BA­NHO DE CO­RES

Ain­da pou­co co­nhe­ci­da, a Cha­pa­da das Me­sas é re­ple­ta de ca­cho­ei­ras e tri­lhas, que le­vam até po­ços de águas trans­pa­ren­tes

Folha De S.Paulo - Saopaulo - - Maranhão - por Fe­li­pe Giacomelli en­vi­a­do es­pe­ci­al a Carolina (MA)

Em um pri­mei­ro mo­men­to, as qua­se 12 ho­ras de viagem —a de­pen­der do trân­si­to na es­tra­da e do tem­po de co­ne­xão en­tre os vo­os— de São Paulo até Carolina, ci­da­de na di­vi­sa do Ma­ra­nhão com o To­can­tins, po­de as­sus­tar.

Mas du­as bo­as re­com­pen­sas fa­zem va­ler a pe­na se aven­tu­rar nes­se tra­je­to.

A pri­mei­ra é a vis­ta des­lum­bran­te do al­to da Cha­pa­da das Me­sas: for­ma­ções ge­o­grá­fi­cas de are­ni­to, de cer­ca de 70 mi­lhões de anos e que po­dem atin­gir por vol­ta de 400 me­tros de al­tu­ra. São de­ze­nas nas ime­di­a­ções de Carolina.

A se­gun­da é a água quen­ti­nha da re­gião —con­sequên­cia da tem­pe­ra­tu­ra ele­va­da na mai­or par­te do ano. Uma sur­pre­sa pa­ra quem se acos­tu­mou com ca­cho­ei­ras co­mo sinô­ni­mo de frio e den­tes ba­ten­do.

E, pa­ra mer­gu­lhar lo­go, uma boa op­ção é o En­can­to Azul, um po­ço de até se­te me­tros de pro­fun­di­da­de, com água cris­ta­li­na e cer­ca­do de pa­re­dões de pe­dra.

Pa­ra che­gar até ele, sain­do de Carolina, é pre­ci­so en­ca­rar mais de 100 km da BR230 e uma es­tra­da de ter­ra. Uma es­ca­da­ria de 147 de­graus e tá­bu­as de ma­dei­ra fe­cham o per­cur­so.

Uma di­ca é che­gar por vol­ta das 10h, quan­do a luz do sol dei­xa a água azul tur­que­sa, qua­se ver­de. A ou­tra é usar o snor­kel —a vi­si­bi­li­da­de to­tal re­ve­la pai­sa­gens sub­mer­sas in­crí­veis. O En­can­to Azul fi­ca em um com­ple­xo tu­rís­ti­co, com res­tau­ran­te e cha­lés. Lá tam­bém é pon­to de par­ti­da pa­ra o Po­ço Azul.

De no­vo é pre­ci­so pas­sar por ram­pas e es­ca­da­ri­as de ma­dei­ra. A mai­or di­fe­ren­ça pa­ra o En­can­to é que os pa­re­dões ro­cho­sos es­tão mais afas­ta­dos, lem­bran­do um la­go. A ca­cho­ei­ra de San­ta Bár­ba­ra, de 75 me­tros, uma das mai­o­res da re­gião, fi­ca ao la­do.

Não são só des­ci­das a po­ços que fa­zem a cha­pa­da, afi­nal es­ta­mos fa­lan­do de platôs de cer­ca de 400 me­tros de al­tu­ra.

Uma das su­bi­das mais po­pu­la­res é no Re­fú­gio Am­bi­en­tal Tor­re da Ser­ra da Lua, no po­vo­a­do de Ca­na­bra­va, no To­can­tins.

Na tri­lha de 10 km, a mais co­mum, o ter­re­no pla­no nos pri­mei­ros quilô­me­tros po­de dei­xar o aven­tu­rei­ro me­nos aler­ta. Mas a par­tir daí a di­fi­cul­da­de au­men­ta. O ca­mi­nho é ín­gre­me, de areia e com pe­dras sol­tas. Mas pou­cas ve­zes é pre­ci­so usar ga­lhos e cor­das pa­ra se equi­li­brar.

To­do o can­sa­ço fi­ca pa­ra trás no al­to do platô. Há som­bras, ven­ta e é pla­no. Não por aca­so al­gu­mas “me­sas” são usa­das pa­ra cri­a­ção de ga­do. E tam­bém re­fú­gio da on­ça, ani­mal mais te­mi­do da re­gião, ain­da que não ha­ja re­gis­tros de ata­ques a pes­so­as.

Lá em ci­ma, o prê­mio pe­lo es­for­ço são mi­ran­tes que dão um pa­no­ra­ma em 360 graus da cha­pa­da, com as cur­vas do rio To­can­tins com­ple­tan­do o ce­ná­rio.

Aliás, a vol­ta do pas­seio ocor­re pe­lo pró­prio rio, em uma vo­a­dei­ra, uma em­bar­ca­ção fi­na e com­pri­da, de on­de é pos­sí­vel ver o sol se pôr em meio às águas.

E não se es­que­ça de vi­si­tar o Por­tal da Cha­pa­da, uma pe­dra com um bu­ra­co em for­ma de pi­râ­mi­de bem no meio. Por es­sa “ja­ne­la”, dá pa­ra ver o Mor­ro do Cha­péu, car­tão-pos­tal de lá. O me­lhor é ir ce­di­nho ou no fim da tar­de, pa­ra pe­gar o lo­cal ilu­mi­na­do pe­los rai­os so­la­res. O jor­na­lis­ta vi­a­jou a con­vi­te da Ven­tu­ras Vi­a­gens e do go­ver­no do Ma­ra­nhão.

EN­CAN­TO AZUL, UMA DAS ATRA­ÇÕES

DE RIACHÃO

VIS­TA DO POR­TAL DA CHA­PA­DA, COM ‘ME­SAS’ AO FUN­DO

Newspapers in Portuguese

Newspapers from Brazil

© PressReader. All rights reserved.