A eco­no­mia de Trump

Correio da Bahia - - Economia -

A pro­pos­ta econô­mi­ca do can­di­da­to re­pu­bli­ca­no Do­nald Trump le­va­rá os EUA a te­rem mais in­fla­ção, mais ju­ros e me­nor cres­ci­men­to. Foi por is­so que vá­ri­as bol­sas e mo­e­das caí­ram pe­lo mun­do on­tem, após a di­vul­ga­ção de uma pes­qui­sa em que ele apa­re­ce à frente da can­di­da­ta de­mo­cra­ta Hil­lary Clin­ton. Pa­ra o Bra­sil, a vi­tó­ria de Trump di­fi­cul­ta­ria o ajus­te fis­cal e a re­cu­pe­ra­ção do PIB. A eco­no­mis­ta Ales­san­dra Ri­bei­ro, di­re­to­ra de ma­cro­e­co­no­mia e po­lí­ti­ca da Ten­dên­ci­as Con­sul­to­ria, já ha­via ma­pe­a­do os ris­cos em ca­so de vi­tó­ria de Trump, an­tes mes­mo da di­vul­ga­ção da pes­qui­sa. Ela pon­de­ra que par­te das pro­pos­tas po­de­rá ser ve­ta­da pe­lo Con­gres­so ame­ri­ca­no, mas prin­ci­pal­men­te a ideia de au­men­to de bar­rei­ras co­mer­ci­ais po­de ser im­ple­men­ta­da ape­nas pe­lo exe­cu­ti­vo.

O au­men­to do iso­la­ci­o­nis­mo ame­ri­ca­no te­ria im­pac­to no comércio e no cres­ci­men­to mun­di­ais, com re­fle­xos no Bra­sil, por­que os EUA são o nos­so se­gun­do prin­ci­pal par­cei­ro, atrás ape­nas da Chi­na. PIOR PA­RA OS EMERGENTES O risco de uma vi­tó­ria de

Trump en­trou mes­mo no ra­dar do mer­ca­do, con­ta Luiz Fer­nan­do Fi­guei­re­do, di­re­tor da Mauá Ca­pi­tal. A di­fi­cul­da­de de Hil­lary Clin­ton com o es­cân­da­lo dos emails acen­deu o que Fi­guei­re­do cha­mou de "si­nal ver­me­lho". A in­cer­te­za atin­giu es­pe­ci­al­men­te os paí­ses emergentes e fez o dó­lar su­bir por­que os in­ves­ti­do­res pas­sa­ram a fu­gir de paí­ses mais ar­ris­ca­dos. Con­tra o re­al, a al­ta foi de 1,6%. Fi­guei­re­do cha­ma a aten­ção pa­ra a re­a­ção no Mé­xi­co, on­de o pe­so che­gou a cair 1,7%.

PEQUENO ALÍVIO

O cres­ci­men­to da in­dús­tria em se­tem­bro, em­bo­ra pequeno, trou­xe alívio após dois me­ses de que­da. A pro­du­ção, na ver­da­de, pa­re­ce es­tar an­dan­do de la­do des­de fe­ve­rei­ro, co­mo mos­tra o grá­fi­co. O nú­me­ro ín­di­ce cal­cu­la­do pe­lo IBGE apon­ta­va 83,4 pon­tos no se­gun­do mês do ano e ago­ra em se­tem­bro Além dis­so, a de­sa­ce­le­ra­ção do mun­do te­ria efei­to in­di­re­to so­bre vá­ri­os ou­tros paí­ses que com­pram os nos­sos pro­du­tos. A in­fla­ção ame­ri­ca­na se­ria pres­si­o­na­da por vá­ri­as fren­tes. A res­tri­ção às im­por­ta­ções di­mi­nui­ria a ofer­ta de bens e ser­vi­ços, en­ca­re­cen­do os pre­ços. O com­ba­te à imi­gra­ção re­du­zi­ria a ofer­ta de mão de obra, em uma eco­no­mia que já es­tá com ta­xas bai­xas de de­sem­pre­go. Com in­fla­ção mais al­ta, o BC ame­ri­ca­no se­ria obri­ga­do a su­bir os ju­ros mais ra­pi­da­men­te, afe­tan­do o PIB e os flu­xos fi­nan­cei­ros mun­di­ais.

Trump de­fen­de re­du­ção de im­pos­tos, de um la­do, e man­tém pro­pos­tas que au­men­tam gas­tos, de ou­tro, co­mo os mi­li­ta­res. Ales­san­dra pre­vê au­men­to do dé­fi­cit e do en­di­vi­da­men­to do go­ver­no ame­ri­ca­no. A sim­ples ame­a­ça de vi­tó­ria de Trump já der­ru­bou o Ibo­ves­pa e pres­si­o­nou o dó­lar. Com ju­ros mais al­tos por lá, a re­du­ção da Se­lic, por aqui, se­ria mais len­ta, com efei­to so­bre a re­cu pe­ra­ção econô­mi­ca. Is­so é tu­do o que o Bra­sil não pre­ci­sa. marcou 83,8, com ajus­te sa­zo­nal. Du­as con­clu­sões sal­tam aos olhos: a in­dús­tria es­tá se es­ta­bi­li­zan­do após um lon­go pe­río­do de re­tra­ção, mas, ao mes­mo tem­po, não tem for­ça pa­ra se re­cu­pe­rar. Em re­la­ção ao pi­co da pro­du­ção, em ju­nho de 2013, o re­cuo che­ga a 20%.

DUPLICOU

Nos cin­co me­ses de Pe­dro Pa­ren­te na pre­si­dên­cia da Pe­tro­bras, com­ple­ta­dos on­tem, o va­lor de mer­ca­do da com­pa­nhia do­brou pa­ra R$ 228 bi.

EFEI­TO COLATERAL

Com a va­lo­ri­za­ção do re­al, as ex­por­ta­ções caí­ram 5% em ou­tu­bro, em re­la­ção a se­tem­bro, se­gun­do o Itaú, ti­ran­do efei­tos sa­zo­nais.

PIB SEM FOR­ÇA

Já as im­por­ta­ções re­cu­a­ram 2,3%, na mes­ma com­pa­ra­ção, fi­can­do em pa­ta­ma­res his­to­ri­ca­men­te bai­xos.

mi­ri­am­lei­tao@oglo­bo.com.br

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