BI­CHOS

Sil­via Cor­rêa e a com­pra de pets

Folha De S.Paulo - Saopaulo - - #357 Índice -

Era só uma pau­sa pa­ra o ca­fé. Mas, com frequên­cia, quan­do des­co­brem que sou mé­di­ca­ve­te­ri­ná­ria, as his­tó­ri­as co­me­çam: “Te­nho um ca­chor­ro…” ou “O meu ga­to, vo­cê não acre­di­ta...”. Na­que­le dia, não pa­re­cia di­fe­ren­te. Ela ti­nha dois cães. O mal­tês a fa­mí­lia com­prou. O sch­nau­zer “veio as­sim, sem que­rer”.

Co­mo? Não en­ten­di. “Uma ami­ga ia vi­a­jar por 20 di­as e não ti­nha com qu­em dei­xá-lo. Eu dis­se que ele po­de­ria fi­car lá em ca­sa. Mas, quan­do ela vol­tou, sim­ples­men­te me fa­lou que não o que­ria mais. Is­so faz dois anos.”

En­ten­di me­nos ain­da. Não vou nem en­trar no mé­ri­to de a mi­nha in­ter­lo­cu­to­ra cha­mar a fu­la­na de ami­ga —fi­que­mos só na re­la­ção ho­mem-ani­mal. Por que ela não o que­ria mais, per­gun­tei. “Ele era fi­lho­te, des­truía tudo. O no­me de­le já era Pre­juí­zo.”

Ape­sar de ven­di­dos em pet shops e tra­ta­dos co­mo pro­pri­e­da­de pe­la Cons­ti­tui­ção, cães e ga­tos não são pro­du­tos des­car­tá­veis. Pre­ci­sam de comida, ba­nho, com­pa­nhia, brin­ca­dei­ras, va­ci­nas, mé­di­co e ca­ri­nho, sem fa­lar de de­man­das es­pe­cí­fi­cas em ca­da fa­se da vi­da (sim, fi­lho­tes tro­cam den­tes e des­tro­em coi­sas!). Ou se­ja: exi­gem tem­po e di­nhei­ro.

Cá do meu pon­to de vis­ta, o que eles nos dão em tro­ca não tem pre­ço. E fe­liz­men­te so­mos mai­o­ria. Uma pes­qui­sa do SPC Bra­sil (Ser­vi­ço de Pro­te­ção ao Cré­di­to) in­di­ca que, pa­ra 61% dos en­tre­vis­ta­dos, os sen­ti­men­tos des­per­ta­dos pe­lo ani­mal de es­ti­ma­ção são amo­re ale­gria, se­gui­dos de com­pa­nhei­ris­mo (59%) e ami­za­de (52%). Mas há um uni­ver­so de 10% de pes­so­as que ve­em o pró­prio pet só co­mo fon­te de des­pe­sas ou pro­ble­mas. São ani­mais em ris­co imi­nen­te de aban­do­no.

Não há dú­vi­da, nin­guém é obri­ga­do a gos­tar de bi­chos ou atê-los. Mas, se vo­cê es­tá pen­san­do em com­prar ou ado­tar um ani­mal de es­ti­ma­ção, me­lhor se in­for­mar an­tes. Por­que, de­pois, vo­cê pas­sa a ser res­pon­sá­vel pe­la vi­da e o bem-es­tar de­le. E aban­do­no é cri­me. Es­tá na lei.

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