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Correio da Bahia - - Vida -

nha mui­tas dú­vi­das... Por­que, ape­sar de o samba-reg­gae es­tar em meu cor­po, não era exa­ta­men­te aqui­lo que eu que­ria fa­zer”, ex­pli­ca.

E tem mais: em sua bus­ca, Na­ra cur­sou fi­si­o­te­ra­pia. “Mas lar­guei e fui de bra­ços aber­tos pa­ra a ar­te”, con­ta.

ANCESTRAL

Foi nes­se pro­ces­so que Na­ra re­sol­veu unir o con­tem­po­râ­neo ao ancestral e re­cu­pe­rar uma pes­qui­sa ini­ci­a­da em 2003 so­bre rit­mos afri­ca­nos de paí­ses com os qu­ais ela se iden­ti­fi­ca­va: An­go­la, Se­ne­gal, Ca­bo Ver­de e To­go. “A mú­si­ca, prin­ci­pal­men­te aqui na Bahia, ain­da tem o re­ceio de sair do lu­gar-co­mum, da­que­la ideia de que o pú­bli­co não vai gos­tar se vo­cê não fi­zer al­go pa­ra dan­çar”, afir­ma.

De­sa­fio acei­to, ela cri­ou Ou­tras Áfri­cas, que reú­ne can­ções in­ter­pre­ta­das por Miriam Ma­ke­ba, Ce­sá­ria Évo­ra e Sa­ra Tavares, além de mú­si­cas de Ro­ber­to Men­des, Ca­pi­nan, Car­li­nhos Brown e Jar­bas Bi­ten­court. Ama­nhã, ela apre­sen­ta o show no Te­a­tro Vi­la Ve­lha, às 20h, no encerramento do Fes­ti­val A Ce­na Tá Pre­ta.

Ago­ra, o in­te­res­se de Na­ra é unir o con­tem­po­râ­neo e o ancestral, Bahia e Áfri­ca. “Tem uma mú­si­ca de Seu Ma­teus (Ale­luia) que re­su­me um pou­co is­so: ‘Cer­te­za que eu sou da­qui/ De ver­da­de eu tam­bém sou de lá/ Mas meu la­do tam­bém é aqui, Bahia/ E o ou­tro la­do da Bahia vem da Áfri­ca’”, can­ta­ro­la, ao con­fes­sar que tem uma sé­rie de can­ções do com­po­si­tor ca­cho­ei­ra­no, não gra­va­das por ele, na ga­ve­ta. “Es­tão to­das na cai­xi­nha, es­pe­ran­do”, avi­sa.

Pa­ra o ano que vem, Na­ra pla­ne­ja um no­vo ál­bum e um no­vo pro­je­to so­lo de dan­ça que tra­te so­bre as do­res das mu­lhe­res ne­gras. O pon­ta­pé ini­ci­al pa­ra o pro­je­to mu­si­cal já foi da­do com o lan­ça­men­to do sin­gle Lin­da e Pre­ta.

“Lin­da e Pre­ta fa­la mais de mim que do tra­ba­lho pro­pri­a­men­te di­to, é um hi­no de dis­cur­so de for­ta­le­ci­men­to des­sa be­le­za nos­sa. Ho­je em dia, olho no es­pe­lho e me acho ma­ra­vi­lho­sa. Nun­ca que eu ia usar o meu ca­be­lo as­sim há 20 anos. Aos 12, eu usei o Soft She­en (um ti­po de quí­mi­ca) por­que que­ria ter o ca­be­lo ca­che­a­do do Mi­cha­el Jack­son. O ser bo­ni­to não era es­se ca­be­lo”, lem­bra.

No cli­pe, di­ri­gi­do pe­lo pri­mo Lá­za­ro Ra­mos e por Elí­sio Lo­pes Jú­ni­or, Na­ra Cou­to can­ta a be­le­za da mu­lher ne­gra bra­si­lei­ra, com ele­men­tos do jazz, re­fe­rên­ci­as so­no­ras afri­ca­nas e um to­que per­cus­si­vo bai­a­no, em ar­ran­jo as­si­na­do por Jor­ge So­lo­ve­ra. “Na­ra é uma guer­rei­ra, co­mo to­da mu­lher ne­gra. E a es­co­lha pe­la ar­te com dis­cur­so, sem abrir mão de uma es­té­ti­ca re­bus­ca­da, con­tem­po­râ­nea, é uma ou­sa­dia”, co­men­ta Elí­sio.

De acor­do com Lá­za­ro Ra­mos, que con­vi­veu com Na­ra du­ran­te a in­fân­cia e acom­pa­nhou a car­rei­ra ar­tís­ti­ca de­la des­de o iní­cio, o in­te­res­se em di­ri­gir o cli­pe foi ime­di­a­to. “Foi um pra­zer ten­tar mos­trar os va­lo­res que ela que­ria: a au­to­es­ti­ma, sua ori­gem no bair­ro da Li­ber­da­de. Es­tou doi­do já pa­ra di­ri­gir o pró­xi­mo”, con­fes­sa o ator, aos ri­sos.

FORTALEZA

Na­ra acre­di­ta que o tempo ain­da lhe re­ser­va mui­tas coi­sas. “Não o tempo nos­so, o tempo de­les, dos ori­xás”, diz. Ini­ci­a­da des­de o iní­cio do ano no can­dom­blé, Na­ra re­ce­beu um con­vi­te pa­ra vi­ver uma mãe de san­to na no­ve­la Ve­lho Chi­co e gra­vou três ce­nas ao la­do de Ca­mi­la Pi­tan­ga. “Ini­ci­ei no iní­cio do ano, em Bar­ra de Po­ju­ca, na Ca­sa do Men­sa­gei­ro, e foi in­crí­vel, por­que é al­go que só se equi­pa­ra ao nas­ci­men­to de um fi­lho. Vo­cê nas­ce de no­vo! Sou Fo­mo de Ie­man­já. Sua vi­da to­da mu­da, e ao mes­mo tempo não mu­da. Vo­cê per­ce­be que as coi­sas podem se­guir ou­tro ca­mi­nho. É o co­me­ço!”, comemora.

OU­TRAS ÁFRI­CAS Na­ra Cou­to

ON­DE Te­a­tro Vi­la Ve­lha

QU­AN­DO Ama­nhã, às 20h

IN­GRES­SOS R$ 30| R$ 15; à ven­da na bi­lhe­te­ria do lo­cal e no si­te in­gres­so­ra­pi­do.com

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