BA­CIO DI LAT­TE

En­tre­vis­ta­dos com cur­so su­pe­ri­or (15%) e da clas­se A (18%) es­tão en­tre os que pre­fe­rem a ‘ge­la­te­ria’, de ins­pi­ra­ção ita­li­a­na, nas­ci­da na rua Os­car Freire

Folha De S.Paulo - Saopaulo - - Índice #337 - por Ma­gê Flo­res

Omes­tre-sor­ve­tei­ro ita­li­a­no Pi­no Sca­rin­gel­la cos­tu­ma di­zer: “Até os gran­des, os po­de­ro­sos do mun­do, di­an­te de uma vi­tri­ne de sor­ve­te, vol­tam a ser cri­an­ças”. Pois nes­ta sor­ve­te­ria, lí­der em men­ções na pes­qui­sa Da­ta­fo­lha (10%), as cri­an­ças fa­zem fi­la na por­ta quan­do o dia es­tá quen­te. E não dei­xam de ir se es­tá frio —ain­da mais den­tro do shop­ping, on­de o termô­me­tro es­tá sem­pre aci­ma dos 20°C (uma be­la sa­ca­da dos pro­pri­e­tá­ri­os).

A Ba­cio di Lat­te, ape­sar do jei­tão ita­li­a­no, nas­ce mes­mo em São Pau­lo, na rua Os­car Freire. Cla­ro, há um re­pre­sen­tan­te do país na his­tó­ria. O cri­a­dor da mar­ca, acos­tu­ma­do com os ge­la­tos de sua in­fân­cia, in­ves­tiu no ra­mo as­so­ci­a­do a um escocês. Jun­tos, re­sol­ve­ram apos­tar no Bra­sil “que es­ta­va em cres­ci­men­to, ape­sar da cri­se”, seis anos atrás. Ho­je, a mar­ca é ci­ta­da por 27% dos pau­lis­ta­nos que ga­nham mais de 20 sa­lá­ri­os mí­ni­mos.

E den­tro da Ba­cio, os adul­tos que vi­ram cri­an­ças ex­pe­ri­men­tam co­lhe­ri­nhas de “pi­tac­chio”, “ci­oc­co­la­to” ou “strac­ci­a­tel­la”, an­tes de anun­ci­ar a de­ci­são. A mo­ça do ou­tro la­do do bal­cão se­gu­ra fir­me a es­pá­tu­la, pas­sa pe­las on­das de sor­ve­te (e a cri­an­ça lá, vi­dra­da) e trans­fe­re a por­ção para a cas­qui­nha. Os pe­que­nos então se sen­tam nas ban­que­tas que pa­re­cem la­tões de lei­te, com os pé­zi­nhos a ba­lan­çar, se­gu­ran­do seus sor­ve­tes.

Nas re­cei­tas da vi­tri­ne, o mais im­por­tan­te é que se­jam mui­to cre­mo­sas —e, por is­so, são fei­tas to­dos os di­as e ser­vi­das na tem­pe­ra­tu­ra cer­ti­nha: 12°C. O cre­me de lei­te que aju­da a dar cre­mo­si­da­de vem de fa­zen­das de São Pau­lo, Mi­nas e Bahia.

“NÃO TE­MOS PRO­BLE­MAS EM EN­TEN­DER O PAU­LIS­TA­NO, ELE MUI­TAS VE­ZES É UM ITA­LI­A­NO QUE FA­LA POR­TU­GUÊS. A MAIOR DI­FE­REN­ÇA É QUE É MAIS VO­RAZ POR NO­VI­DA­DES. IS­SO AJU­DA QUEM TRAZ AL­GO DE FO­RA A EN­TRAR NA

CUL­TU­RA LO­CAL”

EDOARDO TONOLLI, SÓ­CIO DA BA­CIO DI LAT­TE

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