COMO TUDO COMEÇOU

Elvis era – e con­ti­nua sen­do – um ar­tis­ta im­ba­tí­vel. E a his­tó­ria de como ele cons­truiu o seu rei­na­do mos­tra o porquê seu su­ces­so foi tão me­re­ci­do

GRANDES ÍDOLOS DA MÚSICA - Elvis Presley - O Legado Do Rei - - ÍNDICE - TEXTO Éri­ca Agui­ar e Pau­la San­ta­na DESIGN Ana Pau­la Mal­do­na­do IMAGENS Wi­ki­me­dia Com­mons e Re­pro­du­ção

O iní­cio da his­tó­ria de Elvis Presley é ins­pi­ra­dor e cheio de cu­ri­o­si­da­des

Inconfundível e in­com­pa­rá­vel. No iní­cio de sua car­rei­ra, Elvis cos­tu­ma­va res­pon­der per­gun­tas como: “qual é seu estilo? Com quem se pa­re­ce? Com a se­guin­te res­pos­ta: “eu não me pa­re­ço com nin­guém!”. E, re­al­men­te, quan­do ob­ser­va­mos to­da a his­tó­ria do rock'n roll, no­ta­mos que exis­te uma “pi­ta­da” de Elvis em grandes e con­sa­gra­dos no­mes da música. Elvis é ino­va­ção; ele sem­pre fez as coi­sas de seu jei­to, e que jei­to es­pe­ci­al! Exis­te uma voz gran­di­o­sa por trás de to­da a se­du­ção pre­sen­te no olhar e no sor­ri­so do Rei o Rock. O jo­vem cheio de estilo, com um vi­o­lão na mão e um re­que­bra­do de dar in­ve­ja em qual­quer qua­dril “in­fle­xí­vel”, se­du­ziu os ado­les­cen­tes de sua épo­ca (e dei­xou os pais mais con­ser­va­do­res um tan­to quan­to as­sus­ta­dos). E foi as­sim que o ar­tis­ta tor­nou-se um ver­da­dei­ro sím­bo­lo se­xu­al. Até seus ami­gos mais ín­ti­mos re­ve­la­vam, em en­tre­vis­tas, que não ha­via ho­mem mais be­lo do que ele.

Em­bo­ra o rei do rock não fos­se um exí­mio com­po­si­tor, ima­gi­nar o ce­ná­rio mu­si­cal sem a sua in­fluên­cia e ca­ris­ma é uma ta­re­fa di­fí­cil. Elvis sa­bia dar emo­ção às can­ções e pos­suía um do­mí­nio im­pres­si­o­nan­te so­bre su­as cor­das vo­cais. Des­sa ma­nei­ra, o co­me­ço de sua car­rei­ra foi mar­ca­do pe­la re­bel­dia nos re­bo­la­dos e a im­po­nên­cia que uma no­va ge­ra­ção cul­tu­a­va!

Da ti­mi­dez ao es­tre­la­to

A his­tó­ria é cla­ra em mos­trar que, an­tes de Presley, o rock já exis­tia nas can­ções de ar­tis­tas ne­gros como Lit­tle Ri­chard, Fats Do­mi­no e Chuck Ber­ry. O gê­ne­ro era uma mis­tu­ra do R&B, do gos­pel, do folk, do coun­try e do jazz fei­tos até en­tão, mas pou­co apre­ci­a­dos pe­la po­pu­la­ção bran­ca es­ta­du­ni­den­se. O pró­prio Sam Phil­lips, pro­du­tor mu­si­cal e do­no do

es­tú­dio Sun Re­cords on­de Elvis fez sua pri­mei­ra gra­va­ção, cos­tu­ma­va di­zer que, no di­aa em que en­con­tras­se um can­tor bran­co com uma voz ne­gra, fi­ca­ria. E, de cer­to mo­do, a ma­ré es­ta­va a fa­vor de Phil­lips. Presley era um jo­vem be­lo, ta­len­to­so, ca­ris­má­ti­co e com o tom de voz que o pro­du­tor es­pe­ra­va. E o con­quis­tou ime­di­a­ta­men­te.

O rei da rein­ven­ção

Du­ran­te sua car­rei­ra, Elvis tam­bém foi mes­tre em “dar a vol­ta por ci­ma”. De mo­to­ris­ta de ca­mi­nhão a can­tor de su­ces­so, o re­tor­no do exér­ci­to, a vi­da como ator e a vol­ta en­can­ta­do­ra em 1968 fo­ram mo­men­tos de tran­si­ção im­por­tan­tes na tra­je­tó­ria dee Presley. Se­ja como re­bel­de, mo­ço bem-com­por­ta­do ou adul­to char­mo­so, sua pos­tu­ra em ci­ma dos pal­co­sos con­ti­nu­a­va a con­quis­tar o pú­bli­co, mes­mo que ar­tis­tas com Bob Dy­lan e ban­das como

Be­a­tles e Rol­ling Sto­nes es­ti­ves­sem no to­po das pa­ra­das.

A “ame­a­ça” do rock bri­tâ­ni­co – vis­to, mui­tas ve­zes, como a na­ta do estilo – tam­bém in­flu­en­ci­ou a ado­ção de Elvis como um íco­ne do gê­ne­ro mu­si­cal nos Es­ta­dos Uni­dos. Era o “he­rói” ne­ces­sá­rio para a his­tó­ria (ain­da que, ao fi­nal da car­rei­ra, es­ti­ves­se com sua ima­gem de­te­ri­o­ra­da) e para a in­dús­tria fo­no­grá­fi­ca.

Os baby bo­o­mers, nas­ci­dos no pós-guer­ra, com­pu­nham o pú­bli­co de Elvis ain­da na dé­ca­da de 1950. Foi es­ta ge­ra­ção a res­pon­sá­vel por com­prar os dis­cos do can­tor e cau­sar to­do o re­bo­li­ço, ali­men­ta­do pe­la mí­dia, em tor­no de sua fi­gu­ra. Além dis­so, os jo­vens da épo­ca tam­bém iam ao ci­ne­ma acom­pa­nhar as pe­lí­cu­las es­tre­la­das pe­lo rei do rock já em 1960.

Show­man an ilus­tre

Mes­mo que ou­tros ar­tis­tas pos­te­ri­o­res a Elvis te­nham ex­plo­ra­do o rock de uma for­ma nun­ca vis­ta an­te­ri­or­men­te, o im­pac­to cul­tu­ral do can­tor in­flu­en­ci­ou ca­pas de dis­co, como é o ca­so do ál­bum Lon­don Cal­ling da ban­da bri­tâ­ni­ca de punk rock The Clash, e foi quem abriu as por­tas para no­vos es­ti­los de con­cer­tos.

Presley, já no iní­cio da dé­ca­da de 1970 na ci­da­de de Las Ve­gas, apre­sen­ta­va-se em es­pe­tá­cu­los me­ga­pro­du­zi­dos com gru­pos vo­cais e ins­tru­men­tais es­tron­do­sos. Se, ho­je, ar­tis­tas do pop dan­çam no pal­co, in­te­ra­gem com os mú­si­cos ao seu re­dor, usam fo­gos de ar­ti­fí­cio no pri­mei­ro ato e ves­tem tra­jes per­so­na­li­za­dos é por­que Elvis, como o show­man ex­tra­or­di­ná­rio que era, deu iní­cio a es­sa ma­nei­ra de se apre­sen­tar.

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