PRB ga­nha elei­ção na vi­tri­ne; na­ni­cos sa­em vi­to­ri­o­sos

Correio da Bahia - - Mais -

do tur­no. Os se­te can­di­da­tos pe­tis­tas que du­e­la­ram no se­gun­do tur­no fo­ram der­ro­ta­dos. As per­das pe­tis­ta mais sig­ni­fi­ca­ti­vas se de­ram jus­ta­men­te em re­du­tos do­mi­na­dos pe­lo par­ti­do.

En­tre os quais, Vi­tó­ria da Con­quis­ta, na Bahia, on­de Her­zem Gus­mão (PMDB) aca­bou com 20 anos de he­ge­mo­nia do par­ti­do, e o cha­ma­do “cin­tu­rão ver­me­lho pau­lis­ta”, ex­pres­são usad para re­pre­sen­tar po­der do PT em mu­ni­cí­pi­os no en­tor­no da ci­da­de de São Pau­lo.

Em es­pe­ci­al, a re­gião do ABC Pau­lis­ta, ber­ço po­lí­ti­co do par­ti­do. Com as der­ro­tas no se­gun­do tur­no dos pe­tis­tas Car­los Gra­na, em San­to An­dré, e Do­ni­se­te Bra­ga, em Mauá, além das já ocor­ri­das no pri­mei­ro tur­no, o PT não co­man­da­rá qual­quer mu­ni­cí­pio na re­gião in­dus­tri­al co­nhe­ci­da pe­la for­te ba­se sin­di­cal, um dos pi­la­res que sus­ten­tam a política pe­tis­ta.

Com os re­sul­ta­dos de do­min­go, o PT so­freu de­si­dra­ta­ção pro­fun­da no gru­po de 92 ci­da­des com elei­to­ra­do igual ou su­pe­ri­or a 200 mil pes­soa. Nes­se con­jun­to, que abri­ga 38% dos vo­tos do Brasil, os pe­tis­tas só te­rão um re­pre­sen­tan­te: o pre­fei­to de Rio Bran­co, Mar­cus Ale­xan­dre, re­e­lei­to já no pri­mei­ro tur­no.

Os nú­me­ros ge­rais am­pli­fi­cam o ta­ma­nho da de­si­dra­ta­ção en­fren­ta­da pe­lo par­ti­do que co­man­dou a Re­pú­bli­ca por qua­se 14 anos. Em 2012, o PT ele­geu 638 pre­fei­tos. Ago­ra, são ape­nas 254. Na quan­ti­da­de de elei­to­res go­ver­na­dos pe­la le­gen­da, a que­da é ain­da mais ex­pres­si­va - de 27 mi­lhões para 4 mi­lhões.

BA­SE GOVERNISTA

Com a vi­tó­ria em 12 das 18 ca­pi­tais no se­gun­do tur­no, os par­ti­dos que apoi­a­ram o im­pe­a­ch­ment da ex-pre­si­den­te Dil­ma Rous­seff (PT) e hoje for­mam a ba­se do go­ver­no de Mi­chel Te­mer (PMDB) ) saí­ram das ur­nas com for­ça nos gran­des co­lé­gi­os elei­to­rais do país.

O PMDB, por exem­plo, ven­ceu em três das seis on­de es­ta­va na bri­ga pe­lo co­man­do: Flo­ri­a­nó­po­lis, com Ge­an Lou­rei­ro; Goi­â­nia, re­to­ma­da por Iris Re­zen­de aos 82 anos de ida­de; e Cui­a­bá, com Ema­nu­el Pi­nhei­ro. O PSD ga­nhou em Cam­po Gran­de; já o PPS go­ver­na­rá Vi­tó­ria.

Dos par­ti­dos da atu­al opo­si­ção, o PDT ven­ceu em du­as ca­pi­tais: For­ta­le­za e São Luíz, am­bos com pre­fei­tos re­e­lei­tos. Ao mes­mo tem­po, o PC­doB re­con­quis­tou Ara­ca­ju para os ali­a­dos do PT. O Psol, ou­tra si­gla li­ga­da aos pe­tis­tas, che­gou ao se­gun­do tur­no no Rio de Ja­nei­ro, mas aca­bou der­ro­ta­do. IN­VÁ­LI­DOS

O nú­me­ro de bran­cos, nu­los e abs­ten­ções tam­bém saiu do se­gun­do tur­no mais for­te. O Tri­bu­nal Su­pe­ri­or Elei­to­ral (TSE) in­for­mou que os vo­tos in­vá­li­dos nes­sa eta­pa so­ma­ram cer­ca de 10,7 mi­lhões de pes­so­as. A quan­ti­da­de cor­res­pon­de a 32,5% dos 32,9 mi­lhões de pes­so­as ap­tas a vo­tar no do­min­go.

No se­gun­do tur­no das elei­ções mu­ni­ci­pais de 2012, o nú­me­ro foi me­nor - de 8,4 mi­lhões, ou 26,5% dos 31,7 mi­lhões de elei­to­res). Em al­gu­mas ci­da­des, co­mo Flo­ri­a­nó­po­lis, os vo­tos in­vá­li­dos su­pe­ra­ram o to­tal ob­ti­do nas ur­nas pe­lo ven­ce­dor da dis­pu­ta. O fim da dis­pu­ta elei­to­ral de 2016 sa­grou ain­da dois gran­des ven­ce­do­res. O pri­mei­ro é o PRB, bra­ço po­lí­ti­co da Igre­ja Uni­ver­sal e prin­ci­pal for­ça da ban­ca­da evan­gé­li­ca. De­pois de amar­gar der­ro­tas na bri­ga pe­lo co­man­do das mai­o­res ci­da­des do país, o par­ti­do con­se­guiu uma ex­pres­si­va vi­tó­ria no Rio de Ja­nei­ro, com a elei­ção do se­na­dor Mar­ce­lo Cri­vel­la, que dis­pu­tou o se­gun­do tur­no con­tra o de­pu­ta­do es­ta­du­al Mar­ce­lo Frei­xo (Psol), apoi­a­do pe­las si­glas li­ga­das ao PT.

A par­tir de ago­ra, o PRB te­rá o co­man­do so­bre a prin­ci­pal vi­tri­ne do país, cu­ja ima­gem ga­nhou mai­or vi­si­bi­li­da­de após os Jo­gos Olím­pi­cos des­te ano. Em en­tre­vis­ta on­tem, Cri­vel­la ne­gou que sua vi­tó­ria si­na­li­ze uma gui­na­da con­ser­va­do­ra na ci­da­de. Bus­can­do des­co­lar-se da vin­cu­la­ção na­tu­ral a sua re­li­gião, ele pro­me­teu re­for­çar me­ca­nis­mos mu­ni­ci­pais de de­fe­sa dos di­rei­tos da co­mu­ni­da­de LGBT e de com­ba­te à in­to­le­rân­cia re­li­gi­o­sa. “Vou ser um in­con­for­ma­do com qual­quer vi­o­lên­cia con­tra as mi­no­ri­as”, dis­se.

Ao co­men­tar a re­per­cus­são ne­ga­ti­va de sua elei­ção na im­pren­sa in­ter­na­ci­o­nal, Cri­vel­la afir­mou que su­as po­si­ções - con­trá­rio à des­cri­mi­na­li­za­ção do abor­to e das dro­gas e à dis­cus­são de ques­tões de gê­ne­ro nas es­co­las re­ver­be­ram an­sei­os da po­pu­la­ção que o ele­geu. “Por que se fa­la de con­ser­va­do­ris­mo, se nós te­mos to­do o res­pei­to às ex­pres­sões de­mo­crá­ti­cas das mi­no­ri­as? Gra­ças a Deus, no Rio não exis­te qual­quer ex­pres­são de ra­cis­mo. Se exis­te al­gum ódio ou in­to­le­rân­cia re­li­gi­o­sa, vai su­mir na mi­nha ad­mi­nis­tra­ção”, afir­mou.

Ao mes­mo tem­po, os par­ti­dos na­ni­cos e sem ex­pres­são política con­se­gui­ram es­pa­ço ao ven­cer a dis­pu­ta em du­as ca­pi­tais im­por­tan­tes. Uma de­las foi Be­lo Ho­ri­zon­te, que ele­geu Ale­xan­dre Ka­lil (PHS). Des­cen­den­te de ára­be, Ka­lil as­su­miu di­zen­do que, em vez dos mor­ta­de­las do PT e co­xi­nhas do PSDB, che­gou a vez do qui­be. Em Cu­ri­ti­ba, Ra­fa­el Grec­ca (PMN) tam­bém co­lo­cou as si­glas sem mus­cu­la­tu­ra no ma­pa do po­der nas ca­pi­tais.

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