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Correio da Bahia - - Mais -

A pe­que­na Ma­e­tin­ga, no Su­do­es­te bai­a­no, tem um mo­vi­men­to in­co­mum de pes­so­as a ca­da dois anos. Tal flu­xo não tem ori­gem em pe­río­dos fes­ti­vos, mas elei­to­rais. A ex­pli­ca­ção pa­ra o fenô­me­no es­tá no no­vo le­van­ta­men­to da Con­fe­de­ra­ção Na­ci­o­nal dos Mu­ni­cí­pi­os (CNM), que co­lo­ca Ma­e­tin­ga en­tre as 231 ci­da­des do Bra­sil com mais pes­so­as ap­tas a vo­tar do que ha­bi­tan­tes. Na Bahia, há mais qua­tro ca­sos idên­ti­cos.

Em Ma­e­tin­ga, um ter­ço do1s elei­to­res não re­si­de na ci­da­de: são 6.736 de­les, con­tra 4.456 mo­ra­do­res. O nú­me­ro co­lo­ca o mu­ni­cí­pio na quar­ta po­si­ção na­ci­o­nal e na ter­cei­ra do Nordeste en­tre aque­les com mai­or di­fe­ren­ça en­tre elei­to­ra­do e po­pu­la­ção. Serra Pre­ta, se­gun­do no ran­king es­ta­du­al, fi­gu­ra na 14ª co­lo­ca­ção no Bra­sil, com va­ri­a­ção de 905 pes­so­as - são 16.941 elei­to­res, an­te 16.036 ha­bi­tan­tes.

La­je­dão, Po­ti­ra­guá e Ri­bei­rão do Lar­go com­ple­tam a lis­ta das cin­co ci­da­des bai­a­nas on­de o qua­dro se re­pe­te, se­gun­do a pes­qui­sa da CNM di­vul­ga­da on­tem. O lí­der do ran­king na­ci­o­nal é Ca­naã dos Ca­ra­jás, que fi­ca no Pa­rá e tem 3.857 elei­to­res a mais. No Nordeste, o pri­mei­ro co­lo­ca­do é Cu­ma­ru, em Per­nam­bu­co, com di­fe­ren­ça de 3.396.

Na bai­a­na La­je­dão, a di­fe­ren­ça é de 737 pes­so­as ap­tas a vo­tar (4.805 con­tra 4.068 mo­ra­do­res), en­quan­to em Po­ti­ra­guá a dis­cre­pân­cia é de 309 (8.747 con­tra 8.438). Ri­bei­rão do Lar­go, com 65 a mais, é o que tem me­nor va­ri­a­ção en­tre elei­to­ra­do e po­pu­la­ção (7.502 con­tra 7.437).

O le­van­ta­men­to le­va em conta da­dos mais atu­ais do Ins­ti­tu­to Bra­si­lei­ro de Ge­o­gra­fia e Es­ta­tís­ti­ca (IBGE) e o nú­me­ro di­vul­ga­do pe­lo Tri­bu­nal Su­pe­ri­or Elei­to­ral (TSE) no úl­ti­mo dia 31. Pa­ra o pre­si­den­te da CNM, Gla­de­mir Arol­di, a dis­pa­ri­da­de apre­sen­ta­da nas 231 ci­da­des po­de ser ex­pli­ca­da pe­los ca­sos de pes­so­as que dei­xam su­as ci­da­des, mas con­ti­nu­am vo­tan­do ne­las.

Pa­ra Arol­di, par­te da cul­pa é do IBGE, que, se­gun­do ele, su­bes­ti­ma a po­pu­la­ção de al­guns mu­ni­cí­pi­os. “Se por um la­do is­so po­de ser ex­pli­ca­do pe­la mo­bi­li­da­de das pes­so­as que man­têm o do­mi­cí­lio elei­to­ral em su­as ci­da­des de ori­gem, há tam­bém a re­cla­ma­ção cons­tan­te dos pre­fei­tos so­bre a conta po­pu­la­ci­o­nal do IBGE”, afir­ma.

O pre­fei­to de Ma­e­tin­ga, Ed­car­los Oli­vei­ra (PT), é um dos que re­cla­mam do ins­ti­tu­to. Se­gun­do ele, a po­pu­la­ção da ci­da­de é qua­se o do­bro da es­ti­ma­da. “Sem­pre le­va­mos a quei­xa ao IBGE e pe­di­mos que se­ja fei­ta uma re­con­ta­gem, mas até ago­ra na­da”, diz. En­tre­tan­to, re­co­nhe­ce tam­bém o mo­vi­men­to de pes­so­as que dei­xa­ram o mu­ni­cí­pio, mas ain­da vo­tam ne­le. “É co­mum no in­te­ri­or”, jus­ti­fi­ca.

Nas­ci­do em Serra-Pre­ta, mas mo­ra­dor de Sal­va­dor há 14 anos, o ele­tri­cis­ta Ni­val­do San­tos, 35 anos, ain­da é elei­tor da ter­ra na­tal. “Meus pais mo­ram lá, mi­nha fa­mí­lia to­da e mui­tos ami­gos. Acom­pa­nho a po­lí­ti­ca lo­cal e fa­ço ques­tão de ir vo­tar”, diz ele.

Pa­ra o TSE, a dis­tor­ção se de­ve à di­fe­ren­ça en­tre do­mi­cí­li­os elei­to­ral e ci­vil. Um é mais fle­xí­vel e le­va em conta la­ços afe­ti­vos. O ou­tro se ba­seia no lo­cal de­se­ja­do pa­ra mo­rar por de­fi­ni­ti­vo, sem que is­so se con­fi­gu­re frau­de.

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