Re­a­li­da­de das con­tas

Correio da Bahia - - Economia -

Se al­guém ain­da tem dú­vi­da so­bre a ne­ces­si­da­de do ajus­te fis­cal, bas­ta olhar para os dois grá­fi­cos abai­xo. O se­tor pú­bli­co nun­ca es­te­ve tão en­di­vi­da­do quan­to ago­ra, e o dé­fi­cit pri­má­rio - que ex­clui a des­pe­sa com ju­ros - nun­ca foi tão for­te. A op­ção de au­men­tar gas­tos para sair da re­ces­são sim­ples­men­te não exis­te. O cus­to para ro­la­gem da dí­vi­da fi­ca­ria mai­or, o re­al se des­va­lo­ri­za­ria e a in­fla­ção vol­ta­ria a su­bir.

Há quem di­ga que bas­ta ao go­ver­no re­du­zir os ju­ros para que as con­tas pú­bli­cas vol­tem ao azul. Há quem de­fen­da até um te­to para as des­pe­sas fi­nan­cei­ras, o que na prá­ti­ca só co­lo­ca­ria o país em uma si­tu­a­ção pró­xi­ma do ca­lo­te. Mui­ta gen­te já se es­que­ceu da ex­pe­ri­ên­cia frus­tra­da do go­ver­no Dil­ma de cor­tar a Se­lic em 2012. O país não vol­tou a cres­cer, o cai­xa das em­pre­sas se­cou, por­que hou­ve re­du­ção de ga­nhos fi­nan­cei­ros, e a in­fla­ção su­biu. O que im­por­ta no mo­men­to é en­ten­der que o dé­fi­cit pri­má­rio nun­ca foi tão al­to e rom­peu a bar­rei­ra de 3% do PIB. Mes­mo sem con­si­de­rar os gas­tos com ju­ros, o go­ver­no es­tá no ver­me­lho. A dí­vi­da pas­sou de 70%. O ta­ma­nho do ajus­te que pre­ci­sa ser fei­to é enor­me, por­que não bas­ta ze­rar as con­tas, é pre­ci­so cri­ar um su­pe­rá­vit em tor­no de 3% para ter uma so­bra de pou­pan­ça para o pa­ga­men­to dos ju­ros da dí­vi­da. Na pon­ta do lá­pis, o go­ver­no pre­ci­sa fa­zer um ajus­te de cer­ca de 6 pon­tos do PIB, ou R$ 360 bi­lhões. Is­so le­va­rá anos.

A di­fi­cul­da­de para sair da cri­se é que não é só o go­ver­no que es­tá en­di­vi­da­do, mas tam­bém as fa­mí­li­as e as em­pre­sas. To­dos es­tão se­gu­ran­do gas­tos ao mes­mo tem­po. Is­so apro­fun­da a re­ces­são e afe­ta a ar­re­ca­da­ção de impostos. A cri­se se re­a­li­men­ta. O nó na eco­no­mia fi­ca com­ple­to por­que a in­fla­ção tam­bém su­biu de­mais, en­tre ou­tros mo­ti­vos, para com­pen­sar o re­pre­sa­men­to de ta­ri­fas em 2014. O IPCA che­gou a dois dí­gi­tos e ago­ra cus­ta a cair, por cau­sa da in­de­xa­ção.

A re­cu­pe­ra­ção de­pen­de da que­da dos ju­ros, que por sua vez de­pen­de da re­du­ção da in­fla­ção, que de­pen­de da apro­va­ção do ajus­te fis­cal. Não exis­te má­gi­ca.

BRASIL CAI NO RAN­KING DAS MAR­CAS

Se o Brasil fos­se uma mar­ca, es­ta­ria em que­da no ran­king mun­di­al pe­lo se­gun­do ano se­gui­do. A pes­qui­sa Na­ti­on Brands 2016 mos­tra que o país re­cu­ou da 11ª para a 15ª po­si­ção, en­tre 100 paí­ses pes­qui­sa­dos. Os EUA li­de­ram a lis­ta, se­gui­dos por Chi­na e Ale­ma­nha. O va­lor da "mar­ca Brasil" te­ve que­da de 30% em dó­la­res, re­cu­an­do para US$ 820 bi­lhões. Na ava­li­a­ção da Ap­sis, con­sul­to­ria es­pe­ci­a­li­za­da em ava­li­a­ção de ati­vos, pe­sou não só a cri­se, mas tam­bém a cor­rup­ção e a éti­ca cor­po­ra­ti­va.

DE­SE­JO DE RE­NO­VA­ÇÃO

Na ava­li­a­ção da Eu­ra­sia, as elei­ções mos­tra­ram que o de­se­jo por re­no­va­ção é mais for­te do que a re­jei­ção do elei­tor a par­ti­dos li­ga­dos à es­quer­da. Se­gun­do a con­sul­to­ria, é is­so que su­ge­rem as vi­tó­ri­as de João Dó­ria, Mar­che­zan Jr. e Ale­xan­dre Ka­lil, em três gran­des ca­pi­tais, mas tam­bém a vo­ta­ção ex­pres­si­va de Mar­ce­lo Frei­xo, no Rio. "Os pré-re­qui­si­tos para as chan­ces dos can­di­da­tos em 2018 se­rão me­nos uma opo­si­ção ide­o­ló­gi­ca ao PT ou a par­ti­dos à es­quer­da, e mais uma men­sa­gem de re­no­va­ção política. Is­so va­le para os par­ti­dos tra­di­ci­o­nais", afir­mou a Eu­ra­sia.

OTI­MIS­MO DE MER­CA­DO Mes­mo com os da­dos ruins da eco­no­mia re­al, a bol­sa fe­chou ou­tu­bro com va­lo­ri­za­ção de 11,2%.

RIS­CO

Ama­nhã os EUA de­ci­dem so­bre a ta­xa de ju­ros e o mer­ca­do aqui es­ta­rá fe­cha­do. O in­ves­ti­dor de câm­bio es­tá de olho nis­so.

PI­SO NO FO­CUS

Pe­la se­gun­da se­ma­na se­gui­da, as pro­je­ções para o IPCA de 2017 fi­ca­ram em 5%, ape­sar das re­vi­sões para bai­xo do PIB.

mi­ri­am­lei­tao@oglo­bo.com.br

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