La Mac­ca fa­lha no cus­to-be­ne­fí­cio dos pra­tos

La Mac­ca tem vinhos a pre­ços com­pe­ti­ti­vos, mas fa­lha no cus­to-be­ne­fí­cio dos pra­tos

Folha De S.Paulo - Saopaulo - - Índice -

Che­gar sem re­ser­va ao La Mac­ca, nos Jar­dins, po­de lhe cau­sar in­con­ve­ni­en­tes. Pri­mei­ro, por­que a casa, so­bre­tu­do à noi­te, an­da dis­pu­ta­da. Se­gun­do, por­que po­de acon­te­cer de a re­cep­ci­o­nis­ta lhe tor­cer o na­riz com an­ti­pa­tia: “Mas vo­cê não tem re­ser­va?”

Se al­can­çar o bar, avan­te. Há boa ofer­ta de drin­ques, num am­bi­en­te char­mo­so, que com­bi­na tra­ços clás­si­cos e mo­der­nos —o pi­so de la­dri­lho hi­dráu­li­co é um des­bun­de. Mas o bar­man te em­pur­ra uma água S. Pel­le­gri­no sem lhe dar es­co­lha. “Não tem água na­ci­o­nal?” “Não” —e, em se­gui­da, à me­sa, ser­vem-lhe uma Pra­ta ou al­go que o va­lha.

De­pois de lon­ga es­pe­ra —re­com­pen­sa­da por um bom ne­gro­ni, equi­li­bra­do e bem apre­sen­ta­do—, os pães de­mo­ram a che­gar à me­sa qua­se o mes­mo tem­po do stin­co de por­co. E, bem, nu­ma me­sa ita­li­a­na não de­ve fal­tar pão. Mes­mo atra­sa­da, a fo­cac­cia sai-se bem: es­pes­sa, ma­cia, de su­per­fí­cie le­ve­men­te cro­can­te. Já à car­ne que en­vol­ve a ca­ne­la do ani­mal, que pres­su­põe ma­ci­ez e su­cu­lên- cia, fal­ta a se­gun­da vir­tu­de. Tam­bém me­re­cia ser re­ga­da com mais mo­lho pa­ra en­ri­que­cer a po­len­ta dis­pos­ta na ba­se do pra­to, ser­vi­da mor­na e não fu­me­gan­te (R$ 69).

Boa pe­di­da é o ta­gli­a­tel­le à bo­lo­nhe­sa (R$ 54). A mas­sa, lar­ga e acha­ta­da, sus­ten­ta o mo­lho vi­go­ro­so à ba­se de to­ma­te e car­ne bo­vi­na, en­ri­que­ci­do com car­ne de por­co e mor­ta­de­la.

O es­pa­gue­te à car­bo­na­ra (R$ 52) foi ser­vi­do mo­len­ga, pas­sa­do do pon­to, e de­sen­can­tou. A pi­men­ta-do-rei­no pas­sou ba­ti­da —se­rá que foi moí­da na ho­ra? As ti­ras de guan­ci­a­le, cor­te da bo­che­cha do por­co que não pas­sa por de­fu­ma­ção, surgem mais su­a­ves e de­li­ca­das que o ba­con —se dis­tan­cia da ma­nei­ra ame­ri­ca­na e se apro­xi­ma da re­cei­ta ro­ma­na.

En­tre as car­nes, o gar­çom su­ge­riu o fi­lé­mig­non gre­lha­do com ri­so­to de aça­frão (R$ 85). Es­ta, po­rém, es­ta­va pá­li­da e mo­nó­to­na, e o ri­so­to, in­sí­pi­do e cozido em de­ma­sia —lá foi-se o en­can­to de sua tex­tu­ra.

Pa­ra acom­pa­nhar o ex­ten­so car­dá­pio, cu­ja par­ti­cu­la­ri­da­de es­tá nas mas­sas ar­te­sa­nais im­por­ta­das da re­gião de Grag­na­no, uma pro­vín­cia de Ná­po­les, a car­ta de vinhos exi­be pre­ços com­pe­ti­ti­vos e boa va­ri­e­da­de de ró­tu­los —na ade­ga, es­tão aco­mo­da­das cer­ca de 2.000 gar­ra­fas. Pe­na que o mes­mo cus­to-be­ne­fí­cio não se apli­ca aos pra­tos.

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