Se­te são pre­sos em ope­ra­ção do MP que in­ves­ti­ga frau­des em li­ci­ta­ções

Correio da Bahia - - Bahia -

CARTEL Lí­de­res de pe­lo me­nos 15 em­pre­sas de ser­vi­ços grá­fi­cos, com se­de em Sal­va­dor e em Lau­ro de Frei­tas, fo­ram pre­sos ou con­du­zi­dos a pres­tar de­poi­men­to ao Mi­nis­té­rio Pú­bli­co na ma­nhã de on­tem. Eles são acu­sa­dos de for­mar um cartel que vi­nha frau­dan­do li­ci­ta­ções no ser­vi­ço pú­bli­co e con­cor­rên­ci­as em em­pre­sas pri­va­das há cer­ca de 20 anos. De acor­do com o pro­mo­tor pú­bli­co e co­or­de­na­dor do Gru­po de Atu­a­ção Es­pe­ci­al de Com­ba­te às Or­ga­ni­za­ções Cri­mi­no­sas e In­ves­ti­ga­ções Cri­mi­nais (Ga­e­co), Lu­ci­a­no Ta­ques, do Mi­nis­té­rio Pú­bli­co Es­ta­du­al (MP-BA), a mé­dia de su­per­fa­tu­ra­men­to dos con­tra­tos era de 20%. Se­gun­do o MP, não há in­dí­ci­os ain­da da par­ti­ci­pa­ção de ser­vi­do­res pú­bli­cos na frau­de. “O que se per­ce­beu até o mo­men­to é que o cartel fun­ci­o­na­va de ma­nei­ra mui­to au­tos­su­fi­ci­en­te. Eles con­se­gui­am, en­tre si, com­bi­nar os pre­ços e já che­gar com as pro­pos­tas pron­tas e pré-for­ma­ta­das nas ses­sões de jul­ga­men­to, de for­ma que na mai­o­ria dos ca­sos, se­quer era ne­ces­sá­ria a par­ti­ci­pa­ção do po­der pú­bli­co”, afir­mou Ta­ques. De acor­do com ele, es en­vol­vi­dos se pro­gra­ma­vam com an­te­ce­dên­cia ao pre­gão pre­sen­ci­al e com­bi­na­vam um va­lor a ser apre­sen­ta­do. Uma das em­pre­sas do cartel ven­cia a dis­pu­ta já com su­per­fa­tu­ra­men­to, que era di­vi­di­do en­tre as ou­tras em­pre­sas. O Mi­nis­té­rio Pú­bli­co cons­ta­tou ain­da que mui­tas das em­pre­sas in­te­gran­tes do cartel eram de fachada. O va­lor to­tal mo­vi­men­ta­do pe­lo gru­po es­tá sen­do ve­ri­fi­ca­do, mas po­de che­gar a mi­lhões de re­ais. “As frau­des eram fei­tas em ór­gãos es­ta­du­ais e mu­ni­ci­pais de to­das as re­giões do es­ta­do”, dis­se o pro­mo­tor. Dos oi­to man­da­dos de pri­são, se­te fo­ram cum­pri­dos, sen­do cin­co na ca­pi­tal e dois em Lau­ro de Frei­tas. Uma pes­soa é con­si­de­ra­da fo­ra­gi­da. Não fo­ram di­vul­ga­dos os no­mes dos pre­sos nem de su­as em­pre­sas. O pro­mo­tor tam­bém não de­ta­lhou quais pre­fei­tu­ras fo­ram le­sa­das pe­lo gru­po, mas ex­pli­cou que há im­pac­to na saú­de, na edu­ca­ção, no se­tor de obras e tam­bém na se­gu­ran­ça pú­bli­ca. Além das pri­sões, fo­ram cum­pri­das se­te con­du­ções co­er­ci­ti­vas e 21 man­da­dos de bus­ca e apre­en­são. Dos se­te man­da­dos de con­du­ção co­er­ci­ti­va, seis fo­ram cum­pri­dos em Sal­va­dor e um em Ara­ca­ju (SE). De acor­do com o pro­mo­tor Lu­ci­a­no Ta­ques, es­te úl­ti­mo foi cum­pri­do com apoio do Ga­e­co do MP-SE, de­pois que a in­ves­ti­ga­ção per­ce­beu que o al­vo ha­via vi­a­ja­do pa­ra Ara­ca­ju, com o ob­je­ti­vo de frau­dar uma li­ci­ta­ção na ca­pi­tal ser­gi­pa­na. En­tre as apre­en­sões es­tão do­cu­men­tos, com­pu­ta­do­res, te­le­fo­nes ce­lu­la­res e até uma ar­ma de fo­go, apre­en­di­da em Sal­va­dor. Os in­te­gran­tes do gru­po se­rão in­di­ci­a­dos por frus­tra­ção da li­ci­tu­de de pro­ces­sos li­ci­ta­tó­ri­os, for­ma­ção de cartel, fal­si­da­de do­cu­men­tal e por­te ile­gal de ar­ma.

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