Folha de S.Paulo

Rei­no Uni­do se pre­pa­ra pa­ra dei­xar lock­down

Pla­no de va­ci­na­ção e blo­queio na­ci­o­nal rí­gi­do há 49 di­as le­va­ram a tom­bo nas in­fec­ções de Co­vid

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Bo­ris John­son de­ta­lhou os pri­mei­ros pas­sos da saí­da gra­du­al do lock­down na In­gla­ter­ra, que ser­vi­rão de ba­se pa­ra os de­mais paí­ses do Rei­no Uni­do. Des­de o iní­cio das res­tri­ções, em ja­nei­ro, hou­ve que­da de cer­ca de 81% nos ca­sos em bri­tâ­ni­cos.

bau­ru (sp) O pre­miê bri­tâ­ni­co, Bo­ris John­son, de­ta­lhou nes­ta se­gun­da (22) co­mo se­rão os pri­mei­ros pas­sos da saí­da gra­du­al do lock­down im­pos­to na In­gla­ter­ra pa­ra con­ter o avan­ço do co­ro­na­ví­rus. As di­re­tri­zes tam­bém de­vem ser­vir de ba­se pa­ra os de­mais paí­ses que for­mam o Rei­no Uni­do.

A par­tir de 8 de mar­ço, as es­co­las de­vem re­a­brir e, no fim do pró­xi­mo mês, en­con­tros en­tre ami­gos e fa­mi­li­a­res se­rão per­mi­ti­dos, co­mo re­sul­ta­do de uma que­da nos ca­sos de Co­vid-19, au­xi­li­a­da por uma das cam­pa­nhas de va­ci­na­ção mais rá­pi­das do mun­do.

“Nos­sa pri­o­ri­da­de sem­pre foi tra­zer as cri­an­ças de vol­ta à es­co­la, que sa­be­mos ser cru­ci­al pa­ra sua edu­ca­ção e be­mes­tar. Tam­bém pri­o­ri­za­re­mos ma­nei­ras de as pes­so­as se reu­ni­rem com seus en­tes que­ri­dos com se­gu­ran­ça”, es­cre­veu Bo­ris, em uma pu­bli­ca­ção no Twit­ter, an­tes de apre­sen­tar seu pro­je­to ao Par­la­men­to.

Com mais de 120 mil mor­tes por Co­vid-19, o Rei­no Uni­do é o quin­to país com o mai­or nú­me­ro de óbi­tos no mun­do, atrás de Es­ta­dos Uni­dos, Bra­sil, Mé­xi­co e Ín­dia. Mas o rit­mo ace­le­ra­do das va­ci­na­ções as­so­ci­a­do a um rí­gi­do blo­queio na­ci­o­nal —o ter­cei­ro do ti­po na In­gla­ter­ra, que já du­ra 49 di­as— co­la­bo­rou pa­ra uma que­da sig­ni­fi­ca­ti­va no nú­me­ro de no­vas in­fec­ções.

Quan­do Bo­ris de­cre­tou o blo­queio, em 4 de ja­nei­ro, a mé­dia mó­vel de ca­sos diá­ri­os bei­ra­va os 55 mil. Cin­co di­as de­pois, al­can­çou 59 mil, o mai­or já re­gis­tra­do no país des­de o iní­cio da pan­de­mia.

A par­tir de en­tão, ini­ci­ou-se um de­clí­nio acen­tu­a­do na cur­va de in­fec­ções e, se­gun­do os da­dos mais re­cen­tes com­pi­la­dos pe­la Uni­ver­si­da­de Johns Hop­kins, a mé­dia mó­vel es­ta­va em 11.200 no úl­ti­mo sá­ba­do (20) —o que re­pre­sen­ta uma que­da de apro­xi­ma­da­men­te 81% no pe­río­do men­ci­o­na­do.

Ain­da as­sim, o pre­miê bri­tâ­ni­co tem ado­ta­do uma pos­tu­ra mais cui­da­do­sa se com­pa­ra­da ao que se viu no pas­sa­do. “Nos­sas de­ci­sões se­rão to­ma­das com ba­se nos da­dos mais re­cen­tes em ca­da eta­pa e se­re­mos cau­te­lo­sos quan­to a es­sa abor­da­gem pa­ra não des­fa­zer o pro­gres­so que al­can­ça­mos até ago­ra e os sa­cri­fí­ci­os que ca­da um de vo­cês fez pa­ra se man­te­rem se­gu­ros.”

Em­bo­ra al­guns de­ta­lhes do pla­no, co­mo a re­a­ber­tu­ra das es­co­las, já ti­ves­sem si­do an­te­ci­pa­dos por mi­nis­tros, o pre­miê apre­sen­tou o pro­je­to com­ple­to ao Par­la­men­to na tar­de des­ta se­gun­da. Au­to­ri­da­des da Es­có­cia, País de Ga­les e Ir­lan­da do Nor­te, que são res­pon­sá­veis por su­as pró­pri­as po­lí­ti­cas de saú­de pú­bli­ca, tam­bém de­vem ali­vi­ar as res­tri­ções nos pró­xi­mos me­ses.

O ro­tei­ro pro­pos­to por Bo­ris tem qu­a­tro es­tá­gi­os, com in­ter­va­los de cin­co se­ma­nas en­tre eles. A eta­pa fi­nal, quan­do qua­se to­das as res­tri­ções es­ta­rão sus­pen­sas, de­ve co­me­çar, no mí­ni­mo, em 21 de ju­nho.

Es­ses in­ter­va­los já ha­vi­am si­do anun­ci­a­dos pre­vi­a­men­te pe­lo mi­nis­tro da Saú­de bri­tâ­ni­co, Matt Han­cock. Se­gun­do ele, as pau­sas ser­vi­rão pa­ra re­a­va­li­ar pos­sí­veis im­pac­tos dos re­la­xa­men­tos, de mo­do que o cro­no­gra­ma po­de ser al­te­ra­do de acor­do com o ce­ná­rio epi­de­mi­o­ló­gi­co do país.

Ao Par­la­men­to, Bo­ris dis­se que não há um ca­mi­nho con­fiá­vel pa­ra um Rei­no Uni­do li­vre da Co­vid-19, ou mes­mo um mun­do li­vre da do­en­ça.

No en­tan­to, se­gun­do o pre­miê, o país não po­de “per­sis­tir in­de­fi­ni­da­men­te com res­tri­ções que de­bi­li­tam nos­sa eco­no­mia, nos­so bem-es­tar fí­si­co e men­tal e as chan­ces de vi­da dos nos­sos fi­lhos”.

“E é por is­so que é tão im­por­tan­te que es­se ro­tei­ro se­ja cau­te­lo­so, mas tam­bém ir­re­ver­sí­vel”, pros­se­guiu. “Es­ta­mos ini­ci­an­do o que es­pe­ro e acre­di­to que se­ja uma es­tra­da de mão úni­ca pa­ra a li­ber­da­de.”

Es­co­las se­rão re­a­ber­tas em 8 de mar­ço, quan­do se­rá pos­sí­vel du­as pes­so­as de fa­mí­li­as di­fe­ren­tes vol­ta­rem a se en­con­trar. A par­tir de 29 de mar­ço, se­rá pos­sí­vel se en­con­trar com fa­mi­li­a­res em par­ques e pra­ti­car es­por­tes ao ar li­vre.

Ca­be­lei­rei­ros e lo­jas não es­sen­ci­ais e lu­ga­res que ser­vem re­fei­ções ao ar li­vre re­a­brem a par­tir de 12 de abril. Res­tau­ran­tes e pubs po­de­rão aten­der em am­bi­en­tes fe­cha­dos a par­tir de 17 de maio. Até seis pes­so­as de du­as fa­mí­li­as po­de­rão se en­con­trar den­tro de ca­sa.

Vi­a­gens in­ter­na­ci­o­nais não es­sen­ci­ais con­ti­nu­am proi­bi­das até 17 de maio, pe­lo me­nos. O go­ver­no es­pe­ra que to­das as res­tri­ções a con­ta­tos so­ci­ais es­te­jam en­cer­ra­das em 21 de ju­nho, da­ta em que ca­sas no­tur­nas po­de­rão re­a­brir.

O pre­miê afir­mou que os bri­tâ­ni­cos, no lon­go pra­zo, de­ve­rão apren­der a con­vi­ver com a Co­vid-19 da mes­ma for­ma que apren­de­ram a con­vi­ver com a gri­pe. No dis­cur­so aos par­la­men­ta­res, ele lou­vou a ca­pa­ci­da­de do país pa­ra a pro­du­ção de va­ci­nas e bus­cou ame­ni­zar as pre­o­cu­pa­ções acer­ca da efi­cá­cia con­tra as va­ri­an­tes do co­ro­na­ví­rus.

Bo­ris tem en­fren­ta­do du­pla pres­são no pro­ces­so de re­a­ber­tu­ra. De um la­do, co­le­gas do Par­ti­do Con­ser­va­dor in­sis­tem em uma re­to­ma­da da eco­no­mia pa­ra re­cu­pe­rar a per­da es­ti­ma­da em US$ 3 tri­lhões (R$ 16,5 tri), a pi­or do país em 300 anos. De ou­tro, a co­mu­ni­da­de ci­en­tí­fi­ca te­me no­vas on­das de con­ta­mi­na­ção por co­ro­na­ví­rus se o fim do lock­down for ace­le­ra­do de­mais.

Es­pe­ra-se que Bo­ris tam­bém con­di­ci­o­ne a fle­xi­bi­li­za­ção a fa­to­res co­mo a ve­lo­ci­da­de e o su­ces­so do pro­gra­ma de imu­ni­za­ção, os ín­di­ces de in­fec­ção e o im­pac­to pro­vo­ca­do pe­las va­ri­an­tes.

O Rei­no Uni­do apli­cou cer­ca de 18,2 mi­lhões de do­ses da va­ci­na con­tra a Co­vid-19 até o úl­ti­mo sá­ba­do (20), o que co­lo­ca o país atrás ape­nas de Es­ta­dos Uni­dos, Chi­na e União Eu­ro­peia no ran­king que com­pa­ra o nú­me­ro ab­so­lu­to de do­ses apli­ca­das.

Já na lis­ta pro­por­ci­o­nal ao ta­ma­nho de ca­da po­pu­la­ção, o Rei­no Uni­do apa­re­ce na ter­cei­ra po­si­ção, lo­go após Is­ra­el e Emi­ra­dos Ára­bes Uni­dos.

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Han­nah McKay/Reu­ters Mu­lher en­tra em ôni­bus em Lon­dres; Bo­ris John­son anun­cia re­a­ber­tu­ra de es­co­las em mar­ço e sus­pen­são to­tal de res­tri­ções em ju­nho
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