Jus­ti­ça e Ca­de tra­vam mais de 40% da ven­da de ati­vos pe­la Pe­tro­bras

Im­pas­ses bar­ram ne­gó­ci­os já anun­ci­a­dos pe­la es­ta­tal e que so­mam US$ 5,9 bi­lhões

Folha De S.Paulo - - Mercado Lupa@lupa.news - NICOLA PAMPLONA

Ape­sar de di­fi­cul­da­des, com­pa­nhia afir­ma que es­tá man­ti­do o pla­no de ob­ter US$ 21 bi­lhões até o fim do ano que vem

Mais de 40% do va­lor já ne­go­ci­a­do pe­la Pe­tro­bras em seu pro­ces­so de ven­da de ati­vos, ini­ci­a­do há dois anos, es­bar­ra em im­pas­ses na Jus­ti­ça e com a de­fe­sa da con­cor­rên­cia atin­gem. Mas, ape­sar das di­fi­cul­da­des, a es­ta­tal, diz que es­tá man­ti­da a me­ta de le­van­tar US$ 21 bi­lhões até o fim do ano que vem.

A em­pre­sa en­fren­ta pro­ces­sos na Jus­ti­ça con­tra a ven­da de dois cam­pos do pré-sal e ques­ti­o­na­men­tos no Ca­de (ór­gão que re­gu­la a con­cor­rên­cia) re­fe­ren­tes às ven­das da dis­tri­bui­do­ra de gás Li­qui­gás e de em­pre­sas pe­troquí­mi­cas.

As qua­tro ope­ra­ções so­mam US$ 5,9 bi­lhões, 43% dos US$ 13,6 bi­lhões que a Pe­tro­bras ne­go­ci­ou até o fim do ano pas­sa­do, ain­da sob mo­de­lo que pas­sou a ser ques­ti­o­na­do pelo TCU (Tri­bu­nal de Con­tas da União).

Após acor­do com TCU, em mar­ço, no­vas re­gras fo­ram im­plan­ta­das e já fo­ram aber­tas ne­go­ci­a­ções pa­ra a ven­da de 20 novos pa­co­tes de ati­vos da es­ta­tal, ne­nhu­ma de­las con­cluí­da até ago­ra.

“De­pois da La­va Ja­to, es­tá mais di­fí­cil apro­var ven­das de ati­vos, mas não é só pa­ra a Pe­tro­bras. To­do mun­do es­tá en­fren­tan­do pro­ces­sos mais se­ve­ros”, diz Pe­dro Gal­di, ana­lis­ta de in­ves­ti­men­tos da Ma­gli­a­no Cor­re­to­ra.

Na ter­ça (10), a Jus­ti­ça de Ser­gi­pe sus­pen­deu por li­mi­nar a ope­ra­ção de ven­da de par­ti­ci­pa­ções em cam­pos do pré-sal à fran­ce­sa To­tal, parte de um ne­gó­cio de US$ 2,2 bi­lhões, ale­gan­do que a tran­sa­ção não po­de­ria ser fei­ta sem li­ci­ta­ção.

No mes­mo Es­ta­do, a es­ta­tal já en­fren­ta uma ação con­tra a ven­da da área de Car­ca­rá à Sta­toil, por US$ 2,5 bi­lhões. Na ter­ça-feira, der­ru­bou em segunda ins­tân­cia li­mi­nar que sus­pen­deu a ven­da em abril, mas o pro­ces­so ain­da se­rá ana­li­sa­do. SEM GÁS No Ca­de, a Pe­tro­bras te­ve seu mai­or re­vés no fim de agos­to, com a re­co­men­da­ção de ve­to à ven­da da Li­qui­gás ao gru­po Ultra, ne­gó­cio de US$ 850 mi­lhões, de­vi­do ao ris­co de con­cen­tra­ção ex­ces­si­va do mer­ca­do.

Ul­tra­gaz (do gru­po Ultra) e Li­qui­gás con­tro­la­vam, no fim de 2016, 43,2% das ven­das do com­bus­tí­vel no país. As com­pa­nhi­as es­pe­ram con­ven­cer o ple­ná­rio do ór­gão a acei­tar um pla­no de ven­da de ati­vos em re­giões on­de o mer­ca­do é mais con­cen­tra­do.

Na ter­ça, a es­ta­tal te­ve outro re­vés no Ca­de, que de­cla­rou “com­ple­xa” a aná­li­se da ven­da da Pe­troquí­mi­ca Su­a­pe (Per­nam­bu­co) e da Ci­te­pe (Com­pa­nhia In­te­gra­da Têx­til de Per­nam­bu­co) pa­ra a me­xi­ca­na Al­pek. O ór­gão pe­diu no­vas di­li­gên­ci­as pa­ra ava­li­ar os efei­tos da ope­ra­ção.

Cri­a­do com o ob­je­ti­vo de le­van­tar re­cur­sos pa­ra pa­gar dí­vi­das, o pla­no de ven­da de ati­vos da Pe­tro­bras vem en­fren­tan­do uma sé­rie de obs­tá­cu­los des­de que foi lan­ça­do.

A in­cer­te­za ju­rí­di­ca che­gou a ser usa­da co­mo ar­gu­men­to pa­ra que a aus­tra­li­a­na Ka­ro­on de­sis­tis­se, em mar­ço, da com­pra dos cam­pos de pe­tró­leo Baú­na e Tar­ta­ru­ga Ver­de.

No fim de 2016, o TCU sus­pen­deu to­das as ne­go­ci­a­ções em es­tá­gio ini­ci­al, li­be­ran­do a Pe­tro­bras pa­ra con­cluir ape­nas cin­co pro­ces­sos em que já ha­via pas­sa­do da pri­mei­ra fa­se de con­ver­sa. O tri­bu­nal de­ter­mi­nou que a es­ta­tal im­plan­tas­se um mo­de­lo de ven­das mais trans­pa­ren­te.

A ven­da de ati­vos faz parte da es­tra­té­gia da em­pre­sa de re­du­zir sua dí­vi­da lí­qui­da, que era de R$ 295 bi­lhões no fim do se­gun­do tri­mes­tre.

A dí­vi­da lí­qui­da da em­pre­sa equi­va­lia em ju­nho a 3,23 ve­zes o Ebit­da (in­di­ca­dor da ca­pa­ci­da­de de ge­ra­ção de cai­xa). A me­ta é atin­gir 2,5 ve­zes até o fim do ano que vem. FUN­DA­MEN­TAIS Pa­ra ana­lis­tas do ban­co UBS, três ope­ra­ções se­rão fun­da­men­tais pa­ra que a com­pa­nhia con­si­ga cum­prir sua me­ta: a aber­tu­ra de ca­pi­tal na Bol­sa da BR Dis­tri­bui­do­ra, a ven­da de 90% da ma­lha de ga­so­du­tos do Nor­des­te e de sua fa­tia na pe­troquí­mi­ca Bras­kem.

Dos três, ape­nas a ope­ra­ção en­vol­ven­do os du­tos foi ini­ci­a­da. O lan­ça­men­to de até 40% das ações da BR, em­pre­sa ava­li­a­da pelo UBS em R$ 29 bi­lhões, es­tá pre­vis­to ain­da pa­ra es­te ano. VINICIUS TOR­RES FREIRE Ex­cep­ci­o­nal­men­te ho­je a co­lu­na não é pu­bli­ca­da > Cam­pos de pe­tró­leo na Ar­gen­ti­na > Cam­po de Car­ca­rá > Gas­pe­tro > Gu­a­ra­ni > Li­qui­gás > No­va Fron­tei­ra > Re­fi­na­ria de Oki­nawa > Ga­so­du­tos do Su­des­te (NTS) > Pe­tro­bras Ar­gen­ti­na > Pe­tro­bras Chi­le > Pe­troquí­mi­ca Su­a­pe e Ci­te­pe > Par­ce­ria com To­tal Ini­ci­a­do > > > Ati­vos no Pa­ra­guai > Se­te po­los de pro­du­ção em águas ra­sas (30 cam­pos) > Três po­los de pro­du­ção em ter­ra (50 cam­pos) > 90% da TAG, que ope­ra os ga­so­du­tos do Nor­des­te > Cin­co po­los de pro­du­ção em ter­ra (19 cam­pos) > Uni­da­de de Fer­ti­li­zan­tes Ni­tro­ge­na­dos e Arau­cá­ria Ni­tro­ge­na­dos Já anun­ci­a­dos > Re­fi­na­ria de Pa­sa­de­na > Pe­tro­bras Áfri­ca Ex­pec­ta­ti­va até 2018 > BR Dis­tri­bui­do­ra > No­vas uni­da­des de fer­ti­li­zan­tes > Fá­bri­cas de bi­o­com­bus­tí­veis > Par­ti­ci­pa­ções em re­fi­na­ri­as

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