VOL­TA&MESA

Folha de S.Paulo - Saopaulo - - #392 Índice -

A di­ver­si­da­de da co­mi­da bra­si­lei­ra na ca­pi­tal

OB­ra­zil já gos­ta da co­mi­da do Bra­sil, não re­sis­to a pa­ra­fra­se­ar Al­dir Blanc. Co­me­çou ti­mi­da­men­te, há clás­si­cos co­mo fei­jo­a­da que to­do mun­do co­me, mas e o res­to do re­per­tó­rio do país? De­va­gar, al­guns in­gre­di­en­tes fo­ram apa­re­cen­do no D.O.M., de Alex Ata­la, no Ma­ní, de Helena Riz­zo, a pi­o­nei­ra pre­sen­ça de fa­ri­nhas, pi­men­tas e co­mi­das re­gi­o­nais co­mo bar­re­a­do e ta­ca­cá no Tor­de­si­lhas, de Ma­ra Sal­les.

Veio o Mo­co­tó e co­me­çou a mos­trar que aque­la zo­na vas­ta que cha­má­va­mos Nor­des­te era mais que três re­cei­tas do li­to­ral. O ser­tão se se­pa­rou do mar e de­pois vi­rou plu­ral —há o per­nam­bu­ca­no, o mi­nei­ro, o po­ti­guar, o bai­a­no... E o Nor­te que ain­da es­tá apa­re­cen­do.

Vi­e­ram os Ru­e­das, do­na On­ça, Jef­fer­son. Não es­tou con­tan­do a his­tó­ria cro­no­ló­gi­ca, mas lem­bran­do co­mo co­me­cei a gos­tar da co­mi­da do Bra­sil pro­fun­do. O Tu­ju fe­cha o ci­clo na al­ta gas­tro­no­mia. Tem tam­bém Ana Lui­za Tra­ja­no com “Bá­si­co - En­ci­clo­pé­dia de Re­cei­tas do Bra­sil”, li­vro do qual não me se­pa­ro mais.

Mas meu as­sun­to na co­lu­na não é es­te. É o da apa­ri­ção, nes­tes dois úl­ti­mos anos, das co­zi­nhas re­gi­o­nais fo­ra da al­ta gas­tro­no­mia.

A co­mi­da bra­si­lei­ra era apre­sen­ta­da co­mo uma uni­da­de con­sen­su­al. Ho­je, não coin­ci­de com fron­tei­ras es­ta­du­ais, mas com re­cei­tas, pro­du­tos, mo­dos de fa­zer e gos­tos que va­ri­am, às ve­zes, em pou­cos quilô­me­tros de es­tra­da.

Coi­sas que en­tra­ram pa­ra meu ape­ti­te, co­mo o me­xi­do bai­a­no do So­te­ro e ago­ra o baião de dois do Ma­ria Fa­ri­nha. Já me con­fes­sei fa­ro­fei­ro. O que me faz fa­ri­nhei­ro são pra­tos que mis­tu­ram sa­bo­res e ga­nham uni­da­de com fa­ri­nha de man­di­o­ca. Em ca­sa era se­ma­nal, um res­to de car­ne, ovo, ar­roz, fei­jão que so­bra­va e fa­ri­nha pa­ra amal­ga­mar tu­do.

O baião de dois do Ma­ria Fa­ri­nha é uma de­lí­cia, trou­xe­ram uma por­ção ex­tra de co­en­tro qu­an­do pe­di, em ci­ma tem um ovo fri­to de ge­ma bem la­ran­ja. O que mais se po­de qu­e­rer?

Baião de dois do Ma­ria Fa­ri­nha

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