Um no­vo no­me na MPB

Correio da Bahia - - Vida - Aqui­les do MPB4

Vou co­me­çar con­tan­do um dos se­gre­dos que tra­go guar­da­do. Ele diz res­pei­to à mi­nha ati­vi­da­de (já ia es­cre­ven­do “re­cen­te”, quan­do me veio à ca­be­ça que lá se vão bem uns quin­ze anos em que co­men­to CDs. En­tre­tan­to, com­pa­ran­do os qua­se quin­ze de es­cri­ta com os cin­quen­ta de MPB4, não se­ria ba­le­la di­zer “ati­vi­da­de re­cen­te”. Bem, mas is­so não vem ao ca­so).

Va­mos ao se­gre­do: um de meus mai­o­res pra­ze­res ao re­ce­ber um CD é quan­do per­ce­bo que se tra­ta do pri­mei­ro dis­co de al­guém. An­tes mes­mo de ou­vi-lo, de­vo­to ao tra­ba­lho um mi­mo que ava­lio co­mo es­pe­ci­al.

Qu­an­ta es­pe­ran­ça ali de­po­si­ta­da nu­ma em­prei­ta­da re­a­li­za­da com mil e uma di­fi­cul­da­des; quan­to ca­ri­nho ex­pli­ci­ta­do em ca­da fai­xa; qu­an­ta in­se­gu­ran­ça re­gis­tra­da num dis­qui­nho, que tem de ter uma for­ça gi­gan­tes­ca pa­ra le­var a ca­bo a re­a­li­za­ção de um so­nho. Pois bem, ao per­ce­ber que o CD que te­nho na mão é o pri­mei­ro de Tho­maz Pan­za, de­di­co-me a ele. E ago­ra re­ve­lo o se­gre­do por in­tei­ro: na­da é mais bo­ni­to do que quan­do uma emo­ção pra­ze­ro­sa me in­va­de lo­go nos pri­mei­ros acor­des, nos pri­mei­ros ver­sos, nas pri­mei­ras ima­gens, no pri­mei­ro ar­ran­jo, no pri­mei­ro so­lo, nos pri­mei­ros gro­o­ves, riffs e suin­gues. É co­mo se o ar­re­pio di­an­te de um prin­ci­pi­an­te me in­du­zis­se à sen­sa­ção de uma oni­po­tên­cia fa­ju­ta: aca­bei de “des­co­brir” um no­vo “gê­nio” da mú­si­ca bra­si­lei­ra con­tem­po­râ­nea. Cla­ro que não é bem as­sim que as coi­sas são. Mas, se­ja lá co­mo for, va­mos ao pra­zer do dia: o pri­mei­ro CD de Tho­maz Pan­za – psi­có­lo­go de for­ma­ção e com­po­si­tor, vi­o­lo­nis­ta e can­tor por op­ção.

Ti­tu­la­do Tho­maz, O Cur­va (CD in­de­pen­den­te, com dis­tri­bui­ção da Tra­to­re) – O Cur­va é o ape­li­do pe­lo qual Tho­maz é cha­ma­do por seus ami­gos –, o ál­bum tem do­ze fai­xas, nas quais ele te­ce su­as amar­gu­ras e su­as ex­pec­ta­ti­vas. Dez são com­po­si­ções só de­le, du­as ele di­vi­de com par­cei­ros.

De ca­ra, des­ta­ca-se a voz de Tho­maz. Seu can­tar é afe­ti­vo. Su­as no­tas vem ami­gá­veis aos ou­vi­dos de quem o es­cu­ta. Ela vem acom­pa­nha­da por seu vi­o­lão, pe­la per­cus­são (os ar­ran­jos não têm ba­te­ria) e pe­la flau­ta. A flau­ta pon­teia com o vi­o­lão. Lo­go a le­va­da é ar­rit­mo. Uma voz fe­mi­ni­na (Lour­des Reis) re­ci­ta os ver­sos. Vol­tam vi­o­lão e flau­ta, e tam­bém o can­to com a voz do­bra­da... jun­tos vão ao fi­nal. Lin­do!

Num CD que con­ta com as par­ti­ci­pa­ções das can­to­ras Ta­ti­a­na Parra e da por­tu­gue­sa Su­sa­na Tra­vas­sos, os ar­ran­jos de Rei­nal­do Pon­tes pri­vi­le­gi­am so­no­ri­da­des mais gra­ves co­mo as do cel­lo, do cla­ro­ne, do bai­xo acús­ti­co e do trombone.

Ou­tra par­ti­ci­pa­ção es­pe­ci­al cha­ma a aten­ção: Do­ri Caym­mi.

Com Tho­maz ao vi­o­lão, Do­ri ini­cia o can­to de Inaê (Tho­maz). Acom­pa­nha­dos por flau­ta, bai­xo e per­cus­são, os dois can­tam jun­tos. Vem um in­ter­mez­zo com bai­xo e vi­o­lão. Eles vol­tam a can­tar jun­tos e as­sim fi­na­li­zam.

Re­ve­la­do o se­gre­do, mui­tos ain­da di­rão, e não sem mo­ti­vo, que foi um “se­gre­do de po­li­chi­ne­lo”, já que não há ne­nhu­ma no­vi­da­de na con­fi­dên­cia. In­clu­si­ve não fal­ta­rá quem di­ga que com es­se se­gre­do eu não em­pla­ca­ria nem de­la­ção pre­mi­a­da... po­xa, gen­te!

De ca­ra, des­ta­ca-se a voz de Tho­maz. Seu can­tar é afe­ti­vo. Su­as no­tas vem ami­gá­veis aos ou­vi­dos de quem o es­cu­ta. Ela vem acom­pa­nha­da por seu vi­o­lão, pe­la per­cus­são (os ar­ran­jos não têm ba­te­ria) e

pe­la flau­ta.

aqui­lesmpb4@gmail.com

Newspapers in Portuguese

Newspapers from Brazil

© PressReader. All rights reserved.