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Edi­fí­cio Pi­nhei­ros, por Raul Jus­te Lo­res

Folha De S.Paulo - Saopaulo - - #357 Índice -

EDI­FÍ­CIO PI­NHEI­ROS

(1956)

RUA TU­CU­MÃ, 141

Nos tem­pos em que o me­tro qua­dra­do do cen­tro era o mais co­bi­ça­do da ci­da­de (e o úni­co bem ser­vi­do por bon­des, ôni­bus e em­pre­gos), o Jar­dim Pau­lis­ta­no era ape­nas um dis­tan­te bair­ro. O en­ge­nhei­ro Ru­bens de Mat­tos Pe­rei­ra se ins­ta­lou ali com a fa­mí­lia na rua Tu­cu­mã, vi­zi­nha ao Clu­be Pi­nhei­ros, em 1953, mais de uma dé­ca­da an­tes do sur­gi­men­to do shop­ping Igua­te­mi. Na­tu­ral de Tau­ba­té, on­de o pai era ami­go de Mon­tei­ro Lo­ba­to e ti­nha a Cons­tru­to­ra Uru­pês, ele se for­mou no Mac­ken­zie e com­prou um apar­ta­men­to em um edi­fí­cio bai­xi­nho, pro­je­ta­do pe­lo ar­qui­te­to e cons­tru­tor Is­ra­el Gal­man.

Com a aju­da do so­gro e de um tio, com­prou um ter­re­no de 30 me­tros de fren­te e 80 me­tros de fun­do e in­cor­po­rou o pe­que­no pré­dio. Sem a mon­ta­nha de regras, ta­xas e impostos das dé­ca­das se­guin­tes, con­se­guiu cons­truir ali 24 apar­ta­men­tos de 110 m² e ain­da ga­nhou um di­nhei­ro. Vá­ri­os pa­ren­tes in­ves­ti­ram no imó­vel, co­mo é pos­sí­vel ver na es­cri­tu­ra ori­gi­nal, com di­ver­sos Mat­tos Pe­rei­ra. O pai­nel na fa­cha­da, com imagens es­por­ti­vas ins­pi­ra­das pe­lo clu­be em fren­te, foi fei­to pe­lo mes­tre de obras da cons­tru­ção e é man­ti­do até ho­je.

A car­rei­ra do en­ge­nhei­ro ain­da da­ria mui­tas vol­tas. Foi um dos res­pon­sá­veis pe­lo pri­mei­ro pla­no di­re­tor de Tau­ba­té, cri­a­dor do De­par­ta­men­to de Pla­ne­ja­men­to Ur­ba­no do Ipea (Ins­ti­tu­to de Pes­qui­sa Econô­mi­ca Apli­ca­da) e pu­bli­cou um li­vro so­bre ges­tão e pla­ne­ja­men­to mu­ni­ci­pal ain­da em 1969.

Mi­li­tan­te do Par­ti­do Co­mu­nis­ta, exi­lou-se em 1970 e foi es­tu­dar ur­ba­nis­mo na Uni­ver­si­da­de da Ca­li­fór­nia, em Ber­ke­ley. Con­se­guiu um em­pre­go na OEA (Or­ga­ni­za­ção dos Estados Ame­ri­ca­nos) co­mo con­sul­tor de pla­ne­ja­men­to ur­ba­no de Li­ma, no Pe­ru, on­de mo­rou du­ran­te 13 anos.

Ao vol­tar ao Bra­sil, em 1985, cri­ou o Ins­ti­tu­to de Es­tu­dos Mon­tei­ro Lo­ba­to, on­de pre­ser­va­va a obra do ami­go do pai. Mor­reu em janeiro de 2012, pou­co an­tes de com­ple­tar 83 anos.

LE­O­NAR­DO FINOTTI/FOLHAPRESS

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