Catalunha, menos fac­toi­des

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A Catalunha ja­mais foi in­de­pen­den­te e a Cons­ti­tui­ção es­pa­nho­la foi aprovada com 74% dos vo­tos na re­gião.

Em 1º de ou­tu­bro, um re­fe­ren­do in­cons­ti­tu­ci­o­nal, de­cla­ra­do ile­gal e sus­pen­so pelo Tri­bu­nal Cons­ti­tu­ci­o­nal da Es­pa­nha em setembro de 2017 e pelo Par­la­men­to Espanhol por am­pla mai­o­ria, foi re­a­li­za­do ao ar­re­pio da lei pe­los in­de­pen­den­tis­tas da Catalunha. Li­de­ra­dos pe­la Catalunha Uni­da­de Po­pu­lar ( CUP), partido an­tis­sis­te­ma, an­ti-Eu­ro­pa, an­ti­eu­ro, an­tis­so­ci­e­da­de oci­den­tal, o mais ra­di­cal da Eu­ro­pa, que com ape­nas 8% dos vo­tos na úl­ti­ma elei­ção catalã de­fi­niu o no­me e o ru­mo do pre­si­den­te da Catalunha. Is­so porque seus vo­tos eram ne­ces­sá­ri­os pa­ra que a Es­quer­da Re­pu­bli­ca­na da Catalunha (ERC) e o Partido De­mo­crá­ti­co da Catalunha (PDCAT) for­mas­sem mai­o­ria.

Foi vo­ta­do em 1º de ou­tu­bro por ape­nas 36% a fa­vor, se­gun­do suas pró­pri­as con­ta­gens elei­to­rais, com ur­nas co­lo­ca­das na re­si­dên­cia de lí­de­res in­de­pen­den­tis­tas, cen­so elei­to­ral des­co­nhe­ci­do até a ho­ra da vo­ta­ção e de ori­gem des­co­nhe­ci­da até ho­je, ine­xis­tin­do cadeia de custódia das ur­nas. Vo­ta­ram 2.262.424 elei­to­res, em 10 ho­ras, em 1.969 ur­nas, o que in­di­ca 31,3 se­gun­dos por ci­clo de iden­ti­fi­ca­ção, re­gis­tro e voto, ve­lo­ci­da­de média enor­me e es­tra­nha, e so­bre­tu­do se le­var­mos em con­si­de­ra­ção que, se­gun­do os in­de­pen­den­tis­tas no mu­ni­cí­pio de Pa­lol de Re­var­dit, de 400 elei­to­res, em 10 ho­ras, vo­ta­ram 1.002 elei­to­res.

Pa­ra mu­dar leis im­por­tan­tes, em qual­quer de­mo­cra­cia, sem­pre se exi­ge quo­rum mínimo de 2/3 ou 3/5. Com 1/3 dos vo­tos não se mo­di­fi­ca nem con­ven­ção de con­do­mí­nio, no Bra­sil ou na Es­pa­nha. Com ape­nas perto de 1/3 dos vo­tos, apro­var uma lei mai­or, uma Declaração Uni­la­te­ral de In­de­pen­dên­cia (DUI), ile­gal e in­cons­ti­tu­ci­o­nal, tem sen­ti­do, ou de fa­to o que de­se­ja a CUP é aca­bar com o sis­te­ma de­mo­crá­ti­co, rom­per com a Eu­ro­pa e com o euro, num de­va­neio em di­re­ção ao abis­mo e à ra­di­ca­li­da­de?

Aos de­mais, ERC e PDCAT, mo­ve prin­ci­pal­men­te não pa­gar o que de­vem à Es­pa­nha, 52,5 bi­lhões de euros, e não ser so­li­dá­ri­os com as re­giões mais po­bres da Es­pa­nha, co­mo Ex­tre­ma­du­ra. Ao PDCAT e seus de­pu­ta­dos mo­ve tam­bém cri­ar uma “Justiça Catalã” que os li­vre das ações da Justiça es­pa­nho­la que já os pu­niu, pu­ne e obri­ga a de­vol­ver os 3% de co­mis­sões “cai­xa 2” so­bre as obras e con­tra­tos fir­ma­dos por dé­ca­das, du­ran­te suas inin­ter­rup­tas pre­si­dên­ci­as no go­ver­no ca­ta­lão.

Catalunha, País Bas­co, Ma­dri e Ba­le­a­res têm PIB per ca­pi­ta mai­or que 120% da média eu­ro­peia. Se a Catalunha sair da Es­pa­nha, o efei­to do­mi­nó afas­ta­rá os ou­tros três. Quem fi­ca­rá pa­ra aju­dar as mais po­bres re­giões da Es­pa­nha? A so­li­da­ri­e­da­de en­tre as re­giões é item bá­si­co pa­ra um país equi­li­bra­do e prós­pe­ro.

O estado de São Paulo, em 1932, tam­bém não que­ria ser so­li­dá­rio com o Nor­te/Nor­des­te. Per­deu, co­mo per­de­rão ago­ra es­se 1/3 de ca­ta­lães in­so­li­dá­ri­os. Res­pei­tar a Cons­ti­tui­ção e as leis é fun­da­men­tal pa­ra uma de­mo­cra­cia. A que lu­gar nos le­va­ria a fal­ta de so­li­da­ri­e­da­de in­ter­re­gi­o­nal e o des­res­pei­to às leis?

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