APRE­SEN­TA­ÇÕES INES­QUE­CÍ­VEIS

Ape­sar das pro­du­ções com gran­de qua­li­da­de mu­si­cal, o ta­len­to de El­vis Presley não se res­trin­gia aos es­tú­di­os de gra­va­ção

GRANDES ÍDOLOS DA MÚSICA - ELVIS PRESLEY - EDIÇÃO DE COLECIONADOR - - EDITORIAL - TEX­TO An­ge­lo Che­ru­bi­ni/Co­la­bo­ra­dor DE­SIGN Gui­lher­me Lau­ren­te/Co­la­bo­ra­dor FOTOS Getty Ima­ges/Da­ni­el Ba­rehu­lak e Ins­ta­gram @el­vis

Com uma pre­sen­ça de pal­co in­crí­vel, El­vis Presley ca­ti­vou mui­tos fãs e apro­vei­tou as opor­tu­ni­da­des que te­ve pa­ra con­so­li­dar-se na te­vê e no rá­dio, pro­ta­go­ni­zan­do per­for­man­ces me­mo­rá­veis. Aqui, se­le­ci­o­na­mos aque­las apre­sen­ta­ções que con­sa­gra­ram o can­tor co­mo um fenô­me­no da mú­si­ca e do en­tre­te­ni­men­to.

Sh­re­ve­port, Loui­si­a­na (1954)

Um dos pri­mei­ros gran­des shows de El­vis ocor­reu em 16 de ou­tu­bro de 1954, no au­di­tó­rio mu­ni­ci­pal de Sh­re­ve­port, no es­ta­do de Loui­si­a­na, nos Es­ta­dos Uni­dos. Trans­mi­ti­do pe­la rá­dio Loui­si­a­na Ray­ri­de, a apre­sen­ta­ção da banda The Blue Mo­on Boys, for­ma­da pe­los jo­vens El­vis Presley, Scotty Mo­o­re e Bill Black, foi trans­mi­ti­da pa­ra 198 es­ta­ções de rá­dio em 28 es­ta­dos. O es­pa­ço, com ca­pa­ci­da­de pa­ra 3800 lu­ga­res, já ha­via re­ce­bi­do vá­ri­os no­mes da mú­si­ca coun­try e foi um pas­so im­por­tan­te pa­ra El­vis, que can­tou sua re­cen­te gra­va­ção That’s All Right. O can­tor as­si­nou um con­tra­to com a rá­dio pa­ra fu­tu­ras per­for­man­ces e o trio pas­sou a se apre­sen­tar em ou­tros es­ta­dos, co­mo o Te­xas. No ano se­guin­te, Presley fez sua es­treia na te­le­vi­são em uma ver­são de te­vê do pro­gra­ma Loui­si­a­na Hay­ri­de, trans­mi­ti­do lo­cal­men­te.

Sta­ge Show (1956)

No mes­mo mês em que co­me­ça­ra su­as gra­va­ções nos es­tú­di­os da RCA, em Nash­vil­le, El­vis foi pa­ra No­va York, on­de fez sua pri­mei­ra apa­ri­ção na­ci­o­nal. Trans­mi­ti­do pe­la re­de de te­le­vi­são CBS, o pro­gra­ma Sta­ge Show era apre­sen­ta­do pe­los ir­mãos Tommy e Jimmy Dor­sey e re­ce­beu El­vis pe­la pri­mei­ra vez no dia 28 de ja­nei­ro de 1956. O show con­tou com a per­for­man­ce das mú­si­cas Sha­ke, Rat­tle and Roll/Flip, Flop and Fly e Got a Wo­man. Heartbreak Ho­tel, uma das prin­ci­pais in­ter­pre­ta­ções do can­tor, só veio a ser to­ca­da na ter­cei­ra apa­ri­ção do ar­tis­ta, de­vi­do à re­sis­tên­cia dos ir­mãos Dor­sey. No to­tal, El­vis se apre­sen­tou seis ve­zes no pro­gra­ma, po­pu­la­ri­zan­do ain­da mais hits co­mo Tut­ti Frut­ti e Blue Su­e­de Sho­es.

Mil­ton Ber­le Show (1956)

IG­ra­va­do no con­vés do por­ta-aviões USS Han­cock, em San Di­e­go, a pri­mei­ra das du­as apre­sen­ta­ções de El­vis no Mil­ton Ber­le Show le­vou a pla­teia de ma­ri­nhei­ros ao de­lí­rio. Trans­mi­ti­do no dia 3 de abril, o ar­tis­ta can­tou as mú­si­cas Blue Su­e­de Sho­e­se Heartbreak Ho­tel, que al­can­ça­va o to­po das pa­ra­das. A se­gun­da apa­ri­ção, no dia 5 de ju­nho, foi mar­ca­da pe­la per­for­man­ce do can­tor em Hound Dog. Par­te da im­pren­sa não fi­cou con­ten­te com o re­bo­la­do do can­tor e o ape­li­dou de “El­vis, The Pel­vis”. O jor­nal ame­ri­ca­no New York Ti­mes afir­mou que o ar­tis­ta não pos­suía “ha­bi­li­da­de dis­cer­ní­vel pa­ra can­tar” e o New York Tri­bu­ne He­rald con­si­de­rou que Presley era “in­des­cri­ti­vel­men­te, sem ta­len­to e vul­gar”. O mú­si­co fez ou­tros shows em San Di­e­go e, em se­tem­bro da­que­le ano, o che­fe de po­lí­cia da ci­da­de che­gou a afir­mar que pren­de­ria El­vis por de­sor­dem ca­so ele vol­tas­se ao mu­ni­cí­pio e fi­zes­se ou­tra apre­sen­ta­ção si­mi­lar.

Ed Sul­li­van Show (1956)

Co­mo um dos pro­gra­mas mais im­por­tan­tes da te­vê ame­ri­ca­na na épo­ca, o show apre­sen­ta­do por Ed Sul­li­van com cer­te­za não es­ca­pa­ria do su­ces­so de El­vis. Ape­sar do apre­sen­ta­dor con­si­de­rar o es­pe­tá­cu­lo de Presley im­pró­prio pa­ra o pú­bli­co fa­mi­li­ar (che­gan­do a afir­mar que não o re­ce­be­ria no pro­gra­ma), o al­to ín­di­ce de au­di­ên­cia al­can­ça­do em sua re­cen­te apre­sen­ta­ção no Ste­ve Al­len Show não ti­nha co­mo ser ig­no­ra­do. Os pro­du­to­res aca­ba­ram con­vi­dan­do o ar­tis­ta pa­ra três apa­ri­ções com um ca­chê de US$50 mil. O va­lor era bem al­to pa­ra épo­ca, mas foi um gran­de ne­gó­cio. A pri­mei­ra apre­sen­ta­ção do as­tro do rock no pro­gra­ma, em se­tem­bro de 1956, atin­giu o nú­me­ro re­cor­de de 60 mi­lhões de es­pec­ta­do­res, re­pre­sen­tan­do qua­se 83% da au­di­ên­cia na­ci­o­nal. Gra­va­do em Los An­ge­les, El­vis abriu o show com Don’t be Cru­el e Lo­ve me Ten­der. A trans­mis­são foi a mais as­sis­ti­da da dé­ca­da e não con­tou com a pre­sen­ça de Ed Sul­li­van, que se re­cu­pe­ra­va de um acidente de car­ro. En­tre­tan­to, após o fi­nal do ter­cei­ro e úl­ti­mo show, em ja­nei­ro de 1957, o apre­sen­ta­dor de­cla­rou que El­vis era um “ra­paz bom e de­cen­te”.

Frank Si­na­tra Show: Wel­co­me Ho­me El­vis! (1960)

Após um pe­río­do ser­vin­do o exér­ci­to, El­vis vol­tou a ser te­le­vi­si­o­na­do co­mo con­vi­da­do es­pe­ci­al no Frank Si­na­tra Show, em 1960. Gra­va­do em 26 de mar­ço no Ho­tel Fon­tai­ne­ble­au, em Mi­a­mi, o pro­gra­ma era apre­sen­ta­do por Frank Si­na­tra, um dos ar­tis­tas mais po­pu­la­res dos Es­ta­dos Uni­dos no sé­cu­lo 20. Mes­mo com o em­pre­sá­rio de El­vis co­lo­can­do o pre­ço de sua apa­ri­ção a exor­bi­tan­tes US$125 mil, os pro­du­to­res do pro­gra­ma não per­de­ram a opor­tu­ni­da­de de tra­zer de vol­ta pa­ra a te­le­vi­são um dos mai­o­res su­ces­sos re­cen­tes da mú­si­ca, pe­la pri­mei­ra vez des­de 1957. Abrin­do o show, El­vis apa­re­ceu

em um tra­je do exér­ci­to, can­ta­ro­lan­do a mú­si­ca It’s Ni­ce to Go Trav’ling. Fez tam­bém a per­for­man­ce de Stuck on You, seu pri­mei­ro sin­gle lan­ça­do de­pois da vol­ta aos Es­ta­dos Uni­dos.

El­vis - Es­pe­ci­al de TV da NBC (1968)

Trans­mi­ti­do pe­la re­de de te­le­vi­são NBC, em 3 de de­zem­bro de 1968, o es­pe­ci­al se po­pu­la­ri­zou pe­lo no­me de ‘68 Co­me­back Spe­ci­al, is­so por­que a pro­du­ção, pa­ra mui­tos, re­vi­veu a car­rei­ra do rei do rock. Com 33 anos na épo­ca, o can­tor ha­via pas­sa­do gran­de par­te da dé­ca­da atu­an­do em fil­mes e ál­buns de tri­lha so­no­ra. O es­pe­ci­al de te­vê El­vis veio de­pois de mais de oi­to anos sem apre­sen­ta­ções te­le­vi­si­vas, e as pro­du­ções sub­se­quen­tes ao show ca­ti­va­ram ain­da mais o pú­bli­co, con­sa­gran­do um dos me­lho­res mo­men­tos de sua car­rei­ra. A trans­mis­são foi o es­pe­ci­al mais as­sis­ti­do do ano, com 42% da au­di­ên­cia e con­tou com três mú­si­cas iné­di­tas, pro­du­zi­das es­pe­ci­al­men­te pa­ra a apa­ri­ção de Presley: Sa­ved, If I Can Dre­am e Me­mo­ri­es. A par­tir des­se mo­men­to, uma sé­rie de apre­sen­ta­ções em Las Ve­gas e seu re­tor­no às in­fluên­ci­as de Memphis, com o acla­ma­do ál­bum From El­vis in Memphis le­va­ram o as­tro do rock de vol­ta ao to­po da fa­ma.

Aloha from Hawaii (1973)

Ves­ti­do com o ex­tra­va­gan­te Aloha Eagle, um dos fa­mo­sos tra­jes de El­vis com a “águia ame­ri­ca­na”, o can­tor su­pe­rou to­dos seus es­pe­tá­cu­los qu­an­do apre­sen­tou, pa­ra mais de um bi­lhão de pes­so­as, o show Aloha from Hawaii. A per­for­man­ce al­can­çou cer­ca de 40 paí­ses e foi o pri­mei­ro show a ser di­fun­di­do glo­bal­men­te via sa­té­li­te. O em­pre­sá­rio de El­vis, Tom Par­ker, te­ve a ideia da apre­sen­ta­ção de­pois de as­sis­tir à vi­si­ta te­le­vi­si­o­na­da do en­tão pre­si­den­te dos Es­ta­dos Uni­dos, Ri­chard Ni­xon, à Chi­na. O re­sul­ta­do foi um set de 22 mú­si­cas, que in­cluiu su­ces­sos dos anos 1950 e 1960 e sin­gles co­mo Sus­pi­ci­ous Minds, acom­pa­nha­dos por uma ver­da­dei­ra mul­ti­dão. Um ál­bum du­plo do show foi lan­ça­do e ven­deu mais de cin­co mi­lhões de có­pi­as nos Es­ta­dos Uni­dos, tor­nan­do-se o úl­ti­mo LP de El­vis Presley a atin­gir o to­po do ran­king Bill­bo­ard.

O es­pe­ci­al de te­vê El­vis veio de­pois de mais de oi­to anos sem apre­sen­ta­ções te­le­vi­si­vas e as pro­du­ções sub­se­quen­tes ao show ca­ti­va­ram ain­da mais o pú­bli­co, con­sa­gran­do um dos me­lho­res mo­men­tos de sua car­rei­ra

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