SLASH

Con­si­de­ra­do o mai­or vir­tu­o­se da ban­da e reconhecido co­mo um dos gran­des gui­tar­ris­tas de to­dos os tem­pos, Saul Hud­son vai mui­to além de ser uma ca­be­lei­ra e uma gui­tar­ra

GRANDES ÍDOLOS DA MÚSICA - Guns N' Roses - - ÍNDICE - TEX­TO Ra­fa­el Gui­ma­rães/Co­la­bo­ra­dor DE­SIGN Jo­se­ma­ra Nas­ci­men­to

Pa­ra mui­to além da car­to­la, da ca­be­lei­ra e da sua Gib­son Les Paul

Oho­mem de no­me Saul Hud­son nas­ceu em 23 de ju­lho de 1965 na ci­da­de de Lon­dres. Fi­lho de um in­glês com uma afro-ame­ri­ca­na, sua mãe era uma de­sig­ner de rou­pas pa­ra ro­quei­ros co­mo Da­vid Bowie, John Lennon e Rin­go Starr, e seu pai cri­a­va ca­pas pa­ra os LPs de Neil Young.

A ori­gem ét­ni­ca variada do gui­tar­ris­ta aca­ba­ria se tor­nan­do uma mos­tra da ins­pi­ra­ção de Slash na mú­si­ca. Em sua au­to­bi­o­gra­fia, pu­bli­ca­da em 2007, Hud­son de­cla­ra sem­pre ter gos­ta­do do fa­to de ser tan­to bri­tâ­ni­co quan­to ne­gro, uma vez que tan­tos mú­si­cos ame­ri­ca­nos são in­flu­en­ci­a­dos pe­los bri­tâ­ni­cos, en­quan­to mui­tos ar­tis­tas in­gle­ses ti­nham um gran­de de­se­jo de se apro­xi­ma­rem dos rit­mos dos ne­gros ame­ri­ca­nos.

Em 1972, a fa­mí­lia Hud­son ga­nhou mais um mem­bro: nas­cia Al­bi­on, ir­mão mais no­vo de Saul. A ale­gria da vi­da fa­mi­li­ar, en­tre­tan­to, co­me­çou a de­cli­nar quan­do Ola e Anthony de­ci­di­ram se se­pa­rar em 1974.

Anos re­bel­des

Se­gun­do o pró­prio Slash, a se­pa­ra­ção de seus pais o trans­for­mou em um re­bel­de. Ola cos­tu­ma­va fa­zer cons­tan­tes vi­a­gens a tra­ba­lho e o dei­xar aos cui­da­dos da avó. Even­tu­al­men­te, sua mãe co­me­çou a le­vá-lo em al­gu­mas vi­a­gens a tra­ba­lho, co­lo­can­do o ga­ro­to ain­da mais em con­ta­to com ce­le­bri­da­des da mú­si­ca.

Em 1979, Slash era co­nhe­ci­do em Los An­ge­les pe­lo seu es­ti­lo lar­ga­do e re­bel­de, ten­do di­fi­cul­da­de de se mis­tu­rar com ou­tras pes­so­as da mes­ma ida­de. Sua prin­ci­pal ati­vi­da­de, na épo­ca, era a prá­ti­ca do BMX, ou Bicy­cle Mo­tor Cross. No es­por­te, Saul era um des­ta­que, ven­cen­do di­ver­sas com­pe­ti­ções. Ain­da as­sim, ele de­ci­diu dei­xar de la­do a car­rei­ra de atle­ta pa­ra, aos 14 anos, ten­tar mon­tar uma ban­da com o ami­go Ste­ven Adler.

Co­mo Adler ha­via es­co­lhi­do ser gui­tar­ris­ta, Slash op­tou por apren­der a to­car bai­xo. Ar­ma­do com um vi­o­lão do­a­do pe­la sua avó, ele tor­nou-se alu­no de bai­xo de Ro­bert Wo­lin. En­tre­tan­to, du­ran­te a pri­mei­ra au­la, mu­dou de ideia e de­ci­diu in­ves­tir na gui­tar­ra após ver o pro­fes­sor to­car Brown Su­gar, dos Rol­ling Sto­nes, no ins­tru­men­to.

Co­me­ço na mú­si­ca

Slash co­me­çou a in­te­grar ban­das a par­tir de 1981, já se sen­tin­do pron­to pa­ra ten­tar a car­rei­ra pro­fis­si­o­nal. Em 1983, aos 18 anos de ida­de, ele e o ami­go Ste­ven Adler for­ma­ram o Ro­ad Crew, com no­me em ho­me­na­gem a uma mú­si­ca do Motörhe­ad.

Pro­cu­ran­do por mem­bros pa­ra ocu­pa­rem o res­tan­te das po­si­ções na ban­da, Adler e Slash re­sol­ve­ram in­cluir o bai­xis­ta Duff McKa­gan. Saul e McKa­gan aca­ba­ri­am se tor­nan­do ami­gos, em gran­de par­te pe­lo res­pei­to que um ti­nha pe­lo tra­ba­lho do ou­tro.

Eles co­me­ça­ram a re­a­li­zar audições pa­ra ten­tar en­con­trar al­guém pa­ra a va­ga de vo­ca­lis­ta, mas a fal­ta de qua­li­da­de dos can­di­da­tos e de com­pro­me­ti­men­to de Adler com o gru­po fi­ze­ram Slash de­ci­dir aca­bar com a ban­da.

O fim do gru­po, en­tre­tan­to, não aba­lou o re­la­ci­o­na­men­to com Adler, e am­bos co­me­ça­ram, em 1984, a to­car jun­tos na ban­da Hollywood Ro­se, de Axl Ro­se. Ao mes­mo tem­po, ele se can­di­da­ta­va pa­ra di­ver­sas ban­das em ati­vi­da­de na épo­ca, co­mo a Poi­son, uma ban­da de Glam Rock que even­tu­al­men­te tam­bém fa­ria su­ces­so.

Ain­da que to­can­do com a ban­da de Axl, Saul nun­ca se co­nec­tou ao gru­po, en­ca­ran­do aque­le co­mo um tra­ba­lho de oca­sião. Pos­te­ri­or­men­te, o lu­gar de Slash co­mo gui­tar­ris­ta da Hollywood Ro­se iria pa­ra Tra­cii Guns, fun­da­dor da ban­da LA Guns. A ban­da pas­sa­ria a se cha­mar Guns N’ Ro­ses, mas, em 1985, Tra­cii se­ria ex­pul­so por não fre­quen­tar os en­sai­os.

Com a ex­pul­são, Axl e Izzy Stra­dlin con­vi­da­ram Slash pa­ra se unir à ban­da, que con­ta­va com seus ami­gos Ste­ven Adler e Duff McKa­gan, fi­na­li­zan­do as­sim a for­ma­ção clás­si­ca do gru­po.

Es­tra­da pa­ra a fa­ma

Com o Guns N’ Ro­ses, Slash pas­sou a to­car nos gran­des clu­bes da épo­ca, co­mo o Trou­ba­dour e o Whisky a Go Go. Du­ran­te os pri­mei­ros anos, a ban­da tra­ba­lhou na cri­a­ção de mú­si­cas pró­pri­as, com­pon­do clás­si­cos co­mo Wel­co­me to the Jun­gle e Paradise City. A ca­pa­ci­da­de de Slash co­mo gui­tar­ris­ta so­lo lo­go sal­tou aos olhos de to­dos os mem­bros da ban­da.

A ban­da as­si­nou com a gra­va­do­ra Gef­fen Re­cords em 1986 e co­me­çou a gra­var seu pri­mei­ro ál­bum. Ain­da que des­ti­na­da à gran­de­za, o gru­po en­fren­tou pro­ble­mas com Slash, que co­me­çou a

abu­sar das dro­gas, com as quais to­dos já ti­nham uma re­la­ção.

A ban­da, en­tão, pres­si­o­nou o gui­tar­ris­ta so­bre o há­bi­to, o pe­din­do que es­co­lhes­se en­tre a car­rei­ra e o ví­cio. Ele aca­bou de­ci­din­do pe­lo gru­po, mas a de­pen­dên­cia das dro­gas não aca­ba­va ali.

Em ju­lho de 1987, era lan­ça­do o pri­mei­ro ál­bum do Guns, Ap­pe­ti­te for Destruction, que vi­ria a se tor­nar o dis­co de es­treia mais ven­di­do da his­tó­ria dos Es­ta­dos Uni­dos.

Du­ran­te o pe­río­do en­tre Ap­pe­ti­te e o lan­ça­men­to do am­bi­ci­o­so pro­je­to Use Your Il­lu­si­on, as ten­sões den­tro da ban­da co­me­ça­ram a au­men­tar, mo­vi­das jun­ta­men­te pe­lo fu­tor do es­tre­la­to e pe­lo abu­so de dro­gas.

Após o lan­ça­men­to das du­as par­tes de Use Your Il­lu­si­on, Izzy Stra­dlin se se­pa­rou da ban­da, dei­xan­do Slash so­zi­nho com Duff e Axl. In­sa­tis­fei­to com os re­sul­ta­dos do ál­bum se­guin­te, “The Spaghet­ti In­ci­dent?”, no qual a ban­da re­a­li­za­va ape­nas co­vers de mú­si­cas punk, Slash co­me­çou a com­por pa­ra o pró­xi­mo ál­bum.

De­pois de ter di­ver­sas com­po­si­ções re­jei­ta­das por Axl e Duff, o gui­tar­ris­ta se abor­re­ceu com o fa­to de que ne­nhum pro­gres­so es­ta­va sen­do re­a­li­za­do pa­ra con­cluir o ál­bum e de­ci­diu por se des­li­gar em 1996.

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