Cláu­su­la de bar­rei­ra e a de­mo­cra­cia bra­si­lei­ra

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O Se­na­do apro­vou, quar­ta-fei­ra, por 58 vo­tos fa­vo­rá­veis e 13 con­trá­ri­os, uma Pro­pos­ta de Emen­da à Cons­ti­tui­ção (PEC) al­te­ran­do par­ci­al­men­te o sis­te­ma po­lí­ti­co bra­si­lei­ro. Em sín­te­se, es­ta­be­le­ceu uma cláu­su­la de de­sem­pe­nho elei­to­ral pa­ra que os par­ti­dos po­lí­ti­cos te­nham aces­so ao fun­do par­ti­dá­rio e ao tem­po gra­tui­to de te­le­vi­são.

Uma mu­dan­ça sig­ni­fi­ca­ti­va que po­de­rá ser in­tro­du­zi­da na hi­pó­te­se de apro­va­ção de­fi­ni­ti­va da PEC é o fim das co­li­ga­ções pa­ra elei­ções pro­por­ci­o­nais (de­pu­ta­dos e ve­re­a­do­res). Atu­al­men­te, é per­mi­ti­da a co­li­ga­ção en­tre os par­ti­dos pa­ra ele­ger de­pu­ta­dos e ve­re­a­do­res. Por es­se sis­te­ma, os vo­tos ob­ti­dos pe­las si­glas são so­ma­dos e se ele­gem os can­di­da­tos mais vo­ta­dos da co­li­ga­ção.

A cláu­su­la de de­sem­pe­nho es­ta­be­le­ce co­mo re­qui­si­tos aos par­ti­dos a par­tir da elei­ção de 2018 a ob­ten­ção de pe­lo me­nos 2% dos vo­tos vá­li­dos pa­ra de­pu­ta­do fe­de­ral em to­do o país, além da con­quis­ta de 2% dos vo­tos pa­ra de­pu­ta­do fe­de­ral em, no mí­ni­mo, 14 uni­da­des da fe­de­ra­ção.

No en­tan­to, a par­tir das elei­ções de 2022, a ta­xa mí­ni­ma de vo­tos apu­ra­dos na­ci­o­nal­men­te se­rá de 3%, man­ti­da a ta­xa de 2% em pe­lo me­nos 14 uni­da­des fe­de­ra­ti­vas.

Cum­pre des­ta­car, por opor­tu­no, que a PEC es­ta­be­le­ce que os par­ti­dos que não al­can­ça­rem os re­qui­si­tos mí­ni­mos po­de­rão se unir nas cha­ma­das fe­de­ra­ções de par­ti­dos. Nes­sa hi­pó­te­se, os par­ti­dos fun­ci­o­na­rão co­mo um blo­co, uni­dos do iní­cio da le­gis­la­tu­ra até a vés­pe­ra da da­ta de iní­cio das con­ven­ções par­ti­dá­ri­as pa­ra as elei­ções se­guin­tes, po­den­do, in­clu­si­ve, ter aces­so às ver­bas par­ti­dá­ri­as e ao tem­po de te­le­vi­são, di­vi­di­dos en­tre as le­gen­das se­gun­do a pro­por­ção de vo­tos ob­ti­dos na elei­ção.

Por se tra­tar de uma emen­da à Cons­ti­tui­ção, a PEC ain­da pre­ci­sa ser apro­va­da em se­gun­do tur­no pe­lo Se­na­do e, pos­te­ri­or­men­te, apro­va­da em dois tur­nos na Câ­ma­ra dos De­pu­ta­dos. A pre­vi­são é de que a no­va vo­ta­ção no Se­na­do ocor­ra no dia 23 de no­vem­bro. Se apro­va­da, per­de­rão fun­ci­o­na­men­to os par­ti­dos PPS; PROS; PV; PC do B; PEN; PHS; PRP; PRTB; PSL; PSOL; PT do B; Re­de; PTN; e PMB.

Com a mu­dan­ça, par­ti­dos sig­ni­fi­ca­ti­vos no as­pec­to dog­má­ti­co e de im­por­tan­te re­pre­sen­ta­ti­vi­da­de na ce­na po­lí­ti­ca bra­si­lei­ra co­mo PC do B, PSOL e PV não te­rão fun­ci­o­na­men­to, ne­ces­si­tan­do, des­sa for­ma, for­mar blo­cos fe­de­ra­li­za­dos. Se­rá um ris­co pa­ra a de­mo­cra­cia bra­si­lei­ra?

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