Am­pli­ar o Ena­de

Folha de S.Paulo - - Primeira Página -

So­bre de­fi­ci­ên­ci­as do exa­me da edu­ca­ção su­pe­ri­or.

Um dos prin­ci­pais ins­tru­men­tos do sis­te­ma de ava­li­a­ção do en­si­no su­pe­ri­or do país, o Exa­me Na­ci­o­nal de De­sem­pe­nho de Es­tu­dan­tes (Ena­de) traz da­dos es­sen­ci­ais so­bre a qua­li­da­de dos cur­sos de gra­du­a­ção bra­si­lei­ros.

Po­de-se co­brar mais, en­tre­tan­to, de um me­ca­nis­mo ado­ta­do já há 14 anos. A es­ta al­tu­ra, o Ena­de, apli­ca­do pe­lo Mi­nis­té­rio da Edu­ca­ção, de­ve­ria dis­por de in­for­ma­ções mais com­ple­tas e ca­pa­zes de pau­tar a bus­ca por mais efi­ci­ên­cia dos es­ta­be­le­ci­men­tos do se­tor.

Nes­te ano, fo­ram di­vul­ga­dos os re­sul­ta­dos das pro­vas de quem se for­mou em ci­ên­ci­as exa­tas, li­cen­ci­a­tu­ras e áre­as co­mo ar­qui­te­tu­ra e en­ge­nha­ria em 2017.

Dos que se sub­me­te­ram ao exa­me, cer­ca de 20% es­tu­da­ram na mo­da­li­da­de a dis­tân­cia, que apre­sen­ta ex­pan­são ace­le­ra­da. Os da­dos apon­tam, po­rém, que qua­se me­ta­de (46%) dos cur­sos não pre­sen­ci­ais apre­sen­tam re­sul­ta­dos in­sa­tis­fa­tó­ri­os —con­cei­tos 1 ou 2, nu­ma es­ca­la que vai até 5.

O Ena­de mos­tra que egres­sos de fa­cul­da­des pú­bli­cas ain­da vão me­lhor na pro­va. Nas uni­ver­si­da­des fe­de­rais, por exem­plo, 47% dos cur­sos são no­ta 4 ou 5. Em ou­tra pon­ta, ape­nas 15% dos cur­sos das es­co­las pri­va­das com fins lu­cra­ti­vos es­tão nes­sa fai­xa de ex­ce­lên­cia.

O de­sem­pe­nho dos alu­nos no exa­me, no en­tan­to, nem sem­pre cor­res­pon­de à qua­li­da­de da ins­ti­tui­ção de en­si­no. O es­tu­dan­te é obri­ga­do a fa­zer o exa­me, mas não a ir bem. Co­mo a no­ta não tem um efei­to re­al na vi­da dos for­man­dos, mui­tos não se em­pe­nham.

Além dis­so, os de es­pí­ri­to mais crí­ti­co —em ge­ral, dos me­lho­res es­ta­be­le­ci­men­tos— cos­tu­mam ser mais du­ros no ques­ti­o­ná­rio que ava­lia as­pec­tos li­ga­dos à in­fra­es­tru­tu­ra dos cur­sos.

Da­dos im­por­tan­tes, co­mo a tra­je­tó­ria dos egres­sos de­pois que se gra­du­am, não são con­si­de­ra­dos. Ho­je, go­ver­no e en­ti­da­des des­co­nhe­cem o im­pac­to do di­plo­ma na car­rei­ra pro­fis­si­o­nal de quem dis­põe de edu­ca­ção su­pe­ri­or.

Não se sa­be, por exem­plo, se os me­lho­res em­pre­gos fi­cam com quem sai de cur­sos pú­bli­cos ou pri­va­dos, pre­sen­ci­ais ou a dis­tân­cia.

To­do sis­te­ma de ve­ri­fi­ca­ção de qua­li­da­de ne­ces­si­ta ser al­te­ra­do com o pas­sar do tem­po, pa­ra que os ava­li­a­dos não se ajus­tem, ape­nas, à ava­li­a­ção. Ini­ci­a­ti­vas do gê­ne­ro pre­ci­sam ti­rar es­tu­dan­tes, do­cen­tes e ges­to­res de su­as zo­nas de con­for­to, em prol da so­ci­e­da­de.

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