Jo­vens são os mais afe­ta­dos pe­la cri­se econô­mi­ca, ava­lia Ipea

Correio da Bahia - - Economia -

TRA­BA­LHO Os mo­vi­men­tos do mer­ca­do de tra­ba­lho mos­tram que a cri­se econô­mi­ca atin­ge com mais in­ten­si­da­de os jo­vens, que têm mais di­fi­cul­da­de de con­se­guir em­pre­go e mais chan­ce de se­rem de­mi­ti­dos. A aná­li­se é do Ins­ti­tu­to de Pes­qui­sa Econô­mi­ca Apli­ca­da (Ipea), di­vul­ga­da on­tem na se­ção Mer­ca­do de Tra­ba­lho do blog da Car­ta de Con­jun­tu­ra. De abril a ju­nho des­te ano, ape­nas 25% dos de­sem­pre­ga­dos com ida­de en­tre 18 e 24 anos fo­ram re­co­lo­ca­dos no mer­ca­do, atin­gin­do um ní­vel bem abai­xo do ob­ser­va­do no iní­cio da pes­qui­sa em 2012, de 37%. As aná­li­ses são fei­tas com ba­se nos mi­cro­da­dos ex­traí­dos da Pes­qui­sa Na­ci­o­nal por Amos­tra de Do­mi­cí­li­os Con­tí­nua (Pnadc), di­vul­ga­da pe­lo Ins­ti­tu­to Bra­si­lei­ro de Ge­o­gra­fia e Es­ta­tís­ti­ca (IBGE). Os pes­qui­sa­do­res des­ta­cam que, além dis­so, en­tre os que per­de­ram o em­pre­go, o seg­men­to dos mais jo­vens for­ma o gru­po com mai­or per­da per­cen­tu­al de ocu­pa­ção. De 2012 a 2017, os tra­ba­lha­do­res com ida­de en­tre 18 e 24 anos que es­ta­vam ocu­pa­dos e fo­ram dis­pen­sa­dos, pas­sou de 5,2% pa­ra 7,2%.

“Os da­dos sa­la­ri­ais re­ve­lam que, além de re­ce­ber as me­no­res re­mu­ne­ra­ções, o gru­po dos tra­ba­lha­do­res mais jo­vens apre­sen­ta que­da de sa­lá­rio [de 0,5% na com­pa­ra­ção com o mes­mo pe­río­do de 2016]. Na ou­tra pon­ta, os em­pre­ga­dos com mais de 60 anos ele­va­ram em 14% seus ga­nhos sa­la­ri­ais, na mes­ma ba­se de com­pa­ra­ção”, diz o do­cu­men­to. De abril a ju­nho des­te ano, en­quan­to os em­pre­ga­dos com mais de 60 anos re­ce­be­ram, em mé­dia, R$ 2.881, aque­les com ida­de en­tre 18 e 24 anos ti­ve­ram re­mu­ne­ra­ção de R$ 1.122. Se­gun­do o Ipea, no se­gun­do tri­mes­tre, o país ti­nha apro­xi­ma­da­men­te 13,5 mi­lhões de de­so­cu­pa­dos, en­tre os quais 65% com me­nos de 40 anos. Ou­tra aná­li­se do Ipea com ba­se nos da­dos da Pnadc diz res­pei­to ao au­men­to da in­for­ma­li­da­de. Do to­tal de tra­ba­lha­do­res que es­ta­vam de­sem­pre­ga­dos e con­se­gui­ram uma nova co­lo­ca­ção no mer­ca­do no 2º tri­mes­tre, ape­nas 28% fo­ram con­tra­ta­dos pa­ra uma va­ga com car­tei­ra as­si­na­da. O em­pre­go sem car­tei­ra res­pon­deu por 43% das ab­sor­ções. Ou­tros 28% se tor­na­ram tra­ba­lha­do­res por con­ta pró­pria e 1% vi­ra­ram em­pre­ga­do­res. Se­gun­do o es­tu­do, de um to­tal de 1,3 mi­lhão de tra­ba­lha­do­res que fo­ram in­cor­po­ra­dos à po­pu­la­ção ocu­pa­da no 2º tri­mes­tre, 1 mi­lhão fo­ram ab­sor­vi­dos pe­lo mer­ca­do in­for­mal. A pes­qui­sa con­fir­ma a ten­dên­cia já apon­ta­da pe­lo IBGE de que é o au­men­to do tra­ba­lho in­for­mal que está fa­zen­do a ta­xa de de­sem­pre­go cair no país. Em ju­lho, o de­sem­pre­go caiu pa­ra 12,8%.

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