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Correio da Bahia - - Mais - Ha­ga­me­non Bri­to ha­ga­me­non.bri­to@re­de­bahia.com.br

Can­tor lan­ça ál­bum de iné­di­tas após 4 anos e faz show no Fes­ti­val de Ve­rão

O can­tor e com­po­si­tor pau­lis­ta Nando Reis, 53, lan­ça o seu pri­mei­ro ál­bum de iné­di­tas em qua­tro anos, o in­de­pen­den­te Jar­dim-Po­mar (Re­li­cá­rio), e re­a­fir­ma a con­di­ção de ser um dos me­lho­res au­to­res do pop bra­si­lei­ro con­tem­po­râ­neo.

O rui­vo sa­be con­ci­li­ar ro­man­tis­mo adul­to com uma so­no­ri­da­de folk rock que ele tem apri­mo­ra­do des­de o pri­mei­ro ál­bum so­lo (12 de Ja­nei­ro), em 1995, quan­do ain­da era bai­xis­ta e vo­ca­lis­ta da ban­da Ti­tãs.

O tem­po, na res­ta dú­vi­da, só me­lho­rou a es­té­ti­ca de Nando, que se apre­sen­ta dia 10 de de­zem­bro no Fes­ti­val de Ve­rão, na Are­na Fon­te No­va, num show de 60 mi­nu­tos ade­qua­do a even­tos do gênero: ou se­ja, re­che­a­do de hits, in­cluin­do ine­vi­tá­veis ba­la­das pa­ra se­rem en­to­a­das em co­ro pe­la mul­ti­dão.

Nas le­tras, por exem­plo, o com­po­si­tor se­gue fa­lan­do de amor e ques­tões exis­ten­ci­ais com uma ha­bi­li­da­de bem aci­ma da mé­dia no pop bra­si­lei­ro. "Di­zem que eu fa­lo de for­ma le­ve so­bre te­mas com­ple­xos", diz, por te­le­fo­ne, brin­can­do com um lu­gar-co­mum que a crítica mu­si­cal es­cre­ve so­bre seu tra­ba­lho.

"Não ne­ces­sa­ri­a­men­te es­cre­vo so­bre o que vi­vo, mas mi­nhas le­tras são sem­pre na pri­mei­ra pes­soa e gos­to mui­to de fa­lar de amor. Fa­lar de amor é uma for­ma de fa­lar so­bre a vi­da", con­ta.

MUSAS

Pa­ra a sua mulher, Vâ­nia Passos, que ele co­nhe­ce há 36 anos e com qu­em já vi­veu se­pa­ra­ções e re­en­con­tros, Nando Reis de­di­ca as be­las 4 de Mar­ço e Só Pos­so Di­zer, que tem du­as ver­sões - uma gra­va­da em São Pau­lo e ou­tra em Se­at­tle.

"Sim, Vâ­nia é mi­nha mu­sa. Mas, quan­do fa­ço uma de­cla­ra­ção de amor pa­ra ela, por mais pes­so­al que pos­sa ser, es­tou fa­lan­do da vi­da tam­bém, de gra­ti­dão por me pos­si­bi­li­tar vi­ver tu­do is­so, pe­la fa­mí­lia, pe­los nos­sos fi­lhos, é tu­do jun­to", re­ve­la.

E qu­em há de du­vi­dar de ver­sos sin­ce­ros co­mo "Ca­da um de nós tem o seu pró­prio jei­to de ser/ Mas tu­do que foi fei­to/ Só fi­ze­mos jun­tos/ Por­que você ou­viu a mi­nha, e eu, a sua voz"?

De ou­tra mu­sa sua, a gran­de can­to­ra Cás­sia El­ler (1962-2001), pa­ra qu­em compôs hits co­mo All Star, Nando Reis sen­te sau­da­de, mas de um mo­do fe­liz: "Sin­to fal­ta de­la, da nos­sa par­ce­ria, do que vi­ve­mos, mas ao mes­mo tem­po fi­co fe­liz pe­lo que vi­ve­mos tão in­ten­sa­men­te em pou­co tem­po. São lem­bran­ças fe­li­zes, é a me­lhor for­ma de lem­brar da Cás­sia".

PAR­CEI­ROS

Gra­va­do en­tre São Pau­lo e Se­at­tle, EUA, o dis­co tem dois pro­du­to­res ame­ri­ca­nos: Jack En­di­no (Nir­va­na, Sound­gar­den, Ti­tãs) e Bar­rett Mar­tin, ex-ba­te­ris­ta do Scre­a­ming Tre­es.

"Eles são ami­gos e tra­ba­lham jun­tos, mas têm mé­to­dos di­fe­ren­tes de pro­du­ção. Is­so deu uma per­so­na­li­da­de pró­pria pa­ra ca­da can­ção, mas às ve­zes é di­fí­cil lo­ca­li­zar is­so, pois tu­do es­tá mis­tu­ran­do no re­sul­ta­do ge­ral. É a gra­ça da coisa", ex­pli­ca.

Das 13 fai­xas de Jar­dim-Po­mar, ape­nas Cor­cór­dia não é iné­di­ta - foi gra­va­da ori­gi­nal­men­te em 2003 por El­za Soares. Já Co­mo So­mos é uma co­au­to­ria com Sa­mu­el Ro­sa, o ve­lho par­cei­ro da ban­da mi­nei­ra Skank.

Par­cei­ros mais ve­lhos ain­da do que Sa­mu­el Ro­sa apa­re­cem no co­ro de Azul de Pre­sun­to: Pau­lo Mi­klos, Branco Mel­lo, Ar­nal­do An­tes e Sér­gio Brit­to, além de Pitty, Luiza Pos­si, Tu­li­pa Ruiz e da fi­lha Zoe Reis.

"Nos de­mos con­ta que há 25 anos não nos reu­nía­mos em um es­tú­dio pa­ra gra­var jun­tos, des­de o Acús­ti­co, acho. E es­sa mú­si­ca lem­bra os Ti­tãs, com aque­le hu­mor da ban­da. Foi emo­ci­o­nan­te a gen­te gra­var jun­tos", diz.

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