Brin­can­do com 2012 pa­ra ver 2018

Correio da Bahia - - Mais -

Às ve­zes, o sa­ber que não se sa­be é tão im­por­tan­te quan­to aqui­lo que se sa­be. Em ou­tras pa­la­vras, a ig­no­rân­cia é coi­sa va­li­o­sa. De­pois de uma elei­ção, é co­mum e até mes­mo sau­dá­vel que se pro­du­zam ex­pli­ca­ções, qua­se sempre ló­gi­cas, apa­ren­te­men­te de­fi­ni­ti­vas. As­sim:

O PSDB e Ge­ral­do Alck­min fo­ram os gran­des ven­ce­do­res da elei­ção mu­ni­ci­pal.

Aba­ti­do pe­los pró­pri­os mal­fei­tos, o PT ar­rui­nou-se e, com ele, a es­quer­da, se­ja lá o que is­so sig­ni­fi­que. A elei­ção de 2016 mar­ca a as­cen­são de uma ma­ré con­ser­va­do­ra na vi­da na­ci­o­nal.

Es­sas três con­clu­sões es­tão cer­tas. O pro­ble­ma sur­ge quan­do, a par­tir de­las, pro­je­ta-se o fu­tu­ro. Vol­tan­do-se o re­ló­gio pa­ra 2012, po­de-se vi­si­tar a sa­be­do­ria da oca­sião.

En­tre o pri­mei­ro e o se­gun­do tur­no da elei­ção mu­ni­ci­pal, o Su­pre­mo Tri­bu­nal Fe­de­ral jul­gou o pro­ces­so do men­sa­lão, José Dir­ceu foi con­de­na­do e, se­ma­nas de­pois, foi pa­ra a ca­deia de bra­ços er­gui­dos e pu­nho fe­cha­do.

O PT saiu da elei­ção co­mo o par­ti­do mais vo­ta­do do país, e Fer­nan­do Had­dad ele­geu-se pre­fei­to de São Pau­lo. Se­ria uma boa apos­ta nu­ma fu­tu­ra elei­ção pre­si­den­ci­al. Se não fos­se ele, po­de­ria ser o pe­tis­ta Luiz Ma­ri­nho, ex-mi­nis­tro da Pre­vi­dên­cia e do Tra­ba­lho, re­e­lei­to pa­ra a pre­fei­tu­ra de São Ber­nar­do do Cam­po. Na pon­ta do PMDB, Edu­ar­do Pa­es re­e­le­geu-se pre­fei­to do Rio de Ja­nei­ro, com per­to de dois ter­ços dos vo­tos. Vi­nham por aí a Co­pa do Mun­do e, aci­ma de tu­do, a Olim­pía­da. Se­ria uma boa apos­ta pa­ra o go­ver­no do es­ta­do em 2018, ou, quem sa­be, pa­ra a Pre­si­dên­cia da Re­pú­bli­ca. Por via das dú­vi­das, ele lan­ça­va um can­di­da­to a vi­ce de Dil­ma Rous­seff, na va­ga de Mi­chel Te­mer. Era o go­ver­na­dor Sérgio Ca­bral, nos de­dos de cu­ja se­nho­ra bri­lha­vam os di­a­man­tes da Van Cle­ef pre­sen­te­a­dos por Fer­nan­do Ca­ven­dish, o bem-aven­tu­ra­do em­prei­tei­ro da Del­ta. Es­se era o mun­do de 2012, e to­das as pro­je­ções pa­re­ci­am ló­gi­cas. Lava-Jato era o no­me que se da­va aos lu­ga­res on­de se la­va­vam car­ros, Sérgio Mo­ro era um juiz que fi­ca­ra a pé na in­ves­ti­ga­ção das rou­ba­lhei­ras do Ba­nes­ta­do, a Ope­ra­ção Cas­te­lo de Areia, on­de a Ca­mar­go Cor­rêa fo­ra apa­nha­da pe­la Po­lí­cia Fe­de­ral, vi­ra­ra piz­za no Su­pe­ri­or Tri­bu­nal de Jus­ti­ça e

Te­o­ri Za­vasc­ki era juiz que aca­ba­ra de ser in­di­ca­do pa­ra o Su­pre­mo. Sa­bia-se de­le que fa­la­va pou­co.

Deu tu­do er­ra­do. Pas­sa­dos qua­tro anos, Lu­la, o fa­bri­can­te de pos­tes, nem se­quer foi vo­tar no se­gun­do tur­no, o PT foi moí­do, Dir­ceu es­tá con­for­ma­do na ca­deia, Ca­ven­dish en­tre­gou ao Mi­nis­té­rio Pú­bli­co a no­ta fis­cal do anel de ma­da­me Ca­bral, o pre­si­den­te da Re­pú­bli­ca cha­ma-se Mi­chel Te­mer e Dil­ma Rous­seff tam­bém não vo­tou no se­gun­do tur­no de Por­to Ale­gre. As pro­je­ções ló­gi­cas de 2012 ti­nham ne­xo, mas não ti­ve­ram fu­tu­ro. As de 2016 tam­bém pa­re­cem ra­zoá­veis. Fal­ta lem­brar que vêm por aí a co­la­bo­ra­ção da Ode­bre­cht, com mais de 50 nar­ra­ti­vas, e o ras­tro da su­per­cai­xa do tu­ca­na­to. Is­so e mais a da OAS. Pro­va­vel­men­te, tam­bém a de Edu­ar­do Cu­nha. O po­de­ro­so PSDB é o con­vi­da­do de hon­ra em to­das elas. Além dis­so, é condô­mi­no do go­ver­no de Mi­chel Te­mer, que dis­pu­ta a mar­ca de im­po­pu­la­ri­da­de de Dil­ma Rous­seff. No fun­do, to­das as pre­vi­sões são exer­cí­ci­os de sa­be­do­ria, mas não se de­ve me­nos­pre­zar a eter­na ig­no­rân­cia dos vi­ven­tes em re­la­ção ao fu­tu­ro.

As pro­je­ções ló­gi­cas de 2012 ti­nham ne­xo, mas não ti­ve­ram fu­tu­ro. As de 2016

tam­bém pa­re­cem ra­zoá­veis. Fal­ta lem­brar que vêm por aí a co­la­bo­ra­ção da Ode­bre­cht, com mais de 50 nar­ra­ti­vas, e o ras­tro da su­per­cai­xa do tu­ca­na­to.

Is­so e mais a da OAS. Pro­va­vel­men­te, tam­bém a de Edu­ar­do Cu­nha. O

po­de­ro­so PSDB é o con­vi­da­do de hon­ra em

to­das elas.

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