi­né­rio de fer­ro, que rom­peu a ca­sa dos US$ 60. O pa­pel da mi­ne­ra­do­ra su­biu 99% nes­te ano.

OPOR­TU­NI­DA­DE

Com a cri­se, o se­tor si­de­rúr­gi­co do país vol­tou ao ní­vel de 2007, mas es­pe­ra au­men­to de 3,8% no con­su­mo de aço no ano que vem. PRE­O­CU­PA­ÇÃO

O re­ceio do se­tor, não só no Bra­sil, mas na AL, es­tá na con­cor­rên­cia des­le­al da China, que man­da aço abai­xo do pre­ço de cus­to pa­ra re­gião.

mi­ri­am­lei­tao@oglo­bo.com.br

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