Jo­vens­so­frem­com­de­sem­pre­go

Folha de Londrina Domingo - - OPINIÃO - Opi­ni­ao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br CHAR­GE

As fi­las que se for­mam fre­quen­te­men­te nas uni­da­des do Sis­te­ma Na­ci­o­nal de Em­pre­go (Si­ne) não es­con­dem a re­a­li­da­de. O desemprego cas­ti­ga o bra­si­lei­ro e o es­tra­go é mai­or ain­da en­tre a po­pu­la­ção mais jo­vem, que nos úl­ti­mos anos con­se­guiu adi­ar a en­tra­da no mer­ca­do de tra­ba­lho a fim de se de­di­car mais ao es­tu­do. Po­rém, ho­je, a si­tu­a­ção é bem di­fe­ren­te. A crise econô­mi­ca não pou­pa qu­em de­ve­ria es­tar ape­nas es­tu­dan­do ou no má­xi­mo tra­ba­lhan­do co­mo me­nor apren­diz. Foi em uma des­sas fi­las por em­pre­go que a re­por­ta­gem da FO­LHA en­con­trou pes­so­as mui­to jo­vens, com me­nos de 16 anos, a pro­cu­ra de uma ocu­pa- ção re­mu­ne­ra­da com o ob­je­ti­vo de aju­dar a com­pen­sar a perda de ren­da fa­mi­li­ar. As fa­mí­li­as bra­si­lei­ras es­tão mais po­bres e a ge­ra­ção que des­co­nhe­cia a in­fla­ção es­tá sen­tin­do os re­fle­xos da re­ces­são econô­mi­ca. Se os úl­ti­mos 10 anos fo­ram de es­ta­bi­li­da­de, 2016 che­gou mar­ca­do pe­las di­fi­cul­da­des, si­tu­a­ção que pi­o­ra com a in­cer­te­za política.

No úl­ti­mo ano, cres­ceu mui­to o nú­me­ro de ado­les­cen­tes e jo­vens à pro­cu­ra de uma ocu­pa­ção, ce­ná­rio apon­ta­do pe­la Pes­qui­sa Men­sal de Em­pre­gos do Ins­ti­tu­to Bra­si­lei­ro de Ge­o­gra­fia e Es­ta­tís­ti­ca (IBGE). His­to­ri­ca­men­te, o ín­di­ce de pes­so­as de­so­cu­pa­das nes­ta fai­xa etá­ria é sem­pre mai­or que a mé­dia ge­ral. O cres­ci­men­to da ta­xa, po­rém, in­di­ca que a crise es­tá an­te­ci­pan­do a en­tra­da dos mais no­vos no mer­ca­do de tra­ba­lho. Con­for­me o IBGE, em ja­nei­ro de 2015 a ta­xa de de­so­cu­pa­ção na fai­xa de 18 a 24 anos era de 12,9%. Um ano de­pois, atin­giu a mar­ca de 18,9%, uma al­ta de seis pon­tos per­cen­tu­ais. O desemprego au­men­tou em to­das as ida­des, mas em pro­por­ção bem me­nor, pou­co mais de 2%. No Pa­ra­ná a re­a­li­da­de não é di­fe­ren­te. Uma pes­qui­sa re­fe­ren­te ao ter­cei­ro tri­mes­tre de 2015, re­a­li­za­da tam­bém pe­lo IBGE, in­di­ca que o desemprego atin­giu 13% das pes­so­as na fai­xa etá­ria de 18 a 24 anos, o que to­ta­li­za um con­tin­gen­te de 111 mil jo­vens pro­cu­ran­do em­pre­go no pe­río­do. No ano an­te­ri­or, a ta­xa era de 9,1%.

O desemprego en­tre jo­vens tem uma con­sequên­cia atu­al, que são as di­fi­cul­da­des fi­nan­cei­ras pa­ra en­fren­tar as ne­ces­si­da­des ime­di­a­tas, mas tam­bém te­rá re­fle­xo no fu­tu­ro. Há o ris­co des­sa ge­ra­ção se tor­nar me­nos qua­li­fi­ca­da, com as di­fi­cul­da­des de en­con­trar es­tá­gi­os e bo­as opor­tu­ni­da­des de en­tra­da no mer­ca­do de tra­ba­lho. A mag­ni­tu­de des­se pro­ble­ma de­pen­de­rá do tem­po que o País le­va­rá pa­ra se re­er­guer. Po­der Exe­cu­ti­vo e Con­gres­so pre­ci­sam en­con­trar uma so­lu­ção ur­gen­te e de­fi­ni­ti­va pa­ra o qua­dro econô­mi­co, ca­so con­trá­rio, a in­fla­ção al­ta e a re­ces­são ten­dem a agra­var ain­da mais o desemprego.

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