A ri­ca par­ce­ria com Paul

A quí­mi­ca mu­si­cal da du­pla Len­non / McCart­ney pro­du­ziu agu­mas das me­lho­res mú­si­cas de to­dos os tem­pos, mas tam­bém mui­ta his­tó­ria pa­ra se con­tar. Bo­as e más

GRANDES ÍDOLOS DA MÚSICA - John Lennon - - Índice - Tex­to David Cin­tra | De­sign Va­nes­sa Su­eishi

Des­de que se co­nhe­ceu, a du­pla Len­non / McCart­ney, co­mo era es­tam­pa­do nas ca­pas e nos ró­tu­los dos dis­cos dos Be­a­tles, tor­nou-se uma es­pé­cie de en­ti­da­de cul­tu­ral, uma ver­da­dei­ra fá­bri­ca de idei­as que cri­ou al­gu­mas das com­po­si­ções mais ge­ni­ais do sé­cu­lo 20. Mas a par­ce­ria se man­te­ve qua­se sem­pre nos li­mi­tes do cam­po ar­tís­ti­co. A ami­za­de não re­si­si­tiu à con­vi­vên­cia por tem­po pro­lon­ga­do e, qu­an­do co­lo­ca­da à pro­va, o rom­pi­men­to foi ine­vi­tá­vel. O que os uniu foi ape­nas a ar­te, pois com­par­ti­lha­vam de inú­me­ras re­fe­rên­ci­as em co­mum: ha­vi­am cres­ci­do len­do os mes­mos li­vros, gostavam de te­a­tro e ti­nham ad­mi­ra­ção pe­los mes­mos ar­tis­tas, em par­ti­cu­lar os do emer­gen­te rock’n’roll.

Afi­ni­da­des e di­fe­ren­ças

As­sim co­mo o pai de John, o de Paul, Jim McCart­ney, ti­nha ta­len­to mu­si­cal e che­gou até a for­mar uma banda pa­ra to­car em bai­les, mas não cons­truiu uma car­rei­ra e lo­go pas­sa­ria a ser o ca­ra que sa­bia to­car al­gu­ma coi­sa qu­an­do ti­nha fes­tas. Igual­men­te, os dois per­de­ram as mães na ado­les­cên­cia. Mary McCart­ney, a mãe de Paul, mor­reu ví­ti­ma de um cân­cer de ma­ma, em 1956, mais ou me­nos um ano an­tes de Ju­lia (leia mais na pág. 15).

Ao con­trá­rio de John, Paul não se en­vol­via em bri­gas e pre­za­va por saí­das mais di­plo­má­ti­cas ca­so o cli­ma es­quen­tas­se. Nun­ca foi sim­pa­ti­zan­te do ti­po de re­bel­dia que par­tia pa­ra o con­fron­to. Na ver­da­de, es­sa sem­pre foi uma gran­de di­fe­ren­ça en­tre os par­cei­ros. Um era o tí­pi­co ado­les­cen­te re­vol­ta­do, que ex­pres­sa­va sua in­sa­tis­fa­ção que­bran­do as re­gras – e, às ve­zes, coi­sas ou pes­so­as – en­quan­to o ou­tro era do ti­po “cer­ti­nho” e que pa­re­cia sa­ber mui­to bem o que bus­ca­va.

Mãos às obras

Paul se in­te­res­sou pri­mei­ro pe­la com­po­si­ção. Es­cre­veu sua pri­mei­ra mú­si­ca em 1956, cha­ma­da I Lost My Lit­tle Girl. Qu­an­do foi ad­mi­ti­do no gru­po, já ti­nha pe­lo me­nos dez can­ções. Não mui­to tem­po de­pois de se co­nhe­cer, o duo já es­bo­ça­va sua pri­mei­ras com­po­si­ções. Em cer­ca de seis me­ses, qu­an­do pas­sa­vam as tar­des en­sai­an­do na ca­sa de Paul, ti­nham fei­to al­go em tor­no de 20 mú­si­cas. Nes­ses pri­mei­ros es­bo­ços, es­tão os em­briões de al­guns su­ces­sos que se­ri­am can­ta­dos pe­lo mun­do to­do, co­mo Lo­ve Me Do.

No en­tan­to, co­mo o Qu­ar­ry­men – e tam­bém os Be­a­tles no iní­cio – pri­vi­le­gi­a­va ver­sões de su­ces­sos da épo­ca es­ses ori­gi­nais fi­ca­ram ador­me­ci­dos por um tem­po. Uma par­te de­les apa­re­ce­ria em 1963, qu­an­do foi lan­ça­do Ple­a­se Ple­a­se Me, o pri­mei­ro ál­bum dos Be­a­tles, com oi­to ori­gi­nais de McCart­ney / Len­non (cré­di­to se­ria in­ver­ti­do de­pois, por su­ges­tão de John). Nes­sa épo­ca, já ti­nham um acor­do de ca­va­lhei­ros, pe­lo qual as­si­na­ri­am jun­tos to­das as com­po­si­ções, mes­mo que não fos­se fei­ta re­al­men­te a dois, al­go que co­me­çou a ser fre­quen­te a par­tir de 1965 e, nos di­as fi­nais da banda, tor­na­ria-se a re­gra.

Com­pe­ti­ção sau­dá­vel

Em 1964, Can’t Buy me Lo­ve, es­cri­ta in­tei­ra­men­te por Paul, al­can­çou os pri­mei­ros lu­ga­res nos EUA e na In­gla­ter­ra. Es­ta­va inau­gu­ra­da a cor­ri­da pe­los la­dos A dos sin­gles. Em res­pos­ta, Len­non compôs os qua­tro hits da banda que se se­gui­ram: A Hard Day’s Night, I Fe­el Fi­ne, Tic­ket to Ri­de e Help!, além da mai­o­ria das fai­xas do ál­bum A Hard Day’s Night. O sur­to cri­a­ti­vo de John me­xeu com o ego de Paul que, em 1965, vol­tou a equi­li­brar a dis­pu­ta, com par­ti­ci­pa­ção “pa­la­vra a pa­la­vra e no­ta a no­ta” nos ál­buns Help! e Rub­ber Soul.

A cum­pli­ci­da­de foi man­ti­da até por vol­ta de 1967. No ál­bum Sgt. Pep­pers, que re­pre­sen­tou uma gran­de mu­dan­ça nos ru­mos do gru­po e da pró­pria mú­si­ca pop e rock, os dois ain­da es­cre­ve­ri­am e co­la­bo­ra­ri­am um com o ou­tro em vá­ri­as fai­xas (ape­nas Within You Without You é de Har­ri­son). Jun­tos, fi­ze­ram With a Lit­tle Help From My Fri­ends, Lucy In The Sky With Di­a­monds, Get­ting Bet­ter, She’s Le­a­ving Ho­me

e A Day In The Li­fe. Tal­vez, as me­lho­res do clás­si­co dis­co. Se Sgt.Pep­pers re­pre­sen­tou o au­ge dos Be­a­tles, foi tam­bém o úl­ti­mo tra­ba­lho que fa­ri­am co­mo um gru­po de ver­da­de. A sin­to­nia (e o en­can­to) que os man­ti­nham uni­dos se­ria que­bra­da de vá­ri­as ma­nei­ras, al­go que fi­ca­ria cla­ro nas sessões dos ábuns se­guin­tes.

Se Sgt.Pep­pers re­pre­sen­tou o au­ge dos Be­a­tles, foi tam­bém o úl­ti­mo tra­ba­lho que fa­ri­am co­mo um gru­po de ver­da­de

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