PM e de­le­ga­da anun­ci­am ter­re­nos

Correio da Bahia - - Mais -

Bas­ta uma cir­cu­la­da pe­la área to­ma­da pe­los in­va­so­res, no Li­to­ral Nor­te, pa­ra cons­ta­tar que o es­pa­ço es­tá to­do lo­te­a­do. De for­ma im­pro­vi­sa­da, cer­cas e es­ta­cas se­pa­ram as fa­ti­as de terra e dão a fal­sa im­pres­são de que ali tem do­no. Na ver­da­de, até tem. Mas não são aque­les que es­tão anun­ci­a­dos nas cen­te­nas de pla­cas es­pa­lha­das pe­los ter­re­nos. Fo­tos re­gis­tra­das pe­lo CORREIO e pe­la for­ça-ta­re­fa da pre­fei­tu­ra de Ca­ma­ça­ri mos­tram a que pon­to che­ga a ou­sa­dia dos in­va­so­res, que fa­zem ga­to de água e luz e até abrem ru­as - al­gu­mas até têm no­me, co­mo a 3 Di­maio (sic).

Mas na­da cha­ma mais a aten­ção que as pla­cas com os nú­me­ros de ce­lu­la­res dos pro­pri­e­tá­ri­os. “Eli­as, não en­tre!”. “Área res­tri­ta”. “Pri­o­ri­da­de par­ti­cu­lar. Não en­tre!”, di­zem as ins­cri­ções. Os pre­ten­sos do­nos de al­guns ter­re­nos são ain­da mais cu­ri­o­sos. Uma das pla­cas in­di­ca que o ter­re­no se­ria de um sol­da­do da PM. Va­le lem­brar que mo­ra­do­res da re­gião in­for­ma­ram que há po­li­ci­ais en­vol­vi­dos nas in­va­sões. “Pro­pri­e­da­de par­ti­cu­lar. SD Sa­les. 23ª CIPM”, diz a pla­ca, des­ta­can­do até a Com­pa­nhia In­de­pen­den­te da Po­lí­cia Mi­li­tar à qual o su­pos­to PM faria par­te. Pas­san­do-se co­mo in­te­res­sa­do em fa­zer ne­gó­cio, li­ga­mos pa­ra o nú­me­ro que es­tá des­ta­ca­do na pla­ca. A li­ga­ção foi fei­ta após uma das ações da pre­fei­tu­ra der­ru­bá-la jun­to com os 40 imó­veis que ha­vi­am si­do er­gui­dos no lo­cal.

- Ami­go, é so­bre um ter­re­no em Arembepe...

- On­de é o ter­re­no? - Pas­san­do de Arembepe, an­tes do Con­do­mí­nio Pla­ne­ta Água...

- Te­nho den­tro do con­do­mí­nio...

- Mas tem uma pla­ca: “Sol­da­do Sa­les”

- Não, não... Tem al­gu­ma coisa er­ra­da.

- É Sa­les que es­tá fa­lan­do? - Não é Sa­le, não. É al­gum en­ga­no. Tem al­gu­ma coisa er­ra­da...

Em se­gui­da, li­ga­mos pa­ra ou­tro nú­me­ro. Ele es­ta­va em uma pla­ca que su­ge­ria que o ter­re­no per­ten­cia a uma de­le­ga­da. A pla­ca tam­bém já ha­via si­do der­ru­ba­da e o lo­te “es­tou­ra­do” por uma ope­ra­ção da pre­fei­tu­ra. Da mes­ma for­ma, nos pas­sa­mos co­mo com­pra­do­res. Des­sa vez, uma mulher aten­deu à li­ga­ção e dis­se des­co­nhe­cer o anún­cio. - De­le­ga­da?

- Qu­em fa­la?

- Oi, de­le­ga­da. É so­bre um ter­re­no em Arembepe...

- O que tem? Des­co­nhe­ço. Em se­gui­da, a mulher des­li­gou o te­le­fo­ne.

Em no­ta, a as­ses­so­ria da Po­lí­cia Mi­li­tar in­for­mou que a Cor­re­ge­do­ria da cor­po­ra­ção não re­ce­beu ne­nhu­ma de­nún­cia so­bre a par­ti­ci­pa­ção de po­li­ci­ais nas in­va­sões no Li­to­ral Nor­te. Mas, se­gun­do a co­mu­ni­ca­ção, a de­nún­cia “se­rá en­ca­mi­nha­da aos ór­gãos com­pe­ten­tes da cor­po­ra­ção pa­ra le­van­ta­men­tos de da­dos, iden­ti­fi­ca­ção e apu­ra­ção do fa­to”.

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