Ex-ma­ri­do de Dil­ma, ad­vo­ga­do Carlos Araú­jo mor­re aos 79 anos

Ex-deputado es­ta­du­al do RS pe­lo PDT, foi mi­li­tan­te na ju­ven­tu­de

Folha De S.Paulo - - Poder -

O ad­vo­ga­do tra­ba­lhis­ta Carlos Araú­jo, ex-ma­ri­do de Dil­ma Rous­seff, morreu na ma­dru­ga­da des­te sá­ba­do (12), em Porto Ale­gre aos 79 anos. Ele foi deputado es­ta­du­al pe­lo PDT no Rio Gran­de do Sul na dé­ca­da de 1980.

Ele es­ta­va in­ter­na­do des­de o dia 25 de ju­lho na UTI da Santa Ca­sa e não re­sis­tiu a com­pli­ca­ções pul­mo­na­res.

O ve­ló­rio ocor­reu na As­sem­bleia Le­gis­la­ti­va gaú­cha.

Dil­ma es­te­ve ao la­do de sua fi­lha com o ad­vo­ga­do, Paula Rous­seff de Araú­jo.

A ex-pre­si­den­te des­ta­cou a co­e­rên­cia po­lí­ti­ca do ex-ma­ri­do e lem­brou a so­li­da­ri­e­da­de de Araú­jo du­ran­te o pe­río­do em que so­freu o pro­ces­so de im­pe­a­ch­ment. “Ele es­ta­va es­tar­re­ci­do. Ele foi um lu­ta­dor con­tra a ditadura [mi­li­tar] e con­tra o po­der que ema­na das eli­tes econô­mi­cas, po­lí­ti­cas e mi­diá­ti­cas”, dis­se.

Os ex-go­ver­na­do­res pe­tis­tas do Rio Gran­de do Sul, Tar­so Gen­ro e Olí­vio Du­tra, la­men­ta­ram a mor­te Araú­jo.

Gen­ro dis­se que per­deu uma re­fe­rên­cia e Du­tra fa­lou que Araú­jo exer­cia uma li­de­ran­ça fran­ca e fra­ter­na. TRA­JE­TÓ­RIA Nas­ci­do em São Fran­cis­co de Paula, RS, em 1938, Carlos Fran­klin Pai­xão de Araú­jo era fi­lho do tam­bém ad­vo­ga­do tra­ba­lhis­ta Afrâ­nio Araú­jo, de quem her­dou o gos­to pe­lo di­rei­to e pe­la po­lí­ti­ca.

Na dé­ca­da de 1950, in­gres­sou na Ju­ven­tu­de Comunista e in­te­grou a de­le­ga­ção bra­si­lei­ra pa­ra o Fes­ti­val da Ju­ven­tu­de de Mos­cou em 1957.

Anos mais tar­de, in­te­grou a or­ga­ni­za­ção guer­ri­lhei­ra VAR-Pal­ma­res, na qu­al em 1969 co­nhe­ceu a fu­tu­ra mu­lher, Dil­ma, com quem vi­veu até 2000 e de­pois con­ti­nu­ou co­mo ami­go.

Max, co­di­no­me pe­lo qu­al era co­nhe­ci­do nos tem­pos de lu­ta ar­ma­da, foi pre­so pe­la ditadura mi­li­tar em ju­lho de 1970, me­ses após a cap­tu­ra de Dil­ma. Ele dei­xou a ca­deia em 1974, mes­mo ano em que per­deu o pai, Afrâ­nio, e as­su­miu o es­cri­tó­rio de ad­vo­ca­cia que exis­te até hoje na ca­pi­tal gaú­cha.

Na car­rei­ra po­lí­ti­ca, era li­ga­do a Le­o­nel Bri­zo­la e foi um dos fun­da­do­res do PDT, par­ti­do pe­lo qu­al se ele­geu deputado es­ta­du­al por três ve­zes e che­gou a dis­pu­tar a Pre­fei­tu­ra de Porto Ale­gre, em 1988 —na épo­ca, per­deu a elei­ção pa­ra Olí­vio Du­tra.

Em 2000, dei­xou o PDT pa­ra se de­di­car ao es­cri­tó­rio.

Mes­mo afas­ta­do da vi­da po­lí­ti­ca, Araú­jo não dei­xou de opi­nar so­bre es­ses as­sun­tos. So­bre o pro­ces­so que le­vou ao im­pe­a­ch­ment da ex­mu­lher, Araú­jo con­si­de­ra­va que hou­ve um “gol­pe” e que Dil­ma foi aban­do­na­da pe­lo seu par­ti­do, o PT. ALEXANDRE ELMI,

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