LEGADO DE UMA LEN­DA

A he­ran­ça mu­si­cal dei­xa­da por Elvis Presley ga­ran­te re­cor­des, re­gra­va­ções e com­po­si­ções que eter­ni­zam sua im­por­tân­cia para a atu­a­li­da­de

GRANDES ÍDOLOS DA MÚSICA - Elvis Presley - O Legado Do Rei - - ÍNDICE - TEXTO Éri­ca Agui­ar DESIGN Ana Pau­la Mal­do­na­do IMAGENS Shut­ters­tock Ima­ges e Ins­ta­gram @ elvis

A he­ran­ça gi­gan­te dei­xa­da pe­lo eter­no Rei do Rock

Elvis não mor­reu. Pe­lo me­nos, não nas me­mó­ri­as de ar­tis­tas que ti­ve­ram a chan­ce de con­vi­ver com o can­tor e nas lem­bran­ças de ad­mi­ra­do­res que con­ti­nu­am a ou­vir su­as can­ções e a trans­mi­tir o legado do rei do rock até os di­as atu­ais. Du­ran­te as dé­ca­das de 1950 a 1970, o as­tro foi o res­pon­sá­vel por re­vo­lu­ci­o­nar a música e a cul­tu­ra po­pu­lar com seu re­bo­la­do e re­bel­dia em ci­ma dos palcos. Se­ja ves­tin­do qui­mo­nos per­so­na­li­za­dos ou com as ja­que­tas icô­ni­cas do iní­cio da car­rei­ra, Elvis Presley ain­da é lem­bra­do pe­las ge­ra­ções mais ve­lhas e tam­bém pe­los mais jo­vens. Is­so por­que as mú­si­cas do rei do rock nun­ca dei­xa­ram de ser to­ca­das nas rá­di­os e de com­por tri­lhas so­no­ras de fil­mes e pro­gra­mas de te­vê.

Im­pac­to mu­si­cal

O su­ces­so de Presley é imen­su­rá­vel. Em­bo­ra os nú­me­ros de ven­das, ran­kings e re­cor­des de­mons­trem o quan­to foi ca­paz de con­quis­tar os ou­vi­dos e corações dos fãs, não exi­bem o im­pac­to emo­ci­o­nal e cul­tu­ral de seus fei­tos. Para de­mons­trar sua im­por­tân­cia no uni­ver­so mu­si­cal, em 23 de ja­nei­ro de 1986, o can­tor pas­sou a fa­zer par­te do Rock and Roll Hall of Fa­me, ins­ti­tui­ção res­pon­sá­vel por re­gis­trar o legado de ar­tis­tas que im­pac­ta­ram a his­tó­ria des­se gê­ne­ro mu­si­cal.

Se­gun­do a bi­o­gra­fia so­bre o can­tor dis­po­ní­vel no si­te da or­ga­ni­za­ção, es­ta­tis­ti­ca­men­te, Elvis al­can­çou nú­me­ros como 38 hits en­tre as dez can­ções mais es­cu­ta­das de sua épo­ca e 80 se­ma­nas, so­ma­das, como o nú­me­ro um das pa­ra­das. Con­tu­do, es­ses nú­me­ros ain­da po­dem ser su­pe­ra­dos, vis­to que co­le­ções do can­tor e gra­va­ções ra­ras con­ti­nu­am a ser pro­du­zi­das e di­vul­ga­das.

Lan­ça­men­tos

Após a mor­te do can­tor em 1977, os ma­te­ri­ais de es­tú­dio per­ma­ne­ce­ram sob a res­pon­sa­bi­li­da­de da gra­va­do­ra RCA Re­cords – ho­je, um dos se­los da Sony Mu­sic En­ter­tain­ment – e de sua ex- es­po­sa Pris­cil­la Presley.

Du­ran­te os anos de 1980 a 2000, al­gu­mas co­le­ções fo­ram lan­ça­das com can­ções já di­vul­ga­das ao pú­bli­co e es­pe­ci­ais na­ta­li­nos En­tre as re­cen­tes co­le­tâ­ne­as de mais des­ta­que es­tá ELV1S: 30 #1 Hits (lan­ça­da em 2002), uma com­pi­la­ção de mú­si­cas que al­can­ça­ram o to­po das pa­ra­das na Aus­trá­lia, Rei­no Uni­do e Es­ta­dos Uni­dos du­ran­te a vi­da do rei do rock. Além das can­ções de su­ces­so, o ál­bum con­ti­nha o re­mix A Lit­tle Less Con­ver­sa­ti­on do mul­ti-ins­tru­men­tis­ta ho­lan­dês Jun­kie XL (ou JXL), lan­ça­do nos me­ses an­te­ri­o­res e que ha­via al­can­ça­do o pri­mei­ro lu­gar das pa­ra­das bri­tâ­ni­cas e aus­tra­li­a­nas.

Su­ces­so re­cen­te

Já na dé­ca­da se­guin­te, em 2010, de­vi­do à apre­sen­ta­ção Vi­va Elvis cri­a­da pe­lo Cir­que du So­leil, hou­ve o lan­ça­men­to da tri­lha so­no­ra do show. No en­tan­to, além das mú­si­cas pre­sen­tes no es­pe­tá­cu­lo, há as ver­sões ins­tru­men­tais das can­ções Me­mo­ri­es e You'll Ne­ver Walk Alo­ne que não fo­ram in­clu­sas na apre­sen­ta­ção do gru­po de te­a­tro. O dis­co tam­bém con­tém en­tre­vis­tas, ce­nas de fil­mes es­tre­la­dos por Elvis e gra­va­ções de es­tú­dio.

Cin­co anos de­pois, o ál­bum If I Can Dre­am: Elvis Presley With The Royal Phi­lhar­mo­nic Or­ches­tra foi lan­ça­do. A pro­du­ção uniu os vo­cais do rei do rock'n'roll com o acom­pa­nha­men­to da fa­mo­sa or­ques­tra em 14 fai­xas. Ain­da há par­cei­ras com o can­tor Mi­cha­el Bu­blé, o gui­tar­ris­ta Du­a­ne Eddy e o trio pop ita­li­a­no de ópe­ra II Vo­lo.

Con­cer­tos pro­gra­ma­dos

De­vi­do ao su­ces­so do úl­ti­mo dis­co, seis con­cer­tos de Elvis com a Or­ques­tra Fi­larmô­ni­ca Re­al Bri­tâ­ni­ca fo­ram agen­da­dos no Rei­no Uni­do para o mês de no­vem­bro de 2016. Mas vo­cê de­ve es­tar se per­gun­tan­do: “como is­so vai fun­ci­o­nar?”. Bem, as apre­sen­ta­ções não se­rão ho­lo­grá­fi­cas, mas uti­li­za­rão ma­te­ri­ais de ar­qui­vo das per­for­man­ces do rei do rock. As­sim, en­quan­to os ví­de­os de con­cer­tos an­ti­gos são exi­bi­dos em te­la, a or­ques­tra acom­pa­nha­rá a me­lo­dia das can­ções no pal­co.

Além da “pre­sen­ça” de Elvis, os con­cer­tos tam­bém con­ta­rão com apa­ri­ções es­pe­ci­ais (em car­ne e os­so!) de Pris­cil­la Presley.

O im­pac­to cul­tu­ral de Elvis é tan­to que o as­tro foi ci­ta­do vá­ri­as ve­zes em fil­mes, ani­ma­ções e sé­ri­es. Um exem­plo da apa­ri­ção do ar­tis­ta é quan­do apren­de a dan­çar com o me­ni­no For­rest no fil­me For­rest Gump de 1994

(Re)gra­va­ções

Mui­tas das can­ções que fi­ze­ram su­ces­so na voz de Elvis fo­ram re­gra­va­das por ar­tis­tas co­nhe­ci­dos. Sus­pi­ci­ous Minds e Always on My Mind, por exem­plo, ga­nha­ram uma no­va ver­são na voz do mú­si­co coun­try Wil­lie Nel­son. Es­ta úl­ti­ma tam­bém foi gra­va­da pe­la du­pla pop bri­tâ­ni­ca Pet Shop Boys em 1987. No en­tan­to, es­sas não fo­ram as úni­cas ve­zes que Always on My Mind foi rein­ter­pre­ta­da. Há ain­da uma adap­ta­ção da can­ção para o por­tu­guês: Eu Só Pen­so Em Vo­cê, lan­ça­da pe­la du­pla ser­ta­ne­ja Ze­zé Di Ca­mar­go e Lu­ci­a­no, jun­to com Wil­lie Nel­son.

He­art­bre­ak Ho­tel tam­bém apa­re­ceu nas vo­zes e acor­des de mú­si­cos co­nhe­ci­dos: o ex-be­a­tle Paul McCart­ney, a atriz Ann-Mar­gret (que ha­via con­tra­ce­na­do com Presley no fil­me Vi­va Las Ve­gas), Cher, Bob Dy­lan, Bru­ce Springs­te­en, Tom Jo­nes, Su­zi Qua­tro, Van Ha­len, Ji­mi Hen­drix, Neil Di­a­mond, Lynyrd Skynyrd, Guns N'Ro­ses e mui­tos ou­tros ar­tis­tas.

A ban­da bri­tâ­ni­ca de rock Qu­e­en tam­bém abriu sua tur­nê The Ga­me, em 1980, com um me­dley en­vol­ven­do a música Jai­lhou­se Rock. Na dé­ca­da de 1990, a can­ção Vi­va Las Ve­gas foi in­ter­pre­ta­da pe­lo can­tor Bru­ce Springs­te­en e pe­la ban­da ZZ Top.

Além de grandes no­mes da música te­rem pres­ta­do ho­me­na­gens a Elvis, sua fi­lha Li­sa Ma­rie tam­bém gra­vou um du­e­to com seu pai. Em agos­to de 2007, foi lan­ça­do o sin­gle In The Ghet­to, em que am­bos can­tam. A gra­va­ção foi re­a­li­za­da em co­me­mo­ra­ção aos 30 anos da mor­te de Presley.

Em fil­mes e sé­ri­es

O im­pac­to cul­tu­ral de Elvis é tan­to que o as­tro foi ci­ta­do vá­ri­as ve­zes em fil­mes, ani­ma­ções e sé­ri­es. Um exem­plo da apa­ri­ção do ar­tis­ta é quan­do apren­de a dan­çar com o me­ni­no For­rest no fil­me For­rest Gump de 1994. Presley – ain­da um jo­vem mú­si­co – es­tá hos­pe­da­do na ca­sa dos pais de For­rest. En­quan­to to­ca vi­o­lão, in­te­res­sa-se pe­la for­ma como o me­ni­no me­xe as per­nas e qua­dris. Tem­po de­pois, For­rest e sua mãe ob­ser­vam uma te­le­vi­são li­ga­da em uma lo­ja, exi­bin­do Elvis Presley imi­tan­do os mo­vi­men­tos do ga­ro­to.

Já na ani­ma­ção Li­lo & Stit­ch (2002), a jo­vem ga­ro­ti­nha ten­ta en­si­nar ao ali­e­ní­ge­na a im­por­tân­cia e o su­ces­so de Elvis Presley, seu ído­lo. Li­lo res­sal­ta to­do o char­me do can­tor e seu ta­len­to.

No uni­ver­so das sé­ri­es, no epi­só­dio da fes­ta de noi­va­do de Jes­se e Becky em Três é De­mais, o ca­sal can­ta Jai­lhou­se Rock. Elvis tam­bém é re­fe­rên­cia no epi­só­dio Vi­va Ned Flan­ders da sé­rie de ani­ma­ção Os Simp­sons.

Um lu­gar para vi­si­tar

Além de re­lem­brar a in­ter­pre­ta­ção de su­as can­ções, é pos­sí­vel ter con­ta­to com o lo­cal em que Elvis pas­sou seus úl­ti­mos mo­men­tos. Gra­ce­land – sua re­si­dên­cia ofi­ci­al em Memphis, no Ten­nes­see – tor­nou-se um mu­seu de­vi­do à ini­ci­a­ti­va de Pris­cil­la. Cer­ca de 600 mil pes­so­as vi­si­tam o lo­cal to­dos os anos para ver de per­to as rou­pas ori­gi­nais, pre­mi­a­ções e vi­si­tar o tú­mu­lo de Elvis que se en­con­tra no Jar­dim de Me­di­ta­ção.

Anu­al­men­te, em agos­to, ocor­re a Elvis We­ek (em ou­tras pa­la­vras, a Se­ma­na de El-

vis). Nes­se pe­río­do, acon­te­ce o Ul­ti­ma­te Elvis Tri­bu­te Ar­tist Con­test, com­pe­ti­ção, cri­a­da em 2007, com o in­tui­to de pre­mi­ar o me­lhor só­sia de Presley. Fi­nan­ci­a­do e or­ga­ni­za­do pe­la Elvis Presley En­ter­pri­se, o even­to traz se­mi­fi­na­lis­tas do mun­do in­tei­ro. Em 2013, o ad­vo­ga­do gaú­cho Di­o­go “Di” Lei­chtweis fi­cou en­tre os cin­co fi­na­lis­tas, mas não fa­tu­rou o tí­tu­lo da com­pe­ti­ção. En­tre os cri­té­ri­os ana­li­sa­dos es­tão a pre­sen­ça de pal­co e a se­me­lhan­ça vi­su­al e vo­cal com o can­tor.

Ja­nei­ro tam­bém é ou­tro mês de co­me­mo­ra­ções, pois ocor­re uma ho­me­na­gem ao ani­ver­sá­rio de Elvis. Já no Na­tal, acon­te­ce o Elvis Ch­rist­mas, da­ta im­por­tan­te para o as­tro do rock, em que os fãs po­dem ver a de­co­ra­ção na­ta­li­na da man­são.

Ex­pe­ri­ên­cia úni­ca

Gra­ce­land foi aber­ta ao pú­bli­co em 7 de ju­nho de 1982. No en­tan­to, até 1993, a tia pa­ter­na do as­tro, Del­ta Presley Biggs, mo­ra­va na man­são. Ape­nas após sua mor­te, a co­zi­nha foi adi­ci­o­na­da ao ro­tei­ro de vi­si­ta pe­la ca­sa, que até o mo­men­to, in­cluía ape­nas o an­dar tér­reo.

Há cin­co ti­pos de in­gres­sos dis­po­ní­veis para os vi­si­tan­tes. Con­tu­do, o mais com­ple­to de­les dá aces­so à man­são, à Ca­sa dos Tro­féus, aos aviões, aos car­ros e a to­do o com­ple­xo de Gra­ce­land (que in­clui seis lo­jas e qua­tro res­tau­ran­tes). Além dis­so, os tu­ris­tas re­ce­bem um iPad com ví­de­os e fo­tos que nar­ram as his­tó­ri­as dos cô­mo­dos da ca­sa e exi­bem imagens his­tó­ri­cas da fa­mí­lia Presley em Gra­ce­land.

A sa­la de es­tar con­ta com os so­fás ori­gi­nais do can­tor e seu pi­a­no ao fun­do, con­tu­do, os vi­si­tan­tes não po­dem to­car nos mó­veis, sen­do se­pa­ra­dos por um cor­dão. O an­dar su­pe­ri­or da man­são não é aber­to à vi­si­ta­ção, mas os fãs po­dem ver a co­zi­nha, a sa­la de TV (com três te­le­vi­sões e a de­co­ra­ção cha­ma­ti­va em pre­to e ama­re­lo), a sa­la de jo­gos (com so­fás, pa­re­des e te­to re­ves­ti­dos do mes­mo te­ci­do es­tam­pa­do) e o Jun­gle Ro­om, lo­cal que foi pal­co de al­gu­mas gra­va­ções de Elvis e pos­sui uma de­co­ra­ção que lem­bra o Ha­vaí, como o car­pe­te ver­de no chão e uma fon­te d'água. O quar­to dos pais de Elvis tam­bém é aber­to para vi­si­ta­ção.

Na Ca­sa dos Tro­féus, é pos­sí­vel ver um pou­co do iní­cio da car­rei­ra do rei do rock e as rou­pas de seu ca­sa­men­to com Pris­cil­la (ves­ti­do, véu e ter­no), além dos prê­mi­os que re­ce­beu du­ran­te sua car­rei­ra. Há ain­da o cor­re­dor Hall of Gold, com a ex­po­si­ção de dis­cos de ou­ro, pla­ti­na e di­a­man­te.

La­do ex­ter­no

Gra­ce­land ain­da pos­sui uma pis­ci­na e um es­tá­bu­lo no quin­tal. Tam­bém é pos­sí­vel co­nhe­cer os dois ja­tos uti­li­za­dos por Presley: Li­sa Ma­rie e Hound Dog 2. Além des­ses lo­cais, há os car­ros e mo­tos em ex­po­si­ção.

O com­ple­xo da man­são ain­da pos­sui um lo­cal es­pe­ci­al so­bre Elvis no Ha­vaí e lem­bran­ças de Tu­pe­lo, sua ci­da­de na­tal. O ma­pa com­ple­to de Gra­ce­land, em in­glês, es­tá dis­po­ní­vel em bit.ly/2908cM7.

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