Con­tra a rai­va, por Síl­via Cor­rêa

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Aca­bo de sen­tar di­an­te do meu com­pu­ta­dor de­pois de en­ro­lar ho­ras pa­ra es­cre­ver es­ta co­lu­na. O im­pas­se me tor­tu­ra há di­as: co­mo abor­dar a im­por­tân­cia da va­ci­na­ção con­tra a rai­va em um do­min­go, de for­ma a tor­nar a lei­tu­ra um mo­men­to agra­dá­vel? De­sis­ti. E de­sis­ti pe­lo sim­ples fa­to de que não há ne­nhum es­for­ço lin­guís­ti­co que pos­sa ser me­lhor do que um re­ca­do cur­to e cla­ro: va­ci­ne seu cão e seu gato con­tra a rai­va, por­que ela é uma do­en­ça sem cu­ra, fa­tal e que aca­ba de ma­tar a do­na de um petshop no Re­ci­fe.

Por anos, a rai­va foi um gra­ve pro­ble­ma de saú­de pú­bli­ca no país, o que só co­me­çou a mu­dar na dé­ca­da de 1980, após o iní­cio das cam­pa­nhas de va­ci­na­ção em mas­sa de cães e ga­tos.

Gra­ças às cam­pa­nhas, Per­nam­bu­co es­ta­va sem ca­sos da do­en­ça en­tre pa­ci­en­tes hu­ma­nos des­de 2004. O Es­ta­do de São Pau­lo re­gis­trou o úl­ti­mo ca­so em 2011, quan­do uma mu­lher foi con­ta­mi­na­da pe­lo pró­prio gato em Dra­ce­na, no interior.

Na ci­da­de de São Pau­lo, a no­tí­cia é me­lhor: não há ca­sos de rai­va en­tre hu­ma­nos des­de 1981. Mas, no fi­nal de 2011, uma ga­ti­nha mor­reu de rai­va em Mo­e­ma, na zo­na sul, após 30 anos sem o re­gis­tro da do­en­ça en­tre ani­mais do­més­ti­cos na ca­pi­tal. Cin­co di­as an­tes, a ga­ta ha­via ca­ça­do um mor­ce­go, que foi re­ti­ra­do de sua boca pe­la res­pon­sá­vel pe­lo ani­mal.

Há uma sé­rie de er­ros no ca­so. O pri­mei­ro é que a ga­ta, re­co­lhi­da da rua, ain­da não ha­via si­do va­ci­na­da. O se­gun­do é o fa­to de a do­na do bi­cho to­car no mor­ce­go, o que é ab­so­lu­ta­men­te con­train­di­ca­do.

A rai­va é uma do­en­ça vi­ral trans­mi­ti­da pe­la sa­li­va de qual­quer ma­mí­fe­ro (in­cluin­do mor­ce­go, cão e gato). O ví­rus se ins­ta­la no cé­re­bro e ma­ta em cer­ca de se­te a dez di­as. No mun­do, há re­gis­tro de ape­nas três pes­so­as que so­bre­vi­ve­ram à in­fec­ção, to­das com se­que­las bem im­por­tan­tes.

Agos­to é co­nhe­ci­do co­mo o mês do ca­chor­ro lou­co (com rai­va) por­que as mu­dan­ças cli­má­ti­cas in­du­zem o cio de um nú­me­ro mai­or de fê­me­as, o que le­va a mais bri­ga en­tre ma­chos e, his­to­ri­ca­men­te, a um mai­or nú­me­ro de ca­sos da do­en­ça. Por is­so, é tam­bém o mês das cam­pa­nhas anu­ais de va­ci­na­ção.

Che­que no si­te da pre­fei­tu­ra da sua ci­da­de quan­do a va­ci­na se­rá apli­ca­da gra­tui­ta­men­te no seu bair­ro. E, se não for, pa­gue pe­la do­se em um clí­ni­ca ve­te­ri­ná­ria.

Tal­vez se­jam os R$ 100 mais bem in­ves­ti­dos do seu mês. Por­que não tem ju­ros me­lhor do que man­ter a vi­da.

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