Som e fú­ria

Folha de S.Paulo - Saopaulo - - Teatro -

A po­dri­dão do rei­no da Di­na­mar­ca re­tra­ta­da em “Ham­let” te­ria se ar­ras­ta­do pe­los sé­cu­los e che­ga­do até os di­as de ho­je. Na ver­são da Ar­ma­zém Com­pa­nhia de Te­a­tro pa­ra a tragédia, que estreia em São Paulo após uma elo­gi­a­da tem­po­ra­da no Rio, bus­ca-se li­gar as ques­tões dis­cu­ti­das na pe­ça de Shakespeare às cri­ses do mun­do con­tem­po­râ­neo.

A cor­te real di­na­mar­que­sa, no qual se pas­sa to­da a his­tó­ria, é mer­gu­lha­da na cor­rup­ção; as ma­ni­pu­la­ções, os jo­gos de po­der e as trai­ções que per­pas­sam a tragédia fa­zem pa­ra­le­los com a po­lí­ti­ca de ho­je e a sen­sa­ção de ca­os.

A mu­dan­ça de pers­pec­ti­va tam­bém se dá no pro­ta­go­nis­ta: é uma mu­lher (a atriz Patrícia Se­lonk) quem in­ter­pre­ta Ham­let, o prín­ci­pe da Di­na­mar­ca que de­ci­de vin­gar a mor­te do pai —ele acre­di­ta que o as­sas­si­no foi seu tio, in­ve­jo­so do tro­no— e aden­tra um terreno en­tre o ra­ci­o­nal e a lou­cu­ra. /Cen­tro Cul­tu­ral São Paulo - sa­la Jar­del Fi­lho.

Patrícia Se­lonk co­mo Ham­let

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